Home TVEpisódio Crítica | Fear the Walking Dead – 6X01: The End Is the Beginning

Crítica | Fear the Walking Dead – 6X01: The End Is the Beginning

por Ritter Fan
3660 views (a partir de agosto de 2020)

  • Há spoilers. Leia, aqui, as críticas de todos os episódios da série e, aqui, de todo nosso material do universo The Walking Dead.

Fear the Walking Dead sempre foi melhor ao trabalhar episódios solo ou em duplas e The End Is the Beginning, apesar de focar em Morgan, um dos problemas mais salientes da mediana (sendo bonzinho) temporada anterior, não é exceção. O retorno da primeira série derivada de The Walking Dead para sua inacreditável 6ª temporada e 70º episódio (impressionante como o tempo passa!) dá aquela esperança de que vem coisa boa por aí ao espectador que vem acompanhando tudo desde o começo e que passou pelas radicais reformulações da série que, de derivado prelúdio passou para derivado continuação e, hoje, é mais ou menos temporalmente paralela à série principal (eu acho), com a eliminação do elenco principal quase inteiro, transferência de Morgan de uma série para a outra e assim por diante, sem nunca realmente conseguir entregar consistência.

Seja como for, The End is the Beginning promete mais um recomeço. Se vai dar certo, só o tempo dirá, mas pelo menos o episódio inaugural faz um bom esforço para repaginar Morgan, potencialmente extirpando aquela filosofia insuportável do “não matarás” ou “serás bonzinho como um carneirinho” que simplesmente não estava funcionando e transformando-o em algo diferente que ele mesmo ameaçadoramente diz para Virginia ao final pelo rádio – “Morgan Jones está morto. Você está lidando com outra pessoa agora.” – com a câmera depois focando no personagem agora à cavalo, vestido como bandoleiro e armado com um baita machado no lugar daquela vareta ridícula que ele usava. Só faltou tocar “Bad to the Bone“, de George Thorogood, para completar o clichê. É esse tipo de coisa boba que me dá a esperança de que no mínimo veremos Morgan massacrando o grupo de Virginia para salvar seus amigos e não tentando apenas “dialogar” com assassinos. Qualquer coisa menos do que isso será vergonhoso, já digo logo.

O episódio em si, então, é dedicado à ressurreição de Morgan, baleado por Virginia e deixado à beira da morte, além de cercado de desmortos, em End of the Line. Uma situação impossível cuja explicação é convenientemente pulada para que ela faça parte de um dos mistérios da temporada, já que vemos Morgan semanas depois do cliffhanger de barba comprida, mas ainda muito ferido, com pele putrefata no ferimento que o permite ser invisível aos mortos-vivos (pelo menos uma vantagem!). Ele foi salvo por algum bom samaritano que não só deixou uma mensagem para ele, como deu-lhe  um lar em uma torre d’água que serve de esconderijo já que o ex-filósofo de botequim sabe que está sendo caçado por Virginia.

E, de fato, caçado ele está sendo, só que pelo imponente caçador de recompensas Emile LaRoux (Demetrius Grosse), contratado por “Ginny”, que porta o tal machado que Morgan se apossaria no final e usa um sabujo para achar suas vítimas. Sua introdução, logo no começo do episódio, faz a mímica da forma como John Dorie e Morgan foram inseridos na série em What’s Your Story?, no início da 4ª temporada. A ideia é boa, auto-referente e com o necessário twist que revela quem exatamente é aquele simpático estranho preparando feijões enlatados com tabasco que ele entrega para sua futura vítima como uma última refeição. A partir daí, acompanhamos Emile, no melhor estilo Jason Voorhees, “andando” atrás de Morgan que, por seu turno, esbarra em Isaac (Michael Abbot Jr.), ex-Ranger de Virginia que quer a ajuda do moribundo personagem para chegar até sua mulher prestes a dar à luz.

Há um caminhão de conveniências a serem aceitas só nessa premissa, claro, mas se eu ficar de picuinha com cada detalhe que desvia dos conformes ideais de minha mente, não sairei do lugar, além de nenhuma obra audiovisual realmente resistir a esse tipo de escrutínio. Portanto, a premissa é simples e boa: Morgan está sendo caçado por um sujeito visualmente muito bacana e é ajudado por um homem desesperado que precisa, por seu turno, de sua ajuda. Faz parte da estrutura de histórias como essa o moribundo que mal consegue andar, mas que encontra forças para dizimar hordas de desmortos e o próprio caçador de recompensas, além de tudo acontecer na base do “desmaia e acorda em outro lugar” que chega a ser inadvertidamente engraçado.

