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Crítica | Fear the Walking Dead – 3X14: El Matadero

por Ritter Fan
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– Há spoilers. Leia, aqui, a crítica de todos os episódios da série.

Se pararmos para pensar, This Land Is Your Land poderia muito bem ter sido o episódio final da terceira temporada de Fear the Walking Dead. Com o Rancho Broke Jaw dizimado e o elenco de volta ao seu tamanho quase original, com uma ou outra adição aqui e ali, mais notavelmente Walker e Troy do lado da família Clark e Lola do lado de Daniel Salazar, um novo status quo tinha que ser estabelecido e é bastante comum que temporadas acabem dessa maneira incerta e, ainda por cima, com o elenco dividido.

Mas não. Os manda-chuvas da AMC determinaram que a série spin-off prelúdio de The Walking Dead precisava do tamanho regulamentar de 16 episódios, o que acaba nos trazendo para El Matadero, capítulo que, não tenho dúvidas em afirmar, é o mais fraco da temporada até agora, ainda que não exatamente ruim. Seu maior problema é tentar funcionar como um recomeço, mas sem saber exatamente o que fazer com os núcleos dos personagens e com as motivações de cada um deles.

Vejam Alicia, por exemplo. Finalmente bem desenvolvida nos últimos dois episódios, ela é colocada em uma situação padrão de “procura alimento, mata zumbi, encontra parceira” quase que imediatamente e isso logo depois de seu encontro com Nick e Troy, que prometia algo mais recheado do que o vazio que foi aquilo, uma verdadeira inutilidade narrativa. Pelo menos ela protagoniza o melhor momento do capítulo em que, na piscina de bolinhas, vemos uma breve sequência no melhor estilo Tubarão em que uma zumbizinha linda de morrer começa a se aproximar dela, com a câmera em plongée. É uma sequência muito bem executada por Stefan Schwartz, mas que, por muito pouco, é completamente desperdiçada tamanha é a pressa do roteiro de Alan Page em fazer a história pular de núcleo em núcleo.

De toda forma, ainda em Alicia, ainda que seja bem-vinda uma personagem nova – aqui vivida por Edwina Findley – a situação em si é cansativa e repetitiva, especialmente se considerarmos a quantidade de vezes que vimos algo semelhante na série-mãe. Mas ainda é cedo para julgar completamente essa dupla, ainda que Alicia merecesse mais destaque solo do que teve aqui, especialmente depois de sua espetacular ação  no rancho.

No lado de Madison, para a surpresa de absolutamente ninguém, descobrimos que Ofelia fora mordida pelo desmorto que estava bloqueando a hélice da ventilação da despensa subterrânea. De certa forma, dá vontade de dizer “bem feito” tamanho foi o atabalhoamento de Ofelia naquela sequência. De toda forma, essa revelação teria muito mais efeito dramático se viesse no começo de uma nova temporada e não como um episódio em que as peças são rearrumadas no tabuleiro. E o pior é acreditar na motivação de Madison em gastar o que ela gasta no mercado para permitir que Daniel veja a filha viva por alguns segundos, algo que ela falha miseravelmente em uma sequência anti-climática ao ponto de ser soterrada por diversas outras que seguem a história como se um pai não tivesse acabado de dar um tiro na cabeça de sua filha que ele achava estar morta há tempos. Sabe aquele ponto de interrogação que sobe na cabeça de personagens em animações? Pois um desses apareceu por sobre minha cabeça nesse momento em tese tão importante, mas que foi perdido em um episódio picotado.

Outra motivação que é complicada de aceitar é a de Nick mergulhando sem mais nem menos nas drogas novamente. Claro, sabemos que não existe cura para esse tipo de vício e que recaídas são extremamente comuns. No entanto, há muito tempo que a série vinha fortemente construindo Nick como um líder, como talvez a única pessoa que tenha consciência exata do que o mundo se transformou. Em El Matadero mesmo sua lucidez sobre a dependência de sua mãe em relação a eles é surpreendente, gerando um dos bons momentos do episódio em que Madison finalmente chora, ainda que por apenas alguns segundos (para que correr tanto com a história, Mr. Page?).

