Crítica | Fourth Doctor Adventures – 6X04: Dethras

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Equipe: 4º Doutor, Romana II
Espaço: Submarino, Nave Espacial e Oficina Stargazer’s Halo
Tempo: Anos 1940 (Segunda Guerra Mundial)

Apresentando uma sequência um pouquinho mais solta vinda de The Silent ScreamDethras mostra o Doutor e Romana discutindo sobre a forma irresponsável com que o Time Lord guia a TARDIS, o que faz com que o Doutor deixe sua companheira escolher, dessa vez, o destino para o qual iriam. A cena serve de boa introdução para o episódio, e o roteiro se segura nesse quesito de “escolhas questionáveis de um piloto” para colocar a dupla de viajantes no tempo em mais um espaço claustrofóbico.

Aqui, descobrimos que na sala de controle de um submarino da Segunda Guerra Mundial, algo muito estranho aconteceu. Depois de perder o controle da navegação, a tripulação ficou inconsciente e, quando alguns sobreviventes acordaram, não se lembravam de muita coisa e tinham muito mais perguntas do que respostas. É nesse ambiente de confusão que chegam o Doutor e Romana, em pouco tempo se dando conta de que o submarino está em um lugar que definitivamente não deveria estar. E o mais curioso: toda a tripulação, com exceção de três tripulantes, desapareceu. E agora há também um chimpanzé a bordo…

Adrian Poynton escreve aqui uma aventura de início cômico e muito interessante, me lembrando de maneira distanciada uma aventura do Doutor com uma outra encarnação de Romana: Phantoms of the Deep. As perguntas básicas são feitas, mas não há nenhuma resposta ou indícios óbvios à vista: o que aconteceu com o resto da tripulação? O que são os barulhos estranhos que se podem ouvir fora do casco do submarino? E o mais importante, quem, ou o que, é Dethras? Considerando todos os aspectos de introdução da história, a única coisa que me pareceu meio forçada como explicação foi o afastamento de K9, que está “analisando redemoinhos temporais na Sala de Força da TARDIS“. Eu já imaginava que isso poderia acontecer, mas esperava que a justificativa fosse mais interessante e palatável.

Ainda assim, o início de Dethras é muito interessante, tanto pela mescla de gêneros como pela forma como os tripulantes são colocados no meio de toda a bagunça sci-fi e agem da maneira mais boba (no bom sentido) possível. Em eventos complicados como esses, o roteirista tem basicamente dois caminhos, e ambos são perigosos. O primeiro é o de criar toda uma longa explicação e fazer um trabalho individual de aceitação do mistério que envolve esses indivíduos. Claro que isso demanda tempo, algo que um episódio da Fourth Doctor Adventures não tem. O outro caminho é escolher o evento e o tipo de diálogo de aceitação desses indivíduos. Essa exposição pode ser simples, claro, mas deve combinar com o ambiente e com a ocupação desses personagens. Por isso que disse que a aceitação aqui vem através de um diálogo “bobo” e positivo: porque estamos falando de militares lutando na II Guerra. O insólito cabe bem aí.

Infelizmente o desenvolvimento do ponto-chave da história não segue o mesmo nível de bom mistério da apresentação. Há até um certo pendor entediante ligado à “busca por Dethras”, alguém que o espectador espera ser de extrema importância, mas que, quando se revela, parece obedecer à regra de “muito barulho por nada“. Bem… eu posso estar exagerando em relação a isso, é verdade, mas a sensação realmente existe. Eu confesso que fiquei frustrado com a mudança de ritmo da história, com um foco ligado a experimentos científicos; de busca, criação e controle de criaturas que, sinceramente, está mal encaixada no todo. Em conclusão, trata-se de uma aventura claustrofóbica acima da média. Mas pelo seu bom início, poderia ser muito mais do que isso.

Fourth Doctor Adventures – 6X04: Dethras
Direção: Nicholas Briggs
Roteiro: Adrian Poynton
Elenco: Tom Baker, Lalla Ward, Alistair Petrie, Shelia Ruskin, Josh Bolt, Brian Vernel, John Banks, Jane Slavin
Duração: 79 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.