Home TVEpisódio Crítica | Fear the Walking Dead – 5X02: The Hurt That Will Happen

Crítica | Fear the Walking Dead – 5X02: The Hurt That Will Happen

por Ritter Fan
267 views (a partir de agosto de 2020)

  • Há spoilers. Leia, aqui, a crítica de todos os episódios da série.

Toda temporada de série precisa de um tema, de um norte. Claro, pode ser mais de um, mas é importante que haja algum vislumbre de caminho a ser seguido. Fear the Walking Dead passou por um reboot interno na temporada passada que fez a série andar de lado, por vezes encontrando-se, mas por várias outras vezes perdendo-se completamente. A quinta temporada, mesmo considerando que ela ainda está bem no começo, ainda não mostrou nenhuma correção de rumo, nenhum tipo de pista sobre a linha narrativa que Andrew Chambliss e Ian Goldberg pretendem seguir.

Here to Help foi um começo morno em termos de história e ameaçou apresentar um novo vilão – Logan – que  deu vontade de bocejar e, agora, em The Hurt That Will Happen, ele, pelo menos pelo momento, foi varrido para debaixo do tapete em prol da busca pela sumida Al, que foi sequestrada por alguém vestido com uniforme de tropa de choque. Sim, a procura por Al pode ser um caminho a ser seguido, ainda que ele não seja lá muito animador ou original, mas mesmo isso é deixado de lado aqui, com a introdução de algo que poderia ser visto como um “caso da semana”: os famigerados e já esperados zumbis radioativos.

Ainda que esse artifício faça algum sentido, já que o estado das usinas nucleares pós-apocalipse não havia sido ainda abordado do TWDverso, não pude deixar de sentir-me assistindo Z Nation, basicamente a versão “escracho total” de séries de zumbi. Admito que é mais uma implicância, pois o assunto foi tratado seriamente, sem nenhuma tentativa aparente de exageros, ainda que eu não tenha entendido perfeitamente a lógica de como alguém é contaminado no contexto apresentado. Além disso, o roteiro de Alex Delyle, responsável pelo excelente Buried e pelo mediano The Code, ambos da temporada anterior, não conseguiu dar cabo da situação sem fazer uso de conveniências narrativas como por exemplo Alicia não ter matado justamente o desmorto radioativo.

Mesmo que esse conceito pareça ter chegado a um fim, como FTWD nunca foi de trabalhar a estrutura de ameaça da semana, desconfio fortemente que ele voltará, até porque Morgan não poderá viver sem seu cajado por muito tempo. Seja como for, faltou um pouco mais de cuidado na escolha do problema principal a ser encarado e também em sua resolução.

Gravitando ao redor dos zumbis de Chernobyl, finalmente tivemos a reintrodução de Daniel Salazar na série em outra sequência razoavelmente perdida que estabelece seu novo status quo, coloca-o em oposição a Strand e… mais nada… Foi como um apêndice do episódio, quase uma cena pós-créditos durante a projeção para satisfazer aqueles que, como eu, queriam o personagem de volta. Ele certamente voltará, mas espero que não seja no último segundo, como o santo salvador da equipe em algum ato que o faz expiar os pecados de sua vida pregressa. Seria brega. Seria um desperdício de potencial vilão. Seria uma traição.

Como todo episódio da série tem obrigatoriamente uma burrice gigantesca, esta ficou por conta de Luciana que, mesmo convalescendo da delicada perfuração de seu ombro, resolve sair da proteção do ambiente onde estava sozinha para conferir barulho do lado de fora, no escuro e segurando um revólver maior que seu antebraço. Foi aquele momento de filme de terror categoria B- (sim, “B Menos” é uma categoria…) em que zumbis aparecem do nada, vem uma elipse temporal de que Jessica Lowrey, diretora novata na série, deveria ter vergonha e voilà, eis que as cabeças decepadas de zumbis voltam para anunciar um grupo vilanesco que ainda desconhecemos e que pode ter – ou não – relação com o sujeito vestido de tropa de choque que sequestrou Al.

Em outras palavras, ainda que este tenha sido um episódio mais homogêneo em sua execução se comparado com o anterior, ele não ajudou muito na construção da temporada e na impressão de que, para além do belo e constante trabalho de fotografia, não há ainda muito o que apreciar. Reconheço, como já reconheci acima, que ainda estamos apenas no segundo episódio, mas o problema é que, depois de uma temporada inteira que, sobretudo na segunda metade, desapontou tremendamente, é perigoso demais deixar os motores esquentarem tardiamente. De positivo, creio que todas as frentes que tinham que ser abertas já foram, restando só trabalhá-las adequadamente.

