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Crítica | Following (1998)

por Iann Jeliel
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Following

Dizem que todo diretor autoral já evidencia seu estilo característico desde o primeiro longa. E no caso, de Following, do Christopher Nolan essa afirmativa não poderia se encontrar mais verdadeira. Seu cinema é muito caracterizado por três chamativos. O primeiro está na forma que trabalha diretamente a montagem como recurso de ilusionismo para complexar uma trama em descobertas que não necessariamente precisam ser descobertas. O segundo está no conteúdo, que se comunica com o público frontalmente de maneira fácil, o que possibilitou o apelo até populista do diretor com as massas, mas em cerne, a ideia é trazer um gatilho senso comum da história que convide o telespectador a fazer parte do seu jogo ilusionista. E o terceiro e não menos importante, a exposição, que vai segurar o público chamado pelo gatilho moral e não o fazer desistir da sua complexação da história.

Em suma, essa tríade está completamente presente em Following, que possui um dos gatilhos de história mais interessantes da filmografia do diretor. Tematicamente é um filme de bases tão ricas que mesmo 20 anos depois, se torna relevante. Porque é um noir moderno, um investigador particular de vidas alheias que se envolve nesse esquema mais aproximadamente através de uma figura feminina misteriosa, a femme fatale que possui segredos que irão o afetar diretamente. O mais interessante da história não é só a premissa voyerista ala hitckcockiana de Janela Indiscreta, onde o publico se ver interessado no cotidiano de vizinhos aleatórios, mas sim está no fato dessas reges voyeristas se adaptarem perfeitamente ao contexto de urbanização moderno.

É uma premissa de muito potencial conteudista, que se fosse explorado, talvez tornaria esse filme mais lembrado por estarmos vivendo as consequências desse vouyerismo moderno hoje, nas redes sociais. Ou você acha que seguir uma pessoa no Facebook seria diferente de segui-la em seu cotidiano? Pode até ser, mas a abertura moral da história começa a partir de questionamentos parecidos, o que se torna bem identificável a qualquer público e a qualquer época, é assim o diretor nos captura facilmente dessa forma. O problema é o que ele faz depois. Talvez numa primeira assistida, não conhecendo seu estilo, a ideia da montagem de traçar linhas temporais desordenadas dos pontos da narrativa seja estimulante para a compreensão da bola de neve que virou a vida do protagonista quando ele quis dar um passo além do voyerismo e partir para a invasão completa de privacidade seja mais impactante.

Contudo, na prática, especialmente se você já viu outros filmes do cineasta, se torna um recurso vago e gratuito para a essa história em específico, parecendo não fazer parte dela especialmente quando seu estabelecimento até então, possuía uma não linearidade organizada de eventos. Nolan bagunça propositadamente para mostrar o quanto ele é bom para o público em organizá-la de novo, só que desta vez fazendo de um jeito que torne a história simples em algo super complexo ou “genial”, consolidando isso com sua marca registrada de plot twists que dão o aparente motivo a escolha da bagunça temporal por ser um jeito mais legal de contar a história. Mas não é só por isso. Nolan como qualquer outro autor possui um ponto de vista sobre a moralidade que sobrepõe como gatilho de premissa, e ele vai fazer todo esse malabarismo com a montagem também, só para conseguir provar seu ponto.

E qual o problema disso? Bem, aí entra a parte da exposição que já nos oferece essa resposta moral do cineasta muito antes, deixando todo esse malabarismo com a impressão de exercício de subestimo ao espectador pelo caráter cronologicamente desafiador, logo, o tornando ainda mais gratuito. Acaba que o potencial temático inicialmente posto, não é explorado devidamente por esses desvios propostos forma, sendo que a intenção da montagem deveria potencializar essas bases temáticas a reflexões mais profundas, ou assumir o filme em um exercício de gênero mais explicito, algo que nunca acontece. E olha que Following nem é tão acessível quanto outros filmes do cineasta mais a frente, no entanto, possui essas mesmas fragilidades do diretor vinda dessas obsessões tecnicistas e racionais que acabam limitando ao invés de ajudando, a própria criação.

Following (Seguinte | Reino Unido, 1998)
Direção:
 Christopher Nolan
Roteiro: Christopher Nolan
Elenco: Jeremy Theobald, Alex Haw, Lucy Russell, John Nolan, Dick Bradsell
Duração: 69 min.

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