A vantagem é que quem comanda a direção é o veteraníssimo Michael E. Satrazemis, operador de câmera transformado em diretor de fotografia, por sua vez transformado em diretor (além de co-produtor executivo da série) que realmente sabe o que faz. Não só as tomadas noturnas são exemplares, como na abertura e, depois, já no esconderijo de Isaac (aliás, pera lá, essa é a mesma represa da 3ª temporada ou é outra – porque caramba, haja coincidência, hein?), como ele sabe trabalhar o destaque em Lennie James que, justiça seja feita, está muito bem em seu papel debilitado, mas ao mesmo tempo resoluto, que engole o orgulho e, ao que tudo indica, embarca de verdade em uma direção diametralmente oposta à sua filosofia anterior (que, acho que já disse, mas vale repetir, era idiota até não poder mais).

O meu problema com Fear the Walking Dead, porém, é não conseguir mais confiar na série. Sim, The End Is the Beginning é um ótimo começo de temporada, mas eu simplesmente não tenho mais como acreditar no comando de Andrew Chambliss e Ian Goldberg, se é que um dia realmente acreditei. Os mistérios plantados aqui – o bom samaritano, o submarino, a chave e os dois sujeitos pichando o título do episódio – lembram-me da velha serial killer da 4ª temporada, da represa esquecida depois do final da 3ª ou das sub-tramas que correm atrás do rabo como a da pequena Charlie e eu começo a ficar com tremeliques. Tomara que os showrunners tenham aprendido com seus erros e provem que sabem cumprir promessas.

P.s.: Sei que é um desejo impossível a essa altura do campeonato, mas sim, ainda quero a volta de Madison!

Fear the Walking Dead – 6X01: The End Is the Beginning (EUA, 11 de outubro de 2020)
Showrunner: Andrew Chambliss, Ian Goldberg
Direção: Michael E. Satrazemis
Roteiro: Andrew Chambliss, Ian Goldberg
Elenco: Lennie James, Alycia Debnam-Carey, Maggie Grace, Colman Domingo, Danay García, Garret Dillahunt, Austin Amelio, Alexa Nisenson, Rubén Blades, Karen David, Jenna Elfman, Colby Minifie, Demetrius Grosse, Michael Abbott Jr.
Duração: 52 min.

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32 comentários

Claudio Pedroso Junior 19 de março de 2021 - 14:21

Netflix e Amazon deveriam ter uma categoria de filmes e séries com o nome de “Encher Catálogo”, dai coloca esses filmes e séries chatas, arrastadas e sentimentalistas como Fear, Flash e sua turma, Grey’s Anatomy, Teen Wolf, Shadow Hunters, Under the Dome, Under the Dome com Névoa, Apocalipse V, Travelers, Agentes da Shield, Arranha-Céu, Bright, Swat, Filmes do Nicholas Cage, Jumanji novo…
E o Stephen King parar de liberar pra fazerem cagadas com as histórias dele.

Não mencionei Globo Play porque já não se salva muita coisa mesmo.

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planocritico 21 de março de 2021 - 01:40

Agents of Shield é sensacional, só digo isso.

Abs,
Ritter.

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Luffy 3 de novembro de 2020 - 10:08

Achei fantástico e não vejo muita gente comentando… Morgan voltou para a represa que explodiu no final da 3° temporada haha depois de abandonarem esse plot, resolveram voltar com ele. Quem sabe a pessoa que cuidou de seus ferimentos não seja o índio Qatelaqa rs
Também quero muito que a Madison volte, quem sabe ela não foi sequestrada pelo CRM e a Alicia vai encontrá-la lá num futuro crossover de todas as séries e filmes de TWD (seria fantástico ver Madison presa junto com o Rick e eles liderarem um plano de fuga e rebelião).

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planocritico 3 de novembro de 2020 - 10:13

Eu comentei na própria crítica. Só não tenho certeza absoluta que é a mesma represa.

Abs,
Ritter.

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Oliver '87 27 de outubro de 2020 - 14:37

Estamos de volta Ritter, rs. Eu tambem ja nao espero muito de Fear, mas a julgar por esse inicio quem sabe a gente nao se surpreende? Kkkkk Mas cara, a Madisson de volta poe essa serie nos trilhos e chuta a bunda do “outra pessoa” Jones kkkkkkkkk

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planocritico 28 de outubro de 2020 - 10:15

Basta a Madison voltar para eu perdoar os problemas terríveis dessa série!

Abs,
Ritter.

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Harley Alvez 23 de outubro de 2020 - 13:13

Review devidamente afiado como o “machado da redenção” do Morgan, Ritter! (Sorry o trocadilho ahaha)

Olhe meu caro cowboy, acho que assumir o machado e largar o cabo de vassoura foi um simbolismo que crava a bandeira do “Move On” para ele. Acredito também que tenham se redimido tanto conosco, quanto para o personagem que é o “segundo primeiro protagonista” da franquia, considerando que sem ele, Rick não estaria vivo no início de tudo… Que me dizes?

