Home TVEpisódio Crítica | Fear the Walking Dead – 6X10: Handle with Care

Crítica | Fear the Walking Dead – 6X10: Handle with Care

por Ritter Fan
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  • Há spoilers. Leia, aqui, as críticas de todos os episódios da série e, aqui, de todo nosso material do universo The Walking Dead.

Ah, mas que coisa bonitinha. John Dorie era pistoleiro e morreu baleado. Agora, Daniel, que fingiu ter perdido a memória, começa a ter problemas reais de perda de memória. É isso mesmo, produção? Os próximos passos serão matar Morgan por espancamento com um pedaço de pau, June de overdose de medicamento, Strand sendo enganado por um salafrário maior que ele, Dwight queimado e Alicia e Luciana por tédio profundo? Já percebemos a ironia, Srs. Andrew Chambliss e Ian Goldberg, mas não precisa esfregá-la em nossa cara desse jeito…

Afinal, não teria absolutamente nada contra o que aconteceu a Daniel – confusão mental causada por stress ou algum outro problema psicológico como afirmou categoricamente a Enfermei… digo, Doutora PhD em psiquiatria June – não fosse aquele fingimento anterior que não só foi sem sentido, como também não teve função narrativa clara em momento algum. A não ser que ele esteja fingindo de novo, claro, pois aí a coisa será tão ridícula, mas tão ridícula, que será engraçada e valerá a pena ver as caras de tacho de seus amigos. Mas creio que não. Essa foi só uma maneira, ao que tudo indica, de sacramentar Daniel como um personagem de banco de reserva. Ou reserva do reserva, em mais uma clara demonstração que os showrunners não sabem muito bem o que fazer com os personagens da série.

Mas, novamente, seria bacana se Daniel já não viesse de uma “falha de memória”, só que proposital. Ficou realmente parecendo roteiro preguiçoso que acha que está sendo esperto. E não. Não adianta criar um episódio narrador por Daniel preso – como um narrador não confiável – conversando com alguém misterioso se esse alguém misterioso é June e não alguém cuja revelação justificaria a manutenção da identidade escondida pelo tempo que foi. O artifício do traidor no meio da reunião das Nações Unidas ali na represa mais furada do mundo de Morgan até diverte, mas divertiria mais se o retorno à narração de Daniel não fosse tão canhestra e tão obviamente indicando que ele era o culpado por tudo.

E vejam, apesar de estar fazendo uso generoso de sarcasmo e ironia no que escrevi até agora, não detestei o episódio. Há coisa boa nele, começando pelo destaque dado a Rubén Blades cuja atuação deixa evidente o quanto estamos perdendo com a manutenção do personagem nos bastidores da série. É um verdadeiro desperdício deixar o ator sumido por tanto tempo, dedicar um episódio a ele que ele tira de letra, somente para, ao que tudo indica, fazê-lo desaparecer novamente. E a estrutura não-linear também diverte, com a montagem e a decupagem de Heather Cappiello funcionando com bastante eficiência, mesmo que o roteiro tenha que marretar algumas coisas aqui e ali para tudo dar certo, especialmente o quão frágil de repente a fortaleza de Morgan tornou-se e a abordagem do lapso temporal de algumas semanas em que, aparentemente, o inimigo misterioso passou a ser a coisa mais importante do mundo. Outro ponto que merece destaque é o conflito entre Daniel e Victor, com direito a passado remexido que esquenta o conflito entre os dois da mesma forma que nos relembra o quanto já aconteceu nos anos anteriores.

A resolução do “mistério” poderia ter sido mais bem trabalhada, talvez amplificando os ares de Agatha Christie à história e não correndo para chegar ao final e à revelação, com diversas descobertas acontecendo off screen, quebrando o suspense e talvez cedo demais apontando para Daniel. É como se os roteiristas tivessem, de repente, assim como o protagonista do episódio, esquecido que começaram o capítulo como um whodunit e partido logo para os momentos finais, sem que o miolo ganhasse desenvolvimento maior do que acontecimentos apressados que vão ocorrendo em uma sucessão para lá de conveniente.