Fear the Walking Dead – 5X02: The Hurt That Will Happen (EUA, 09 de junho de 2019)
Showrunner: Andrew Chambliss, Ian Goldberg
Direção: Jessica Lowrey
Roteiro: Alex Delyle
Elenco: Lennie James, Alycia Debnam-Carey, Maggie Grace, Colman Domingo, Danay García, Garret Dillahunt, Alexa Nisenson, Jenna Elfman, Rubén Blades, Matt Frewer, Austin Amelio, Karen David
Duração: 41 min.

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31 comentários

Gustavo dos Anjos 13 de junho de 2019 - 12:16

Estou com a sensação de que os novos showrunners querem criar arcos que podem ser resolvidos em uma elipse ridícula de tempo. Todo o episódio, desde a quarta temporada, é continuação direta ou simultâneo com os acontecimentos do episódio anterior.
Fica essa sensação que, aliado ao discurso moralista do Morgan, a trama não anda. Ela fica amarrada em curso cansativo. Fora que eles adoram separar as pessoas para depois se reencontrarem. O Dave Erickson fazia isso até a segunda temporada, na terceira ele parou e foi a maravilha que foi.

E o plot interessante dos desastres naturais da midseason passada se resumiu em um único episódio. Receoso que façam o mesmo com os zumbis radioativos.

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planocritico 13 de junho de 2019 - 12:43

É o que está parecendo mesmo. Não tenho nada contra o recurso em si, mas o roteiro tem que oferecer mais do que histórias insossas…

Abs,
Ritter.

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Clayton Lucena 12 de junho de 2019 - 13:32

Gostei do episódio, afinal, abandonaram o fábrica de jeans (por esse episódio, uma pena). Mesmo assim a temporada parece que não tem um norte para seguir, são muitas coisas acontecendo sem foco, algumas coisas apresentadas são legais e outras são um desperdício absurdo.
Gostei do lance de “mostrar” o que aconteceu com a usina, é bacana ver esse outro lado do TWDverso, de coisas que teriam um impacto maior com a falta de manutenção, mas não vejo com bons olhos os zumbis de chernobyl e tbm não quero ver Daniel aparecendo como um salvador.

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planocritico 12 de junho de 2019 - 15:47

Exato. Está tudo muito sem foco por enquanto, mas eu acho que agora tudo que tinha que ser apresentado foi apresentado e, em tese (apenas em tese!) a coisa deve melhorar.

Sobre Daniel, tomara que usem bem o personagem. Vai ser uma pena se ele for o cara que salva todo mundo no último minuto.

Abs,
Ritter.

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Clayton Lucena 12 de junho de 2019 - 21:03

Se apresentarem mais coisas ai já viu…ladeira abaixo! Espero que não!
Já podiam dar fim na fábrica a galera se unir e irem procurar a Al logo. O problema é essa pregação de bondade, logo mais vejo os personagens arrumados e saindo todo domingo de manhã para pregar a palavra de porta em porta hahahahahahahha esse é o único norte que vejo hahahahahahahah

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planocritico 13 de junho de 2019 - 12:42

A história da fábrica, se voltar, tem que melhorar muito. Pois só de ver a entrada do Logan na história me deu vontade de dormir…

E a pregação está cansativa mesmo. Chega disso…

Abs,
Ritter.

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Clayton Lucena 14 de junho de 2019 - 14:26

Ritter…depois de uma olhada na nova série City on a Hill…parece que vai ser boa!

planocritico 14 de junho de 2019 - 15:25

Hummmm, muito interessante, hein? Já tinha ouvido falar no “Boston miracle”, mas será interessante ver a série para pelo menos ter uma ideia de como isso aconteceu (e porque raios não aplicam nas cidades brasileiras…). E tem Kevin Bacon, o que é sempre um bônus!

Valeu pela dica!

Abs,
Ritter.

Clayton Lucena 14 de junho de 2019 - 17:34

Já estou ansioso! Gosto desse tipo de série!

E ainda tem Ben Affleck e Matt Damon no meio da produção!
Agora é esperar pra ver!

planocritico 14 de junho de 2019 - 17:34

Aparentemente, tudo que se passa em Boston e é adaptado para filme ou TV tem dedo do Affleck! Ele tem o monopólio bostoniano!!!

HAHAHAAHHAAHAHHAHA

Abs,
Ritter.

Clayton Lucena 14 de junho de 2019 - 17:34

HAHAHAHAHAHAHAHA Ri Alto!!!!!

Já sei quem vai pegar a série se tiver crítica hahahahahahhahahahahahahahaha ou melhor, pegar não, usurpar! hahahahahahahaha

planocritico 14 de junho de 2019 - 17:46

Shhhhhhhh! Fala baixo para o Usurpador-Mor não ouvir!!!