No entanto, assim quase que do nada, Nick se entrega violentamente às drogas, começando com os anestésicos dados a Ofelia e chegando até a cérebro de zumbi porco(???). E tudo isso com um Troy completamente descaracterizado a seu lado, como se fosse uma marionete sem a menor força de vontade para sequer dizer não a algo que, pelo visto, ele nunca nem chegou perto. Em outras palavras, uma situação que poderia ser construída ao longo de alguns episódios – pelo menos dois -, ganha uma aceleração inaceitável que mais uma vez resulta no desmembramento artificial do grupo.

Lógico que o mote principal, agora, será a oferta secreta que Strand fez ao chefe do mercado, algo que muito provavelmente tem relação direta com a represa comandada por Daniel por intermédio de Lola. Mais uma vez, porém, esse era um assunto que mais bem inserido em um contexto que permitisse mais tempo e não nos dois últimos episódios de uma temporada que, até agora, estava muito boa.

El Matadero, apesar de seus sérios problemas, nem de longe tem força para diminuir o mérito do que a série conseguiu nesta temporada. Certamente foi um erro o episódio anterior não ter sido o último, mas ainda há tempo para fazer uma leve correção de rumo. Meu receio é que essa derrapada seja um sinal da saída de Dave Erickson como showrunner da série já a partir da próxima temporada.

Fear the Walking Dead – 3X14: El Matadero (EUA, 08 de outubro de 2017)
Criação: Robert Kirkman, Dave Erickson
Showrunner: Dave Erickson
Direção: Stefan Schwartz
Roteiro: Alan Page
Elenco: Kim Dickens, Frank Dillane, Alycia Debnam-Carey, Colman Domingo, Danay García, Paul Calderón, Karen Bethzabe, Brenda Strong, Daniel Sharman, Sam Underwood, Dayton Callie, Lindsay Pulsipher, Rubén Blades, Jason Manuel Olazabal,  Jesse Borrego, Lisandra Tena, Edwina Findley
Produtora: AMC
Disponibilização da série no Brasil (na data de publicação da presente crítica): Canal AMC
Duração: 46 min.

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15 comentários

Lucas Chaves Dos Santos 15 de outubro de 2017 - 15:41

Sou só eu que sinto uma tensão sexual forte e meio forçada do Troy pelo Nick? Tem cenas que fico vendo e penso ‘será?’.
Não sei se eu por ser homossexual, fico na expectativa de algum tipo de representatividade… rs Oq vcs acham?

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planocritico 15 de outubro de 2017 - 20:28

Não existia isso no começo, mas eu acho que agora é algo perfeitamente plausível se acabar se concretizando. Os dois muito claramente se admiram mutuamente (e eu diria pelas razões erradas, já que cada um vê no outro um reflexo de si mesmo, de suas piores qualidades) e daí a haver um relacionamento mais intenso do que apenas um “bromance’ é um pulinho.

Vamos ver como a coisa se desenvolve, agora que os dois deixaram o grupo principal.

Abs,
Ritter.

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Junito 12 de outubro de 2017 - 17:37

Otima critica, concordo que esse foi o episodio mais fraco infelizmente, como vc disse o Troy nem parecia ser ele, a recaída do Nick é aceitável. Uma coisa que to gostando nessa serie é que os “principais” estão todos morrendo, então ninguém ali ta seguro no roteiro. Estranhei também o sumiço do capanga do Índio, ele e o próprio índio foram largados de escanteio no episodio kkkkk

PS: O que vc acha do crossover que confirmaram das duas series? Eu que acompanho as duas achei legal, claro que quem for aparecer tem que ser algum personagem relevante porque menos que isso pra mim será genérico.

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planocritico 14 de outubro de 2017 - 03:08

Sim, o Lee e o Walker foram ejetados do episódio. Ficou até feio.

Sobre o crossover, concordo com você. Se não for alguém realmente relevante, será apenas para fazer marketing.

Abs,
Ritter.

