Home TVEpisódio Crítica | Fear the Walking Dead – 5X11: You’re Still Here

Crítica | Fear the Walking Dead – 5X11: You’re Still Here

por Ritter Fan
307 views (a partir de agosto de 2020)

  • Há spoilers. Leia, aqui, a crítica de todos os episódios da série.

Indiferença. Profunda, cansada, irremediável indiferença.

Foi a única coisa que consegui sentir quando os créditos de You’re Still Here começaram a rolar. Tenho até dificuldade de escrever uma crítica sobre o que assisti que seja maior do que um parágrafo curto, mas farei todo o esforço possível. E digo isso não porque o episódio foi ruim. Nada disso. Também não foi bom, podem ter certeza. Ele foi “nhé…”, assim mesmo, com três pontinhos ao final dessa interjeição (que nem sei se é interjeição…), o que me fez imediatamente engatar na conferência do episódio de outra série logo em seguida para eu não ficar com uma sensação de vazio audiovisual, como se não tivesse assistindo a nada que pulsasse.

Na trama, Alicia está sofrendo de transtorno de estresse pós-traumático depois de seu encontro com centenas de zumbis em Still Standing, o que a torna ainda mais inútil do que Morgan já que ela se recusa a matar até mesmo os mortos. No entanto, esse elemento introduz uma temática interessante que, até onde me consta, nunca havia sido abordada em uma série de zumbis. Acontece que, no lugar de realmente mergulhar no lado psicológico da coisa, os roteiros transformaram a personagem em um zero à esquerda que passou a se interessar por frases misteriosamente pintadas em árvores, frases essas que surgiram convenientemente do nada e que levantaram suspeitas pela internetosfera de que seria um sinal de que Madison, sua mãe, estava viva. Nunca entendi a lógica dessa teoria (Madison jamais escreveria mensagens poéticas em árvores…) e ainda bem que ela foi desbancada aqui, por mais que eu realmente queira que a matriarca volte.

Seja como for, Wes (Colby Hollman), que teve sua bela motocicleta com sidecar maldosamente perfurada pelos minions de Logan em Channel 4, reaparece aqui pedindo ajuda para os bons samaritanos. Alicia e Strand respondem ao chamado somente para serem ludibriados sobre a verdadeira intenção do jovem. Dizendo que queria voltar para onde o irmão estava, ele, na verdade, desejava recuperar um manuscrito de um sujeito que o roubara dele em uma subtrama dolorosa de tão sem sal que é, mesmo que o roteiro de Mallory Westfall e Alex Delyle tente fazer algum esforço para criar um significado maior. Entre cercos sem graça de desmortos, a entrada de Morgan e Al na história – com o drama da esposa e filho de Morgan voltando também – e um encontro anticlimático com Logan, o episódio não entrega nem ação, nem filosofia. A não ser que filosofia de botequim tenha algum valor (e não tem, vou logo dizendo) para além de alguns segundos de “ohhhh” e “ahhhh” sob efeito daquela cachacinha bacana.

No final das contas, tudo o que Alicia precisava para voltar a esfaquear zumbis era descobrir o autor das mensagens nas árvores – que, surpresa, surpresa, é o próprio Wes! – e transformar-se, ela própria, em uma hippie pintora de árvores (ok, o hippie foi por minha conta, mas não resisti). Deve haver algum significado mais profundo aí nessa brincadeira, mas o episódio foi construído de tal maneira que fiquei – e estou ainda – com preguiça de pensar. Uma coisa, porém, tenho certeza: é uma bobagem qualquer que seria dita por um amigo bêbado no tal botequim onde se fala muita filosofia.

De diferente mesmo, tivemos o cofre onde Al guarda suas tão preciosas fitas, os objetos mais importantes da série desde que os novos showrunners entraram. Fico muito curioso para saber até onde esse artifício narrativo vai, já que de projeto pessoal, as gravações passaram a ser confessionário, depois propaganda da Cruz Vermelha de Morgan e, agora, como trabalho de detetive para Logan e companhia descobrirem onde está o tão cobiçado combustível. Ah, outra coisa foi pela primeira vez mencionada com todo o ar de mistério possível aqui: Logan tem um plano maior. O que é, não faço ideia, mas gostaria muito que tivesse alguma conexão com a organização secreta de Isabelle como vimos no excelente The End of Everything (mais conhecido como o único episódio dessa temporada que merece esse adjetivo). Entretanto, tenho para mim que não haverá ligação alguma, o que terminaria de enterrar qualquer valor para esse inimigo tão apagado dessa temporada. Seja como for, teremos que esperar para ver.

You’re Still Here é sem graça e incapaz de despertar a curiosidade do espectador por mais do que alguns segundos esparsos aqui e ali. Nossa, acho até que escrevi demais, mas, mesmo assim, o sentimento de indiferença continua sendo o dominante.

Fear the Walking Dead – 5X11: You’re Still Here (EUA, 25 de agosto de 2019)
Showrunner: Andrew Chambliss, Ian Goldberg
Direção: K.C. Colwell
Roteiro: Mallory Westfall, Alex Delyle
Elenco: Lennie James, Alycia Debnam-Carey, Maggie Grace, Colman Domingo, Danay García, Garret Dillahunt, Alexa Nisenson, Jenna Elfman, Rubén Blades, Matt Frewer, Austin Amelio, Sydney Lemmon, Colby Hollman, Karen David
Duração: 44 min.

