Crítica | Fear the Walking Dead – 5X07: Still Standing

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Desde a chegada de Morgan em Fear the Walking Dead, seu discurso de paz e amor repetido ad nauseam tornou-se uma das coisas mais irritantes da série, não pelo teor do que ele fala, mas sim pela insistência dos roteiros em justamente trocar ação por palavras. Por isso é que Still Standing, que coloca ação na frente de palavras, merece destaque perto de seus pares dentro dessa temática “morganiana”.

Afinal, o ditado não diz que “falar é fácil”? Inserir monólogos de auto-ajuda em episódios de séries de TV sem imediatamente colocar em prática o que se fala e, pior, repetir tudo sempre que humanamente possível, vinha transformando FTWD em um marasmo cansativo que o episódio dessa semana, penúltimo antes do tradicional hiato, tenta corrigir. 

O ponto focal, aqui, repousa em Alicia no que pode ser o começo do fim completo da família Clark na série se o spray de sangue que ela levou na cara realmente for radioativo. A personagem que deveria ter sido transformada em líder do grupo tem um belo momento catártico graças aos Garotos Perdidos que ela quer salvar a todo custo, mas não por razões puramente altruístas e sim para expiar seus pecados. Mesmo que tenha havido um pouco demais de texto expositivo nesse tocante quando ela conversa seriamente com Annie, a ação que se segue é muito boa, em um crescendo de desespero que fez todo o conjunto funcionar muito bem.

Será uma pena se Alicia morrer, mas, se acontecer, pelo menos terá sido pelas razões certas e talvez da maneira certa, espelhando, de certa forma, o sacrifício de sua mãe e lavando a alma da personagem. Mas creio que ainda teremos Alicia por pelo menos mais um episódio, quem sabe por vários outros se houver algum tipo de reviravolta conveniente que salve a vida da moça.

Mesmo Morgan teve seus momentos para brilhar ao resgatar Charlie e Strand (mas que lona de balão mais resistente, não?) e levar as hélices que são magicamente instaladas no avião e ao, ato contínuo, resgatar a niilista Grace do fim certo na usina próxima de uma segunda catástrofe. E porquê que os momentos com Morgan funcionaram? Sim, você adivinhou: ações no lugar de palavras. 

No entanto, não faltaram palavras no episódio e elas sem dúvida incomodaram. Sabem aqueles momentos em filmes de ação que o casal, que não se vê há algum tempo, resolve se abraçar com o mundo literalmente desabando ao redor? Pois bem, eu me peguei diante de algo assim não uma, não duas, mas várias vezes ao longo desses 45 minutos.

Toda a urgência de se pegar o combustível de aviação cai por terra com uma confissão lacrimosa de Al para June que poderia muito bem acontecer dentro do carro voltando para a base. Annie e Alicia tiveram seu momento na ponte suspensa da casa da árvore das crianças. John Dorie e Dwight quase se abraçaram soluçando quando o cowboy revela a carta que escondera. Até Strand teve seu “momento Morgan” soltando umas expressões retiradas diretamente de livros de “como ser amado em sete simples passos”. É esse tipo de mão pesada que a série já não pode mais ter e que constantemente mostra que não precisa ter, como foi o caso em Humbug’s Gulch e The End of Everything, mas que os showrunners parecem não conseguir se desgarrar.

Mas, apesar dos pesares, Still Standing conseguiu, de forma razoavelmente boa, traduzir em palavras toda a lenga-lenga de Morgan em uma temporada e meia e ainda abrir espaço para um bom momento de Alicia. Resta mesmo é saber se a última representante da família original da série conseguirá chegar no segundo arco da temporada.

Fear the Walking Dead – 5X07: Still Standing (EUA, 14 de julho de 2019)
Showrunner: Andrew Chambliss, Ian Goldberg
Direção: Marta Cunningham
Roteiro: Richard Naing
Elenco: Lennie James, Alycia Debnam-Carey, Maggie Grace, Colman Domingo, Danay García, Garret Dillahunt, Alexa Nisenson, Jenna Elfman, Rubén Blades, Matt Frewer, Austin Amelio, Sydney Lemmon
Duração: 46 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.