Crítica | Fear the Walking Dead – 5X08: Is Anybody Out There?

FTWD_Fear the Walking Dead – 5X08_ Is Anybody Out There

  • Há spoilers. Leia, aqui, a crítica de todos os episódios da série.

Quando Is Anybody Out There? acabou, a primeira coisa que pensei em fazer foi uma espécie de placar, como o daquela zebrinha do Fantástico de priscas eras dando o resultado da Loteria Esportiva. A ideia era separar o que foi bom do que foi ruim e apontar o que foi apenas “empate” nesse episódio bipolar de Fear The Walking Dead que marca o fim do primeiro arco e o começo do breve hiato tradicional da temporada. 

Mesmo que eu tenha descartado o conceito do placar, foi inevitável que ele “sangrasse” um pouco aqui na crítica, já que pensei nele por mais do que apenas breves segundos. O resumo dessa ópera é que a série conseguiu trazer um episódio que tinha tantos predicados para ser sensacional quanto para ser uma imensa porcaria, resultando em um daqueles exemplos de roteiro que caminham exatamente em cima da linha da mediocridade, alegrando-me tanto quanto enfurecendo-me.

Exemplo desse meu blá blá blá? O maior deles é sem dúvida Alicia. Quando a vi tomando banho anti-radiação no caminhão de Grace, sendo tratada pela paranoica personagem com a maior tranquilidade como se nada sério tivesse acontecido ao final do episódio anterior, abri um sorriso. Que bom que Alicia estava bem e que, aparentemente, não teria grandes sequelas! 

Quando meu tico e teco se conectaram depois do torpor gerado pela felicidade espontânea e genuína (afinal, sem Alicia a mala do Morgan passaria a ser o líder absoluto e isso, convenhamos, ninguém aguenta, não é mesmo?) eu soltei um “peraí como assim?” mental que fez minha alegria frear e capotar violentamente. Mas não era a radiação o grande inimigo invisível dessa temporada, capaz de matar se o sangue de um zumbi contaminado entrasse em contato com alguém? Não era isso que Grace basicamente representava nesse arco ao ponto de ela ter confiscado o cajado de estimação de Morgan, embalando-o em plástico? Como então um spray de sangue no rosto de Alicia foi tratado como se ela tivesse apenas se sujado com lama rejuvenescedora de lagoa termal? Como é que esse assunto foi varrido para debaixo do tapete se tudo – TUDO – que Grace fez ao longo desses episódios todos foi gritar com todo mundo sobre os perigos da zona radioativa e a ameaça de seus colegas desmortos? 

Em uma “canetada”, Michael Alaimo desfez toda uma linha narrativa, chegando ao cúmulo de Grace permitir, com a maior naturalidade do mundo, que Morgan mais uma vez fizesse uso de sua arma pacifista predileta. Fomos então enganados esse tempo todo? Fomos feitos de palhaços com todo esse alarme histérico sobre a ameaça nuclear? Mas haja o benedito…

Mas calma que, exatamente como as facas Ginsu e as meias Vivarina, tem mais! Afinal, a trama de Logan, lá do começo da temporada, volta aqui, algo perfeitamente esperado para um episódio de fechamento de arco. Era o que qualquer roteiro que se preze faria e, novamente, fiquei feliz, ainda que cautelosamente já que essa história do personagem é desinteressante. 

Portanto, tudo certo. Só que não, claro. Afinal, não só descobrimos que Logan e sua gangue queriam é achar algo lá no QG do Urso Polar, esburacando o lugar todo para isso – ou seja, um artifício narrativo para lá de mequetrefe – como ele, depois de mais uma vez reiterar o quanto é um desalmado, vem como um cachorrinho pidão ao final do episódio pedir “penico” a Morgan e companhia que, pasmem (ou não, na verdade) parecem aceitar essa mudança completa na personalidade do sujeito. Escutaram um som agora? Foram meus olhos revirando…

Só que o sal na ferida foi quando Logan revelou que o tal “segredo” era a localização de um lugar (uma usina?) com combustível bom o suficiente para permitir a continuidade do programa de ajuda ao próximo de Morgan de Calcutá. Afinal, desde que houve o salto temporal na série, na temporada passada, o assunto de combustível estragado foi introduzido inteligentemente no roteiro como vocês devem lembrar. Não? Não lembram? Façam uma forcinha. Foi lá atrás no episódio… É… Isso mesmo… Foi só aqui NESTE EPISÓDIO que essa novidade apareceu convenientemente como um ato divino milagroso graças às explorações dos amigos Dwight e John, dupla que, como todo roteiro bom para tornar-se papel higiênico de posto de gasolina, volta sã e salva exatamente no último segundo possível, com direito a pedido de casamento aéreo e o escambau.

E eu falei em conveniência? Então que tal o reaparecimento de Sarah e Wendell, personagens mágicos que se teletransportam da Zona Negativa para a série quando a temporada precisa deles, mesmo que Wendell tenha que ser retratado como o mais incompetente matador de zumbis da história de FTWD com aquela cadeira de rodas que imbecilmente empala desmortos? 

E esses dois nem sequer conseguem fazer  nada de útil não fosse – sim, vocês adivinharam – a volta de Dan Ex Machina, o personagem mais subaproveitado do zumbiverso, dessa vez trazendo lâmpadas natalinas suficientes para iluminar uma pista de pouso improvisada. Sim, eu fiz as contas de quantos metros disso ele precisaria no mínimo. E não, não vou escrever aqui, pois estou com raiva…

Creio que não preciso também falar no mero fato de o avião ter sido consertado  a toque de caixa e de ter efetivamente decolado, voado e pousado. Era esperado, sem dúvida, mas a tranquilidade como tudo aconteceu – e com o sobredito pedido de casamento ainda por cima!!! – foi de trincar os dentes. 

É… Achei que tinha dado empate, mas foi só mesmo minha benevolente impressão inicial. A zebrinha mental declara, depois de rever os parágrafos acima, que a coluna do “ruim” ganhou de lavada.

  • Fear the Walking Dead entrará em hiato, retornando no dia 11 de agosto de 2019.

Fear the Walking Dead – 5X08: Is Anybody Out There? (EUA, 21 de julho de 2019)
Showrunner: Andrew Chambliss, Ian Goldberg
Direção: Michael E. Satrazemis
Roteiro: Michael Alaimo
Elenco: Lennie James, Alycia Debnam-Carey, Maggie Grace, Colman Domingo, Danay García, Garret Dillahunt, Alexa Nisenson, Jenna Elfman, Rubén Blades, Matt Frewer, Austin Amelio, Sydney Lemmon, Karen David
Duração: 46 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.