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34 comentários

jjevil 20 de setembro de 2020 - 15:31

Existe alguma explicação científica para esse sentimento sobre séries ruins que não conseguimos abandonar?

High Five virtual aqui, porque eu também quero a Madison de volta.

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planocritico 20 de setembro de 2020 - 19:12

He, he. Deve ser T.O.C. mesmo. Mas, no meu caso, é masoquismo…

E Madison faz uma falta…

Abs,
Ritter.

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Jose Olyntho Ze 29 de agosto de 2019 - 22:22

Abandonei em definitivo. Adios amigos.

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planocritico 30 de agosto de 2019 - 08:24

Não nos deixe sós!!!

Abs,
Ritter.

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Felipe Lima 29 de agosto de 2019 - 17:09

Realmente essa série tá decepcionante. Um roteiro porco, preguiçoso e mal feito, que chega a ser sonolento e ao mesmo tempo irritante de como as coisas se desenrolam. Personagens inúteis no elenco, vilão sem brilho algum, o erro do Morgan como protagonista (já que ele é um saco com essa bipolaridade dele e uma ideologia de vida sem nexo em pleno apocalipse), Alicia que era uma das melhores personagens da série ficando chata e apagada… Nossa, tanta coisa ruim que são notáveis que daria pra falar durante horas. A impressão que dá é que os roteiristas estão cagando pra essa série e estão fazendo de qualquer jeito, com total displicência. Já que já estão produzindo o novo spin off, e que provavelmente vai abafar FTWD de vez. Sinto cheiro de cancelamento no ar, que ao me ver, já que está tão ruim, seria a melhor coisa que a se fazer pra não tornar tudo mais frustrante do que já está.

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planocritico 29 de agosto de 2019 - 17:38

Realmente não sentirei falta se cancelarem…

Abs,
Ritter.

Responder
Diego Augusto Pereira Da Costa 29 de agosto de 2019 - 10:24

Pq desde o rebot, a 2 parte das temporadas ficam tão ruins? Kk

Q vilão chato esse Logan pqp

Os 3 irmãos crianças (Dylan Bob e anie) ainda n apareceram desde a mid season. Mas inferimos q eles estão seguros em algum lugar com o pessoal. Será q vai mostrar eles dnv ou nem?

O Wendell tbm kk outro q quase não tem destaque

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planocritico 29 de agosto de 2019 - 12:01

Cara, tinha até já me esquecido do Wendell! Eles não estão sabendo nem mesmo manejar o grupo de maneira orgânica…

Abs,
Ritter.

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Jeremyah Valeska 29 de agosto de 2019 - 09:34

Esses roteiristas não estão sabendo cuidar de FTWD, o que é uma pena, tinha e ainda têm tudo para ser uma série melhor que a mãe, mas parece que teremos que ver mais temporadas ruins pra isso acontecer algum dia (se é que acontecerá).

Responder
planocritico 29 de agosto de 2019 - 12:01

A terceira temporada foi ótima, mas só. Uma pena o que tem acontecido com a série…

Abs,
Ritter.

Responder
Marcelo 29 de agosto de 2019 - 09:34

É impressão minha ou estão querendo fazer da Alycia um sex symbol de FTWD?
Nessa temporada tenho notado alguns takes de ângulos a valorizar seus atribuitos.

Responder
planocritico 29 de agosto de 2019 - 12:01

Olha, você tem um ponto. Isso ficou lá no fundo da minha mente como algo “estranho”, mas só veio à tona agora com seu comentário. Há, de fato, uma leve alteração na forma como a câmera trata Alicia sim, meio que a objetificando em alguns breves momentos. Vou prestar mais atenção nisso para ver se a coisa é intensificada.

Abs,
Ritter.

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Marcelo 29 de agosto de 2019 - 16:44

Não saberia precisar agora quando isso começou, mas não foi somente nesse episódio, porém em algum momento da atual temporada. E, sem ser politicamente correto, não estou reclamando, apenas uma percepção que gostaria de compartilhar e, com o sentimento aguçado de vocês para a sétima arte, poderiam esclarecer se foi apenas uma impressão de um amador ou se é de fato orquestrado.

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planocritico 29 de agosto de 2019 - 17:38

Não foi só aqui mesmo não. Já vem de alguns episódios dessa temporada com toda certeza. E também não sou PC não, pode ficar tranquilo. Vou examinar isso agora nos sete episódios finais e, de repente, comento em crítica futura!

Valeu por chamar minha atenção para essa questão!

Abs,
Ritter.

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Junito Hartley 30 de agosto de 2019 - 00:09

Nem percebi isso que voce falou, nos proximos episodios vou prestar atençao kk

Responder
planocritico 30 de agosto de 2019 - 08:24

Vamos todos reparar juntos!

Abs,
Ritter.