Abs,
Ritter.

Clayton Lucena 14 de junho de 2019 - 17:59

hahahahahahahahahha

Clayton Lucena 16 de junho de 2019 - 18:10

E Ritter, depois, se tiver um tempo, procure a série The Hot Zone ou peça para alguém usurpar! hahahahaha

planocritico 17 de junho de 2019 - 18:30

Vou procurar saber dela!

Abs,
Ritter.

Alex Alves 12 de junho de 2019 - 10:28

Essa temporada esta um pouco melhor que a última, porem ainda não existe um arco maior, eles ficam enrolando a história.

Responder
planocritico 12 de junho de 2019 - 15:47

Olha, ainda não consigo dizer se está melhor, pois a anterior teve episódios espetaculares. Essa até agora nada…

Abs,
Ritter.

Responder
S0mBRa 11 de junho de 2019 - 23:05

Hm, demorei assistir, não estava tão entusiasmado depois do primeiro episódio, mas esperava que tudo fosse desandar nesse 2º episódio, então quando assisti hoje, fui acreditando que seria um bom episódio. O episódio não teve absolutamente nada de interessante. Zumbis radioativos? Ok, legal, a forma apresentada nem tanto.
Daniel retornou igual um terciário qualquer… sacanagem.

Mais 1 episódio com o Morgan pregando sobre a bondade que devem ter com os outros para a Alicia, e eu juro que largo a série. Bem que ele podia morrer de vez e levar a inútil da Luciana junto. Aiai.

Responder
planocritico 12 de junho de 2019 - 15:46

Bem por aí. Foi um episódio legalzinho e só…

Abs,
Ritter.

Responder
Huckleberry Hound 11 de junho de 2019 - 22:05

Que burrice de Luciana agora fiquei com saudade de Nick,e principalmente Madison nunca foram tão burros (com exceção daquela vez que ela ligou as luzes do hotel na segunda temporada)!Quanto a temporada se continuar nesse nível já tá até bom mas não o suficiente pra tirar a saudade dos velhos tempos!E Luciana…
I’m dumb
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Responder
planocritico 12 de junho de 2019 - 15:46

Realmente, foi inacreditável a estupidez da Luciana…

Abs,
Ritter.

Responder
Jose Claudio Gomes de Souza 11 de junho de 2019 - 21:35

Ritter, estou aqui só somando as notas que vc dá pra cada episódio. No final, faço a média e vejo se vale a pena ver. Kkkkkkk.

Responder
planocritico 12 de junho de 2019 - 15:46

Tá certo!!!

HAHAHHAAHAHAHHAHAH

Abs,
Ritter.

Responder
Rômulo Estevan 11 de junho de 2019 - 15:10

Adorei o episódio,esta temporada ja começou ótima na minha opinião.

Responder
planocritico 11 de junho de 2019 - 15:10

Que bom que está gostando. Estou achando um marasmo…

Abs,
Ritter.

Responder
José Werber 11 de junho de 2019 - 14:12

O que foi aquela cena ridícula da Luciana? Vai ser burra assim lá na casa do tio Pitombas! Ademais, a série parece uma comida insossa. Parece ter parado no meio do caminho sem conseguir definir um rumo.

Responder
planocritico 11 de junho de 2019 - 15:10

Pois é… Começo nada empolgante esse.

Abs,
Ritter.

Responder
Cahê Gündel 11 de junho de 2019 - 07:44

OFF: A essa altura acho que já sei a resposta, mas vocês não pretendem fazer crítica de cada episódio de Big Little Lies?

Responder
planocritico 11 de junho de 2019 - 08:44

Não, só da temporada assim que ela acabar.

Abs,
Ritter.

Responder
Junito Hartley 11 de junho de 2019 - 01:21

Eu gostei mais desse episódio do que o primeiro. Não entendo o porquê do personagem Salazar ser tão ignorado assim na série, ele ficou uma temporada completa fora, aí volta a quase não tem cenas dele, e por falar nas cenas dele, muito estranho aquele local que ele vive, só tem ele ali? O lugar me pareceu ser bem grande, mas aparentemente só tinha ele lá. Sobre ele ser um vilão futuro em potencial, eu não gostaria disso e acho difícil que isso aconteça visto que o já foi mostrado do personagem na série ele tá longe de ser vilão ou de se tornar um, mas se os roteiristas inventar isso eu não vou gostar. Sobre a Luciana, acho que ela tá flertando com a morte e logo vai morrer.

Responder
planocritico 11 de junho de 2019 - 08:44

Eu preferiria Daniel como vilão, mas acho que não será assim. De toda forma, achei esse episódio apenas marginalmente melhor que o anterior.

Abs,
Ritter.

Responder

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