Já que Morgan assumiu o manto do Bat.. (não, pera…) do perseguidor implacável, acho que o papel do Jason cowboy tenha sido uma espécie de reflexo visceral do que ele deveria resgatar em si, ao menos na postura diante da sobrevivência, como já o fez outrora, e que já vimos até mesmo Rick precisando transgredir em si próprio para evoluir, não Ritter?

No mais, fiquei positivamente surpreso por que depois de ter ficado em dia com TWD (você parou Ritter Grimes??) eu já esperava algo previsivelmente decepcionante, e foi o oposto – me animou! E “comcertezamente” a direção foi ótima por que nesse universo eu preparava o sonífero e não parava de checar quanto tempo ainda faltava, mas dessa vez passou rápido (Senti falta dessa sensação :D)!

PS: É mesmo, a Madison… e quanto ao Travis, sente saudades? Hu³

PS 2: Tive medo do Jason Cowboy durar a temporada inteira por que né… nesse universo a saturação é um vício! ahah

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planocritico 23 de outubro de 2020 - 19:33

Parei TWD sim. Cansei. Série interminável…

Sobre Morgan, essa evolução é bacana. Só acho que ela veio muito tarde. Terão que correr atrás para compensar os marasmos anteriores em que ele ficava só na base do cabo da vassoura mesmo…

Abs,
Ritter.

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Claudemir Seisdedos 19 de outubro de 2020 - 09:38

Por mim esse Morgan já tá fazendo hora extra na série… cara chato; indeciso; mais atrapalha do que ajuda. #morraMorgan

Responder
planocritico 19 de outubro de 2020 - 09:43

Mas agora ele parece ter mudado. Ele era um bom personagem antes de ficar chato e pode voltar a ser bom.

Abs,
Ritter.

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Will Robinson 18 de outubro de 2020 - 15:04

Fiquei animado, mas sou desconfiado demais com essa série. É uma montanha russa constante de bons e péssimos episódios. Mas vou acompanhar mais uma vez sem expectativa alguma. Chega de decepções. E sim, também lamento a morte da Madison até hoje.

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planocritico 18 de outubro de 2020 - 15:08

Compartilho da desconfiança! Sigo muito cauteloso!

Abs,
Ritter.

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Destruidora de mundos 17 de outubro de 2020 - 00:03

Desde a enfadonha 5 temporada eu sempre tive esperanças de que toda essa trama de ajudar e bla bla bla, resultaria em uma sexta temporada excelente, como foi esse 1 episódio e que por favor se mantenha. Sobre a Madison eu sempre digo “ se não tem corpo, não tem morte” e não vimos nada que indica que Madison morreu, pois em sua última cena ela estava encurralada em um portão e depois corta a cena, ela poderia muito bem ter subido no portão.

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planocritico 17 de outubro de 2020 - 12:56

Para compensar o que tivemos que passar, essa sexta temporada terá que ter uma qualidade absurda!!!

Mas se a Madison estiver viva, eu perdoo tudo!

Abs,
Ritter.

Responder
King 15 de outubro de 2020 - 20:20

Esse sim é o Morgan que queríamos, espero que a qualidade tende a ser ainda melhor nos próximos episódios, pq Fear precisa se decidir se quer realmente ser uma série boa.

Responder
planocritico 17 de outubro de 2020 - 00:03

Pois é. A série nunca conseguiu se firmar de verdade…

Abs,
Ritter.

Responder
S0mBRa 15 de outubro de 2020 - 14:04

Foi um ótimo episódio. Sobre a dúvida de ser a mesma represa ou não a que foi apresentada nesse episódio, fiquei na mesma… Enfim, como você citou basicamente 99% dos episódios de núcleo se sobressaem muito bem mesmo. Caramba 6º temporada? Passou muito rápido mesmo, uau… espero que tenha um “fim” digno pros poucos personagens que restaram desde o começo, tenho um carinho muito especial por eles. Também mantenho esperança com um possível retorno da fucking Madison Clark (pra mim a melhor líder do universo, só não teve chance de mostrar mais do potencial T_T).
Animado para esse último ano, que promete e espero que cumpra as expectativas, apesar de já ter tido 1 temporada e meia mal proveitosas, mantenho minhas esperanças que essa vá superar a 3º e melhor temporada que já nos foi entregue nessa série.

