Crítica | Fourth Doctor Adventures – 6X03: The Silent Scream

Doctor-Who-The-Silent-Scream-PLANO CRITICO BIG FINISH

Equipe: 4º Doutor, Romana II, K9 II
Espaço: Hollywood
Tempo: 1929 ou 1930

James Goss tem uma quedinha por aventuras no passado ou por paradoxos temporais. Se olharmos ocasiões bem diferentes como Quando Cair o Verão (2013) ou The Winter Series (2016) encontraremos premissas em que o autor explorou personagens e épocas distintas no Universo de Doctor Who, sempre com esse olhar mais aguçado para as estranhas ligações entre o presente e o passado, coisa que seu roteiro para este terceiro episódio das Aventuras do 4º Doutor (6ª Temporada) traz de sobra.

A trama se passa nas locações de uma famosa produção de Hollywood, algo entre 1929 e 1930. O texto começa nos apresentando uma cena de uma mocinha em perigo. No momento em que a atriz abre a boca para gritar e finalizar o grande momento, nenhum som é ouvido, para desespero dela e do diretor. A grande questão é que esse mesmo tipo de acontecimento já era comum nos bastidores desse longa. A atriz em perigo acabava sempre com sua voz roubada na hora do grito final… Então o Doutor, Romana e K9 chegam a esse ambiente de artes, sonhos e medo e logo são colocados no miolo da loucura e do glamour locais, encontrando uma famosa estrela sem voz e uma produtora que não sabia manter a boca fechada.

Eu me lembrei bastante do clássico Crepúsculo dos Deuses nessa aventura. O autor situa a ação em um momento de transição do cinema mudo para o cinema sonoro, contando com uma grande quantidade de divas e galãs que ficaram desempregados porque suas vozes não eram bonitas ou não agradaram ao público. E é evidente que, com um “filme amaldiçoado” em produção, essas estrelas aposentadas poderiam ter sua chance de mais uma vez mostrarem serviço… Mesmo com todos os rumores de que a atriz principal terá a sua voz roubada. O clima de medo é rapidamente misturado com uma narrativa de “lenda urbana” e também com o tratamento dado pelos estúdio e por toda a estrutura de Hollywood para as suas estrelas, desde as personalidades que estão em alta até aquelas desprezadas e esquecidas.

O Dr. Julius, vilão da saga, tem uma motivação que me chamou muito a atenção. Não é exatamente um plano total de dominação nem nada do tipo. Aliás, considerando o fanatismo de alguns fãs e colecionadores, a postura do personagem até pode ser vista como possível, talvez não exatamente dessa forma maligna e científica, mas pelo menos algo nesse nível de voltar para o passado e se apoderar de itens (e pessoas) valiosos para a sua coleção. Eu particularmente gosto de todo o desenvolvimento do personagem, mas torci completamente o nariz para a sua relação com os bichinhos do ano 2130: os Celluloids. Aliás, o tratamento dado a eles é o que torna o final da saga menos interessante do que poderia ser, embora ainda com bastante qualidade e especialmente com aquele calor meio clichê (dos bons) de dramas de ficção científica B em Hollywood.

Fourth Doctor Adventures – 6X03: The Silent Scream
Direção: Nicholas Briggs
Roteiro: James Goss
Elenco: Tom Baker, Lalla Ward, John Leeson, Alec Newman, Pamela Salem, Jane Slavin, Andrée Bernard, John Banks
Duração: 80 min.

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.