Crítica | Fear the Walking Dead – 5X01: Here to Help

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Fear the Walking Dead é uma série que não consegue se decidir entre ser boa ou ruim e, com isso, ela me impede de abraçá-la ou abandoná-la completamente. Afinal de contas, sua curta primeira temporada começou muito bem, mas acabou muito mal. Seguiu-se uma segunda temporada tão tenebrosa que eu só continuei nas críticas graças aos pedidos de diversos leitores, pedidos esses que me levaram à terceira e surpreendentemente sensacional temporada da série. Mas então veio a quarta temporada, com uma gangorra radical em termos qualitativos, pois ao mesmo tempo que trouxe alguns dos melhores episódios de toda a série, trouxe vários dos piores. E, com isso, chegamos à quinta temporada em meio a promessas de mais um crossover com The Walking Dead que, aliás, ao que tudo indica, também ganhará mais um spin-off.

E Here to Help é, basicamente, representativo desse vai-e-vem qualitativo da série como um todo, começando com excelentes sequências a partir do ponto de vista de dois meninos caçando na floresta que nos apresentam de maneira dinâmica ao novo status quo da série, como nossos heróis, ainda liderados por Morgan Paz e Amor, mergulhados de cabeça em sua missão de ser a Cruz Vermelha do apocalipse zumbi, o que inclui pilotar um avião e cair com ele quase na cabeça dos jovens. O acidente é bem trabalhado e não dá tempo para o espectador pensar exatamente no que está acontecendo dada a urgência da situação, a quantidade imensa de zumbis, o ferimento de Luciana, a fúria ensandecida de Alicia e a tentativa de Al e June de saírem do cockpit com a ajuda do sempre amoroso pistoleiro Dorie. Em meio a diálogos fragmentados e intercalados por crânios sendo atravessados por uma hélice sendo usada como a espada de Thanos, descobrimos que o grupo está atrás de alguém chamado Logan para oferecer ajuda humanitária e é essa missão que os impulsiona para a frente, apesar da incredulidade dos dois garotos que, não muito tempo depois, ganham a adição de uma menina.

Todo esse momento inicial de ação recebe uma dedicada e cuidadosa atenção de Michael E. Satrazemis na direção, mantendo um ritmo frenético, mas nunca confuso e fazendo um magnífico uso de fotografia atmosférica, bem old school, com tonalidades acinzentadas, entristecidas e muita névoa para conjurar os filmes de terror clássicos, com direito até a um ou dois jump scares divertidos. Essa pegada já é, aliás, marca registrada do diretor em especial e de FTWD como um todo e é bom ver que ela deverá continuar sendo empregada ao longo da temporada ou, pelo menos, quando a ação assim exigir.

No entanto, a alegria dura pouco, pois, assim que a pancadaria acaba, a narrativa esmorece e começa a correr atrás do próprio rabo, com aquela velha e cansativa lenga-lenga de Morgan sobre fazer o bem, sobre ajudar os outros, sobre fazer diferença. Ganhamos diálogos explicativos e expositivos sobre os esforços frustrados do grupo para preencher a elipse temporal entre uma temporada e outra, mas a insistência no mesmo discurso de sempre continua firme e forte, mesmo diante da inicialmente misteriosa busca pelo tal de Logan até quando um senhor, vivido pelo carismático Matt Frewer, revela-se como o próprio e como o L de C&L, demonstrando uma postura diametralmente oposta à de seu antigo sócio, ainda saudosamente alcunhado de Urso Polar. E, com isso, em uma reviravolta que realmente nos pega de surpresa – ainda que de maneira fria, distante e, sendo muito sincero e pouco técnico, chatinha – o tabuleiro da nova temporada é finalmente arrumado, mas sem que a visão geral do porvir seja realmente interessante ou pelo menos diferente. Resta saber se Logan será um vilão de alguma valia e não uma mera repetição da péssima velha louca do final da temporada anterior, ainda que a estrutura de “tomar de volta o forte” já esteja para lá de passada…

Mas, além de Logan, o tabuleiro é formado pela revelação – finalmente! – de que Daniel Salazar está vivo e que já fora entrevistado por Al e pela existência do que parece ser um grupo que anda por aí fardado com uniforme de tropa de choque (o que faz 100% sentido nesse universo e eu nunca entendi porque não é padrão para todo mundo…) e que captura a jornalista que tem como única função na série andar para um lado e para o outro lamentando sobre suas fitas e sobre as vidas que gravou sem uma função maior do que encher a paciência do espectador. De toda forma, a vindoura volta efetiva de Daniel, algo que estava já escrito nas estrelas desde a temporada anterior, poderá ser a injeção de ânimo que a série precisa para recuperar-se dos problemas do ano passado.

Fear the Walking Dead tem dois caminhos. Ou a série se firma de vez como algo digno de nota ou como apenas um derivado de TWD que não deu lá muito certo. Os altos e baixos que testemunhamos até aqui cansam por nos dar esperanças de que algo sustentável virá, apenas para frustrar-nos com vilões não vilanescos, defensores da paz e da união entre os povos e personagens cervejeiros que não fedem nem cheiram e demoram um episódio inteiro para morrer. Não tem fotografia bonita que aguente…

Fear the Walking Dead – 5X01: Here to Help (EUA, 02 de junho de 2019)
Showrunner: Andrew Chambliss, Ian Goldberg
Direção: Michael E. Satrazemis
Roteiro: Andrew Chambliss, Ian Goldberg
Elenco: Lennie James, Alycia Debnam-Carey, Maggie Grace, Colman Domingo, Danay García, Garret Dillahunt, Alexa Nisenson, Jenna Elfman, Rubén Blades, Matt Frewer
Duração: 46 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.