Crítica | Fear the Walking Dead – 5X04: Skidmark

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Ao final de minha crítica sobre The Hurt That Will Happen, mencionei que achava que todas as frentes que tinham que ser abertas na temporada já tinham sido abertas e que só faltava trabalhá-las adequadamente. Dois episódios depois e, bem, percebi que estava errado. Andrew Chambliss e Ian Goldberg não só trouxeram Dwight para a série no divertido Humbug’s Gulch como, agora, voltaram para Daniel Salazar com mais uma linha narrativa misteriosa e, como se isso não bastasse, terminaram Skidmark com o tal helicóptero (ou um dos helicópteros) que levou Rick Grimes embora lá na série-mãe. Até quando os mistérios vão se amontoar e quando é que uma história coesa começará a ser contada?

Afinal de contas, o que tivemos até agora foram sucessivas introduções de novos assuntos no que parece ser a preparação de um grande crossover entre TWD e FTWD, algo que não sei se gosto muito, mas, claro, terei que esperar um pouco para dar meu veredito. O ponto principal é que a quinta temporada da série não parece preocupada em nos dar um norte, algo que também comentei na crítica do segundo episódio e isso tem feito com que a cola narrativa inexista. Sim, é bem verdade que tudo em tese converge para o sequestro de Althea pelo misterioso homem vestido com uniforme de tropa de choque, homem esse (ou um colega) que aparece brevemente aqui e é visto pelas crianças milicianas que se divertem brincando de O Senhor das Moscas e amarrando zumbis pelos intestinos, mas o problema é que os episódios tem deixado Al muito para trás no radar do espectador.

Daniel, por exemplo, que aparecera brevemente demais em Here to Help, volta com força total não como um fim em si mesmo, mas sim como o elemento introdutório de toda uma trama paralela que envolve um charuto (seria do Abraham?), armadilhas mortais sendo armadas em todos os 7 Eleven da região, uma razão misteriosa para ele ter ficado esse tempo todo no seu mega-armazém e uma aura de santo salvador para o ex-assassino que periga descaracterizar demais o personagem e colocá-lo ao lado do beatificado Morgan e sua postura “paz e a amor”. Seja como for, Rubén Blades está muito bem e consegue passar a “bondade com naturalidade” que Garret Dillahunt também consegue com seu John Dorie.

A abordagem de sua rotina diária e a interseção disso com o plano furado de Strand para furtar o avião que ele tanto precisa para resgatar seus amigos toma grande parte do episódio e tem uma estrutura funcional pensada para estabelecer uma conexão entre Daniel e Charlie (finalmente dando alguma função para a menina que, temos que lembrar, assassinou Nick) e, também, para tornar possível as pazes entre Daniel e Strand. E Samir Mehta efetivamente cumpriu sua função, ajudado pela boa química estabelecida de imediato entre Daniel e Charlie e pelo uso original das hélices do avião como liquidificadores de desmortos, ainda que, para isso, tenha que ter introduzido os tais mistérios sobre o passado de Daniel que ele, aparentemente, do nada, resolveu partir para resolver, o que pode significar que ficaremos sem o personagem por mais um bom número de episódios, até que ele provavelmente volte em momento crucial para “deusexmachinar” alguma enrascada do grupo principal.

É perfeitamente possível que tudo tenha conexão – o helicóptero, Dwight e os mistérios de Daniel – e eu, na verdade, espero que tenha, mas tem me incomodado a falta de rumo da temporada que arrisca, se não houver o tangenciamento narrativo em algum futuro bem próximo, alienar o espectador. É como se estivéssemos assistindo episódios soltos e “casos da semana” como nos velhos tempos das séries de TV da televisão aberta. Não é o fim do mundo, claro, mas amontoar mistérios sem nem sequer começar a resolvê-los ou apontar uma direção é uma estratégia cansada e preguiçosa dos roteiros para prender a audiência artificialmente, sem precisar desenvolver personagens.

Será que agora todas as frentes já foram apresentadas? Será que finalmente a temporada começará a andar de maneira organizada e em uma direção só como os zumbis atraídos por um som? Desfocar uma temporada depois que os showrunners conseguiram estragar a anterior que estava indo tão bem é pedir para a audiência cair e não terá crossover que resolva isso a longo prazo.

Fear the Walking Dead – 5X04: Skidmark (EUA, 23 de junho de 2019)
Showrunner: Andrew Chambliss, Ian Goldberg
Direção: Tara Nicole Weyr
Roteiro: Samir Mehta
Elenco: Lennie James, Alycia Debnam-Carey, Maggie Grace, Colman Domingo, Danay García, Garret Dillahunt, Alexa Nisenson, Jenna Elfman, Rubén Blades, Matt Frewer, Austin Amelio
Duração: 45 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.