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Crítica | Fragmento, de Lord Byron

por Luiz Santiago
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Fragmento é um conto inacabado de Lord Byron, escrito durante a sua estadia em Villa Diodati. A história de sua concepção é uma das mais conhecidas, interessantes e icônicas crônicas da literatura: passando uma temporada na propriedade suíça, Byron e seu médico John William Polidori receberam, em certo ponto, a visita de Percy e Mary Shelley (que ainda não eram casados) e de Claire Clairmont, meia-irmã de Mary. Há registros em diários dos escritores que, em noites de chuvas e temporais, eles passavam o tempo lendo histórias da coletânea Fantasmagoriana, contando eles mesmos algumas dessas histórias sombrias e às vezes discutindo sobre questões filosóficas envolvendo a vida e a morte.

Numa dessas noites, surgiu a proposta de uma disputa, onde cada um dos presentes escreveria a sua própria história de terror. Desse “concurso literário” algumas obras acabaram se tornando imensamente famosas e importantes para a Literatura Universal. O principal destaque, claro, vai para Frankenstein, de Mary Shelley, mas também merece destaque O Vampiro, de Polidori, que foi inspirado no presente Fragmento, produção que Byron rascunhou naquela ocasião, mas se enjoou e não terminou nem durante o “período do concurso” e nem depois, embora tenha pensado em fazê-lo.

O narrador do fragmento conta a história em uma carta. Os eventos se passam no ano 1700 e pouco, e o local central da ação é a Turquia, onde o narrador está numa viagem de exploração até Esmirna ao lado do enigmático Augustus Darvell e de um janízaro chamado Suleiman. Por tratar-se de um fragmento de texto, é claro que faltam aqui os elementos que dariam corpo e cor ao mistério tão bem apresentado pelo autor. Pelo que temos, porém, conseguimos ver a insinuação de um vampiro em cena (Augustus Darvell), seu definhamento à medida que o grupo entra na região árida do país e os pedidos enigmáticos que ele faz para o narrador, na noite em que, enfim, vem a morrer.

Fragmento é uma trama bastante assustadora e que abre diversas possibilidades para Darvell, dando a entender que a morte vista na história não era o fim daquele homem. Ele claramente estava escondendo algo e o leitor percebe — ainda mais um leitor contemporâneo, já familiarizado com histórias de vampiros — o simbolismo da cegonha que traz uma cobra no bico, mas não a devora. O sangue daquele animal ajudaria Darvell a se recuperar e é possível que o narrador estivesse a alguns dias de conhecer a verdade sobre o homem que tanto insistiu em conhecer. Uma pena não sabermos como tudo isso terminou. Pelo menos o fragmento serviu para a criação de uma história completa de vampiros, não é mesmo? Sobre isso, porém, falaremos em outra ocasião.

Fragmento (Fragment of a Novel / A Fragment / The Burial: A Fragment) — Reino Unido, 28 de junho de 1819
Autor: Lord Byron
Publicação original: John Murray (como um apêndice de Mazeppa, sem autorização de Byron)
Edição lida para esta crítica: O Vampiro – Edição comemorativa de 200 anos (Editora Clepsidra, 2020)
Tradução: Marina Sena
10 páginas

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