A temporada me parece à deriva, sem realmente ter um norte. A cada solidificação maior de ameaças ou de personagens, há uma mudança repentina que tira a impressão de uma história só e faz a narrativa descambar para uma incômodo estrutura de “caso da semana” ou, talvez melhor dizendo, “personagem da semana”. Sem uma ameaça palpável ou sem que os próprios e infindáveis personagens da série sejam desenvolvidos nesse sentido – como disse na crítica passada, seria muito interessante, por exemplo, se Strand fosse posicionado como vilão, mas não me parece que será o caso -, Fear the Walking Dead caminha como os desmortos que povoam esse universo, ou seja, sem rumo, apenas ocasionalmente encontrando carne saborosa para digerir, mas logo perdendo interesse.

Fear the Walking Dead – 6X10: Handle with Care (EUA, 25 de abril de 2021)
Showrunner: Andrew Chambliss, Ian Goldberg
Direção: Heather Cappiello
Roteiro: Ashley Cardiff, David Johnson
Elenco: Lennie James, Alycia Debnam-Carey, Maggie Grace, Colman Domingo, Danay García, Garret Dillahunt, Austin Amelio, Alexa Nisenson, Rubén Blades, Karen David, Jenna Elfman, Demetrius Grosse, Michael Abbott Jr., Zoe Margaret Colletti, Devyn A. Tyler, Christine Evangelista, Peter Jacobson, Cory Hart, Raphael Sbarge
Duração: 44 min.

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18 comentários

Vinicius Gandolfi 29 de abril de 2021 - 12:32

Confesso que a revelação de ser o Daniel até me pegou de surpresa, acho que porque estava esperando que fosse um plano do próprio Morgan para os três grupos passarem a confiar mais uns nos outros. Porém, é inevitável não comparar esse episódio com o recente “Splinter” da série-mãe. E pelo menos pra mim, a abordagem lá foi bem melhor.

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planocritico 29 de abril de 2021 - 14:23

Não acompanho mais TWD para fazer a comparação.

Abs,
Ritter.

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Vinicius Gandolfi 29 de abril de 2021 - 08:32

Confesso que a revelação de ser o Daniel até me pegou de surpresa, acho que porque estava esperando que fosse um plano do próprio Morgan para os três grupos passarem a confiar mais uns nos outros. Porém, é inevitável não comparar esse episódio com o recente “Splinter” da série-mãe. E pelo menos pra mim, a abordagem lá foi bem melhor.

Responder
Sussurrador 29 de abril de 2021 - 00:06

Será que a morte do Sanjay ainda terá alguma repercussão pro Strand ou ela será esquecida?

Responder
planocritico 29 de abril de 2021 - 01:32

Se eu tivesse que apostar, não será nem lembrada…

Abs,
Ritter.

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Comediante 28 de abril de 2021 - 16:16

Fiquei contente por finalmente focarem no Daniel, pois agora era o único personagem que eu respeitava (June é a última esperança depois do episódio anterior, mas tem que ver se ela vai continuar daquele jeito… aqui é melhor esperar o pior), mas.. mesmo com Rubén Blades interpretando muito bem, como sempre foi, o episódio foi simplesmente para colocar ele na geladeira e o pior de tudo é que tá longe de ser a primeira vez que fazem isso com ele, porém dessa vez foi a mais ridícula. Como que Strand disse que foi muito esperto da parte dele ter simulado a amnésia ???? Não serviu pra absolutamente nada, quer dizer, apenas para enganar o telespectador que esperava que aquilo seria útil e agora ele realmente está com problemas de memória.. Por que ele foi pra vila do Strand? Victor ficou com pena da história do ex-torturador e quer se redimir ? Espero que não, pois o caminho de redenção já deu, ainda mais pra ele. O jeito é esperar que o próximo episódio volte com os pichadores do apocalipse, pois ficar focando em personagem X nos próximos episódios até que no último chegue um novo inimigo no final.. É quase um pesadelo. Ou pior ainda, que tenha um episódio focado nas crianças sumidas ou na Dakota (ainda que essa última seja quase inevitável.. ).