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Massi Marques 12 de outubro de 2017 - 14:51

Não acredito que vão fazer do Nick um cuzão novamente! Se sentir sufocado pela dependência da mãe a essa altura do campeonato é ridículo.

Responder
planocritico 14 de outubro de 2017 - 03:10

Pois é… Completamente desnecessário ele voltar assim de repente ao que era.

Abs,
Ritter.

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Huckleberry Hound 12 de outubro de 2017 - 11:54

Oh mds sem Dave Erickson na próxima temporada,será que a qualidade dessa temporada vai cair sem ele?

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planocritico 12 de outubro de 2017 - 13:42

Na hora que ele começa a acertar, ele sai… Não faço ideia como o negócio vai ficar…

Abs,
Ritter.

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Artur Montenegro 12 de outubro de 2017 - 10:24

Mais uma vez, uma crítica coerente com o que fora apresentado. O episódio foi, de longe, o mais fraco da temporada sim! Mas ainda arrisco dizer que fui superior a toda segunda e sofrível temporada. Achei a morte de Ofélia totalmente sem graça e bem desnecessária, com Daniel chegando SEGUNDOS depois da coitada morrer só pra dar aquela tensão entre ele e Madie, sério isso? Por que diabos não deram, no mínimo, uma despedida bonita e singela de pai e filha se sabiam que Daniel aceitaria Madison e cia na represa? Enfim, gostei das cenas da Alicia, mas fiquei com uma dúvida: a personagem que aparece é a mesma da web série de ftwd ”Passage”? Soube que uma das personagens viria a aparecer na série, mas a atriz me parece um pouco diferente.

Ps: Completamente desnecessário o núcleo de Nick e Troy.

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planocritico 12 de outubro de 2017 - 13:44

Tudo bem que a Ofélia nunca teve lá uma função muito bem definida, mas daí a matarem ela assim, no meio de um episódio perdido, sem uma cerimônia maior, achei que foi muita bobagem….

Sobre a personagem nova, confesso que não vi Passage. Vou procurar para ver!

Abs,
Ritter.

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Junito 12 de outubro de 2017 - 17:41

Olhei no Imdb e a personagem que Alicia encontra nao é aquela de Passage nao!

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Vinicius Gandolfi 13 de outubro de 2017 - 19:52

Quanto a personagem de Passage, não era ela. São atrizes e personagens diferentes. A da websérie se chama Sierra e a da série, Diana.

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planocritico 14 de outubro de 2017 - 02:51

Mistério resolvido!

Abs,
Ritter.

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SomBR@ 12 de outubro de 2017 - 10:09

Ótima crítica, é realmente ficaria mais legal se a série ja tivesse acabado no episódio 3×13. Enfim… a morte da Ofelia, eu queria chorar, mas eu não consegui, a sequência do momento foi muito previsível, já no começo do episódio ela não se aguentava, e a reação dos outros, cade aquele amigo dela que a levantou, quando ela caiu no carro? nem apareceu. Troy ficou parecendo o certinho, amigo das balada que não bebê e que dirige sóbrio. Eu vi uma imagem em algum lugar, acho que no insta, e o último episódio a Madison ta com Nick e Alicia em seu lado, provavelmente só veremos Alicia mais 1 episódio, e não sozinha, provavelmente com aquela nova personagem, que acredito q venha a morrer. Ainda assim o episódio foi muito bom, mas como você citou ficaria bem melhor se essa temporada houvesse acabada no episódio 3×13. Os núcleos correram bastante. A cena de Nick correndo para os zumbis, já vi isso em algum lugar… ele meio que quis se amostrar pro Troy? kk (sou mais fodão que você seu porra). Enfim, para o final dessa temporada, veremos o desvendamento da oferta de Strand, e a próxima temporada o lugar de Daniel sendo destruído ou tomado, e a aparição da ex do Nick. Espero não me decepcionar nesses últimos epísodios T_T

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planocritico 12 de outubro de 2017 - 13:45

Exatamente: “queria chorar, mas não consegui”. A morte dela foi tratada de forma banal, ali no meio de um monte de coisa. Difícil mesmo sentir algo…

Abs,
Ritter.

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