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Douglas Gomes 29 de agosto de 2019 - 19:39

eu tive essa impressão no ep. 9 e nesse também, como quando ela está checando o mapa logo nos primeiros minutos. Deve ser safadeza no olhar ksksks

Responder
planocritico 30 de agosto de 2019 - 08:24

Ah, mas esse olhar é dirigido pela câmera, eu garanto!

Abs,
Ritter.

Responder
Edson Moraes 29 de agosto de 2019 - 07:59

Vilões fracos, personagens principais mau aproveitados, história horrível.

Responder
planocritico 29 de agosto de 2019 - 12:01

Bem o resumo mesmo dessa temporada!

Abs,
Ritter.

Responder
Edson Moraes 29 de agosto de 2019 - 07:59

Coincidência ou não, depois que o Travis (padastro da Alicia) morreu tudo desandou, série tá muito chata, assim apenas quando estou sem opção.

Responder
planocritico 29 de agosto de 2019 - 12:01

Eu diria que o verdadeiro ponto de virada foi quando tiraram a Madison.

Abs,
Ritter.

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Denis Fernandes Campelo 29 de agosto de 2019 - 22:53

Eu já acho que o fim foi a morte tosca do Nick, putz grila, o cara morre pra uma guria de 9 anos e depois vira irmãzinha caçula da Alícia 🤦🏽‍♂️.
Já não bastava a morte do Travis que matou 3 nego com as próprias mãos os caras vão lá e matam o personagem mais carismático, que andava no meio dos mortos melhor que a Michonne (TWD).
Do elenco principal só restou a Alícia e o Strend, o Strend é aquele cara 2 polos uma hora é foda na outra é uma bost* e a Alícia saiu de uma versão feminina de Rick Grimes (TWD) pra uma versão melhorada da Beth (TWD).

Responder
planocritico 30 de agosto de 2019 - 08:24

Também pode ser.

Não se esqueça do Daniel. Ele também é do elenco original!

Abs,
Ritter.

Responder
Rômulo Estevan 29 de agosto de 2019 - 01:25

As fitas serão o ponto principal do arco da nova ordem mundial,pois se eles seguirem as HqS os zumbis serão escassos,e comunidades ultra mega populosas irão surgir e a humanidade irá prevalecer novamente,ou seja FUTURAMENTE neste universo todas as fitas da Al serão “Considerados como um patrimônio da humanidade” mostrando que mesmo em um apocalipse com ajuda mútua de todos os não mortos
a humanidade consegue transformar um apocalipse em uma nova era,tenho CERTEZA que será este o significado das fitas,pois exatamente tudo em Fear e TWD está convergindo para isso, e digo mais o povo de TWD e de Fear serão peça principal nesta nova era. Confesso que a forma que isto vem sendo trabalhado em Fear é MUITO desinteressante e ruim, com apenas momentos pontuais onde vemos uma breve e quase extinta narrativa interessante.

Responder
planocritico 29 de agosto de 2019 - 12:01

Estava lendo seu comentário já esperando um elogio à temporada ou ao episódio, mas vi que você concorda comigo. Se tudo realmente levar à Nova Ordem Mundial, ok, mas o caminho até lá tem sido realmente horrível aqui em FTWD.

Abs,
Ritter.

Responder
Rômulo Estevan 29 de agosto de 2019 - 15:24

Realmente,o ultimo episódio tive que pular algumas cenas de tão chatas que estavam,e no final vi que não perdi nada. Esses escritores estão retrocedendo na ótima narrativa que a série vinha apresentando. Como havia dito são poucos os momentos legais nos episódios que no caso não compensa pelos 45 minutos gastos toda vez que vejo um novo episódio.

Responder
planocritico 29 de agosto de 2019 - 17:38

Bem por aí!

Abs,
Ritter.

Responder
Junito Hartley 28 de agosto de 2019 - 23:16

Episódio muito ruim, mds!! Pra que dar importância a essas fitas!? Vai mostrar o futuro a epidemia zumbi extinta e alguém ouvindo ou fazendo reportagem sobre essas fitas?

Responder
planocritico 28 de agosto de 2019 - 23:52

Tem que ser um negócio MEGA para justificar esse foco incansável nas fitas…

Abs,
Ritter.

Responder
Denis Fernandes Campelo 29 de agosto de 2019 - 23:00

Vai chegar no fim e as fitas tão preciosas na verdade são de todas temporadas do Master Chef e acaba assim.
Tanto mistério pra nada.

Responder
planocritico 30 de agosto de 2019 - 08:24

HAHAHAHAHAHAHAHAHAAHHHAHAHA

Sensacional! Agora eu quero que seja isso!!!

Abs,
Ritter.

Responder
S0mBRa 28 de agosto de 2019 - 22:06

Qnd Logan em uma cena ficou fazendo “tic tic tic” eu senti uma vergonha alheia, pqp. Ficou todo mundo tipo: Q porra é essa? ‘-‘ KKKKKKKKK

Até o próximo ep, nada mais a comentar.

Responder
planocritico 28 de agosto de 2019 - 22:29

Foi ridículo mesmo… Estou quase preferindo a velha louca da temporada anterior…

Abs,
Ritter.

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