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planocritico 28 de abril de 2021 - 22:38

Pois é. Achei hilário eles mencionando o “truque” do Daniel como se fosse a salvação da lavoura, sendo que, pelo menos no que se refere a nós espectadores, aquilo não serviu de absolutamente nada…

Cara, a essa altura do campeonato, os tais pichadores do apocalipse (adorei o nome!) vão ter que ser MUITO bons para melhorar essa temporada de maneira efetiva… Veremos!

Abs,
Ritter.

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Junito Hartley 28 de abril de 2021 - 14:24

Eu achei um bom episodio, so nao gostei muito do fato de ser o Daniel o cara que estava sabotando as coisas, o personagem pra mim nao merecia, como vc falou, provavelmente vao escantear ele e focar no xarope do Morgan.

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planocritico 28 de abril de 2021 - 14:25

Também achei bom, mas só. É pouco!

Abs,
Ritter.

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Junito Hartley 28 de abril de 2021 - 17:31

POw man, mas ce ta muito exigente, seu “só” faz parecer que o bom é ruim kkkkkk

Responder
planocritico 28 de abril de 2021 - 21:47

Esse episódio foi “bom” com viés de queda… Não fosse a atuação do Rubén Blades leva um dois na avaliação…

Abs,
Ritter.

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Guilherme 28 de abril de 2021 - 11:59

Não achei ruim não, curti bastante, daria uma nota parecida com a sua, talvez um pouco maior.

´´Agora, Daniel, que fingiu ter perdido a memória, começa a ter problemas reais de perda de memória. É isso mesmo, produção?´´ Concordo perfeitamente com o que disse, só falta a Dakota morrer na ponte pra por a cereja no bolo.

Acho que nos próximos episódios vai ser bacana, vi as promos e vai ter alguns personagens novos pelo visto, acho que vai ser interessante, não vou te dar mais detalhes pq não sei se vc acompanha material divulgado e não quero estragar sua experiência, se já não estraguei falando isso kkkkkkkkkkkk

Abs!

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planocritico 28 de abril de 2021 - 22:36

Ruim não foi, mas foi ok com viés de baixa para mim…

Abs,
Ritter.

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S0mBRa 28 de abril de 2021 - 00:49

Daniel literalmente na “intro destaque do episódio” e fizeram um suspense enorme pra sabermos que foi ele? kkkkkkk, ok. Sabia que ia ocorrer um episódio de “maça podre” no grupo, falei no ep anterior. Ao menos não forçaram algum personagem óbvio pra narrativa que vinha tendo, mas essa intro ai foi mt troll.

Enfim, poxa queria tanto um ep do Daniel finalmente, mas foi bem isso mesmo que você citou “aquele fingimento anterior que não só foi sem sentido, como também não teve função narrativa clara em momento algum.” Duvido que voltem pra esse plot, descartado 100%. Foi só pro Morgan comer tempo de tela do grupo protagonista antigo mesmo, o que venha a acontecer até fim da season sem dúvidas. (Felizmente já vi que o próximo vai ser da Alicia again, espero que agora acertem estou muito ansioso pra esse em específico AAA).

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planocritico 28 de abril de 2021 - 01:15

A trama em si do episódio seria bacana se não fosse a materialização do que ele fez lá atrás por razões aleatórias… Cansativo, viu?

Abs,
Ritter.

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Jonathan Barbosa Rocha 27 de abril de 2021 - 20:36

Eu acho que esse episódio serviu pra mostrar que os diretores não sabem nem um pouco como desenvolver um personagem. Vamos recapitular: Personagens clássicos (Daniel, Alicia, Luciana) tornaram-se completos figurantes, metade dos personagens introduzidos nem sequer dão as caras e os que recebem tempo de tela parecem estar no mesmo ponto sem qualquer sinal de evolução. E pior que o elenco é bom, aprecio muito as atuações da grande parte, mas simplesmente não dá. O relacionamento do Morgan e Grace é cafona e não convence, embora eu tenha achado eles com quimica no 5X10. A amizade do Dwight e da Al é quase nula e foi coisa de um episódio, o relacionamento da Alicia (que se não tivessem mencionado que ela não estava na comunidade nem tinha percebido, afinal ela só serve pra ficar no fundo das cenas) com o Wes também não foi pra frente.

