Crítica | Fear the Walking Dead – 5X02: The Hurt That Will Happen

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Toda temporada de série precisa de um tema, de um norte. Claro, pode ser mais de um, mas é importante que haja algum vislumbre de caminho a ser seguido. Fear the Walking Dead passou por um reboot interno na temporada passada que fez a série andar de lado, por vezes encontrando-se, mas por várias outras vezes perdendo-se completamente. A quinta temporada, mesmo considerando que ela ainda está bem no começo, ainda não mostrou nenhuma correção de rumo, nenhum tipo de pista sobre a linha narrativa que Andrew Chambliss e Ian Goldberg pretendem seguir.

Here to Help foi um começo morno em termos de história e ameaçou apresentar um novo vilão – Logan – que  deu vontade de bocejar e, agora, em The Hurt That Will Happen, ele, pelo menos pelo momento, foi varrido para debaixo do tapete em prol da busca pela sumida Al, que foi sequestrada por alguém vestido com uniforme de tropa de choque. Sim, a procura por Al pode ser um caminho a ser seguido, ainda que ele não seja lá muito animador ou original, mas mesmo isso é deixado de lado aqui, com a introdução de algo que poderia ser visto como um “caso da semana”: os famigerados e já esperados zumbis radioativos.

Ainda que esse artifício faça algum sentido, já que o estado das usinas nucleares pós-apocalipse não havia sido ainda abordado do TWDverso, não pude deixar de sentir-me assistindo Z Nation, basicamente a versão “escracho total” de séries de zumbi. Admito que é mais uma implicância, pois o assunto foi tratado seriamente, sem nenhuma tentativa aparente de exageros, ainda que eu não tenha entendido perfeitamente a lógica de como alguém é contaminado no contexto apresentado. Além disso, o roteiro de Alex Delyle, responsável pelo excelente Buried e pelo mediano The Code, ambos da temporada anterior, não conseguiu dar cabo da situação sem fazer uso de conveniências narrativas como por exemplo Alicia não ter matado justamente o desmorto radioativo.

Mesmo que esse conceito pareça ter chegado a um fim, como FTWD nunca foi de trabalhar a estrutura de ameaça da semana, desconfio fortemente que ele voltará, até porque Morgan não poderá viver sem seu cajado por muito tempo. Seja como for, faltou um pouco mais de cuidado na escolha do problema principal a ser encarado e também em sua resolução.

Gravitando ao redor dos zumbis de Chernobyl, finalmente tivemos a reintrodução de Daniel Salazar na série em outra sequência razoavelmente perdida que estabelece seu novo status quo, coloca-o em oposição a Strand e… mais nada… Foi como um apêndice do episódio, quase uma cena pós-créditos durante a projeção para satisfazer aqueles que, como eu, queriam o personagem de volta. Ele certamente voltará, mas espero que não seja no último segundo, como o santo salvador da equipe em algum ato que o faz expiar os pecados de sua vida pregressa. Seria brega. Seria um desperdício de potencial vilão. Seria uma traição.

Como todo episódio da série tem obrigatoriamente uma burrice gigantesca, esta ficou por conta de Luciana que, mesmo convalescendo da delicada perfuração de seu ombro, resolve sair da proteção do ambiente onde estava sozinha para conferir barulho do lado de fora, no escuro e segurando um revólver maior que seu antebraço. Foi aquele momento de filme de terror categoria B- (sim, “B Menos” é uma categoria…) em que zumbis aparecem do nada, vem uma elipse temporal de que Jessica Lowrey, diretora novata na série, deveria ter vergonha e voilà, eis que as cabeças decepadas de zumbis voltam para anunciar um grupo vilanesco que ainda desconhecemos e que pode ter – ou não – relação com o sujeito vestido de tropa de choque que sequestrou Al.

Em outras palavras, ainda que este tenha sido um episódio mais homogêneo em sua execução se comparado com o anterior, ele não ajudou muito na construção da temporada e na impressão de que, para além do belo e constante trabalho de fotografia, não há ainda muito o que apreciar. Reconheço, como já reconheci acima, que ainda estamos apenas no segundo episódio, mas o problema é que, depois de uma temporada inteira que, sobretudo na segunda metade, desapontou tremendamente, é perigoso demais deixar os motores esquentarem tardiamente. De positivo, creio que todas as frentes que tinham que ser abertas já foram, restando só trabalhá-las adequadamente.

Fear the Walking Dead – 5X02: The Hurt That Will Happen (EUA, 09 de junho de 2019)
Showrunner: Andrew Chambliss, Ian Goldberg
Direção: Jessica Lowrey
Roteiro: Alex Delyle
Elenco: Lennie James, Alycia Debnam-Carey, Maggie Grace, Colman Domingo, Danay García, Garret Dillahunt, Alexa Nisenson, Jenna Elfman, Rubén Blades, Matt Frewer
Duração: 41 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.