PS: Sdds das suas críticas de Fear, aguardei ansiosamente. 😀

Responder
planocritico 15 de outubro de 2020 - 15:33

É, meu caro, seis anos de Fear! Jamais imaginei que essa série fosse aguentar tanto tempo…

Foi um baita começo, mas eu estou com os dois pés – e as duas mãos – atrás… Não consigo confiar na série…

E obrigado pelo prestígio!

Abs,
Ritter.

Responder
Junito Hartley 15 de outubro de 2020 - 14:04

De fato foi um começo promissor em todo sentido, aquele Morgan paz e amor era insuportável, as melhores versões dele até hj é ele lokao no ódio matando os inimigos, só em ele voltar a esse instinto assassino já me deixa confiante pra temporada, até porque não tem como ser pior que a última ( eu acho). Só de lembrar a Alicia pintando árvore pqp kkkkkk

Responder
planocritico 15 de outubro de 2020 - 15:33

Eu não falo nada… Vai que tem um episódio inteiro dela dando aula sobre pintura arbórea???

Abs,
Ritter.

Responder
Junito Hartley 15 de outubro de 2020 - 20:20

Kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

Responder
Clayton Lucena 15 de outubro de 2020 - 14:04

Fala Ritter. Tbm não estou acreditando que chegamos a sexta temporada, passou rápido demais! Porém o lema ainda é o mesmo, estamos nesse barco esperando que os produtores aprendam com os erros, que já vem lá da segunda temporada, será que agora vai? Espero que sim, mas estou com você, mais cético que tudo!
Gostei do que vi nesse episódio e ver a personalidade paz e amor do Morgan morrer já valeu a pena! Agora e torcer para trabalharem bem o Morgan que ficou, atrelado com o restante dos mistérios que jogaram.
Quem será que salvou ele???? Madison??? Não vai ser! Mas eu iria engolir facilmente se fosse.

Responder
planocritico 15 de outubro de 2020 - 15:33

MUITO cético. O que mais desgostei do episódio foram os “mistérios”. Aquele submarino no final me passa a impressão de uma mega bobagem…

E sim, eu ACEITO se tiver sido a Madison que salvou o Morgan!

Abs,
Ritter.

Responder
Clayton Lucena 15 de outubro de 2020 - 20:20

Sim, isso me cheira a uma tremenda bobagem, mas, se estamos aqui nos resta torcer pra ser pelo menos bem trabalhado.
A chave abre o submarino e ela estará lá só esperando a galera para voltar com o plot de ilha da semana hahahahaha
#MadisonVIve

Responder
planocritico 17 de outubro de 2020 - 00:03

Tá valendo!!!

#MadisonVive

Abs,
Ritter.

Responder
Elox 15 de outubro de 2020 - 14:04

Nossa, tb espero que tirem qualquer coelho da cartola pra ressurgir a Madison.Excelente personagem que ainda tinha muito a acrescentar. A gente aguenta uma forçação de barra para isso kkkkkkkkkk manda um Deus ex machina aí, direção!

Responder
planocritico 15 de outubro de 2020 - 15:33

Aguentamos mesmo! Podem dizer que ela ficou em coma em um bunker subterrâneo tratada por duendes mágicos que eu aceito!

Abs,
Ritter.

Responder
Sussurrador 15 de outubro de 2020 - 14:04

Imagina a temporada toda ser nesse nível…mas ainda tenho medo só resta torcer!

Responder
planocritico 15 de outubro de 2020 - 15:33

Como alguém que só se desapontou com FTWD, duvido muito! Mas não dizem que a esperança é a última que morre?

Abs,
Ritter.

Responder
Léon 17 de outubro de 2020 - 00:03

“Mas a esperança sempre cai vitimada pela razão.” (Esperança – Fábulas).

Desculpa, Ritter. Nada contra você ou contra a série. Não a acompanho (sim, mas venho comentar aqui kkkkkkkkkkkkk). Todavia, estou lendo novamente Fábulas nesta quarente e quando li seu comentário, senti-me compelido a transcrever as palavras da própria Esperança sobre isto. Parafraseando a Esperança: afinal, a razão é a única falha fatal dela.

P.S: Por favor, não me exile deste site!!!!

Responder
planocritico 17 de outubro de 2020 - 12:56

Ninguém que lê e relê Fábulas, aquela maravilha, merece exílio!

Abs,
Ritter.

Responder
Léon 17 de outubro de 2020 - 12:59

É uma maravilha mesmo. Mostrou como é possível dar uma roupagem adulta nos contos clássicos sem tirar a essência de cada um (embora, os contos de fada originais, repassados pela tradição oral, geralmente não eram tão infantis assim…) como também é possível criar uma grande história com universos compartilhados respeitando cada história e fazendo um trabalho acima da média.

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