Num geral, talvez eu curta Fear TWD mais que a série mãe. E por isso mesmo me entristece ver que mesmo nessa temporada razoável, particularmente uma surpresa boa em relação a péssima quinta temporada, eles ainda não sabem como desenvolver os personagens da trama. As histórias da sexta temporada tem potencial pra ser boas, mas quase sempre sinto que falta algo.

Enfim, talvez seja apenas meu descontentamento com o fato de estragarem meu personagem favorito (Daniel) e matarem os que davam frutos. Que atuação do Rubén Blades, por sinal. Ele não merece o destino que o personagem dele tomou assim como a maioria.

Num cenário geral é uma temporada ok, mas pra mim o que faria a série alavancar é utilizar essa nova ameaça pra matar uns personagens que estão soltos ali, ao mesmo tempo que traria uma enorme carga emocional. Aliás, o que acha da AMC ter marcado gravações pra sétima temporada perto do estádio da 4° temp? Será que podemos sonhar com a volta da Madison?

Responder
planocritico 27 de abril de 2021 - 21:11

Bem por aí. Nessa FTWD 2.0, os personagens antigos que sobreviveram se tornaram mesmo meros figurantes e os novos showrunners trouxeram outros da série mãe e introduziram uma penca a mais somente para não saber o que fazer direito com quase ninguém. Eu realmente não consigo enxergar um “plano maior” geral para a série…

Sobre as gravações da 7ª temporada, não estava sabendo disso. Se a Madison voltar depois de tanto tempo, tem que ter uma história muito bacana por trás e não mero fan service.

Abs,
Ritter.

Responder
Jonathan Barbosa Rocha 27 de abril de 2021 - 16:36

Eu acho que esse episódio serviu pra mostrar que os diretores não sabem nem um pouco como desenvolver um personagem. Vamos recapitular: Personagens clássicos (Daniel, Alicia, Luciana) tornaram-se completos figurantes, metade dos personagens introduzidos nem sequer dão as caras e os que recebem tempo de tela parecem estar no mesmo ponto sem qualquer sinal de evolução. E pior que o elenco é bom, aprecio muito as atuações da grande parte, mas simplesmente não dá. O relacionamento do Morgan e Grace é cafona e não convence, embora eu tenha achado eles com quimica no 5X10. A amizade do Dwight e da Al é quase nula e foi coisa de um episódio, o relacionamento da Alicia (que se não tivessem mencionado que ela não estava na comunidade nem tinha percebido, afinal ela só serve pra ficar no fundo das cenas) com o Wes também não foi pra frente.

Num geral, talvez eu curta Fear TWD mais que a série mãe. E por isso mesmo me entristece ver que mesmo nessa temporada razoável, particularmente uma surpresa boa em relação a péssima quinta temporada, eles ainda não sabem como desenvolver os personagens da trama. As histórias da sexta temporada tem potencial pra ser boas, mas quase sempre sinto que falta algo.

Enfim, talvez seja apenas meu descontentamento com o fato de estragarem meu personagem favorito (Daniel) e matarem os que davam frutos. Que atuação do Rubén Blades, por sinal. Ele não merece o destino que o personagem dele tomou assim como a maioria.

Num cenário geral é uma temporada ok, mas pra mim o que faria a série alavancar é utilizar essa nova ameaça pra matar uns personagens que estão soltos ali, ao mesmo tempo que traria uma enorme carga emocional. Aliás, o que acha da AMC ter marcado gravações pra sétima temporada perto do estádio da 4° temp? Será que podemos sonhar com a volta da Madison?

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