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Crítica | Fuller House – 1ª Temporada

por Lucas Borba
136 views (a partir de agosto de 2020)

O ano de 2015 foi marcado pelo grande número de reciclagens de títulos, tanto pelo cinema quanto pela televisão. Sejam com sequências, com refilmagens, com prelúdios ou com episódios derivados da obra original, porém, a maioria dos casos só veio deixar ainda mais em evidência a crise criativa no âmbito audiovisual artístico, com produções que, por vezes, não chegaram nem perto de justificar sua execução – que o digam fiascos como o remake de Quarteto Fantástico ou o problemático retorno da série Heroes com a minissérie Heroes: Reborn.

Felizmente, contudo, todo caso está sujeito a exceções, que o digam o competente retorno de Star Wars, no fim do ano, ou a bem intencionada volta da série Arquivo X neste começo de 2016. E a nova série de comédia do canal de streaming Netflix, Fuller House, que teve os treze episódios de sua primeira temporada lançados nessa sexta, é mais um acerto. A sitcom é a sequência da série Full House (conhecida no Brasil como Três é Demais), muito popularizada no país, na década de 90, com suas exibições no canal SBT. Nesse sentido e em outros, Fuller House tem muitos méritos.

A exemplo da série original, Fuller House é o típico programa rotulado como perfeito para se ver com a família. \Não apenas por acompanhar o cotidiano da clássica família americana, naturalmente, mas também pela leveza de seu conteúdo, embora ao mesmo tempo trate de questões de interesse juvenil e adulto e do meio campo entre ambas com um humor quase despretensioso – e, por isso mesmo, tende a cativar todas as idades. Apesar dessa constante entre o antigo e o novo, no entanto, o maior mérito de Fuller House com certeza é homenagear sua série de origem, com as devidas referências e apelo nostálgico, sem deixar de adequar o programa à geração atual.

Na trama, acompanhamos a vida de duas das irmãs da família Tanner, agora adultas, D.J (Candace Cameron Bure) e Stephanie (Jodie Sweetin), e da melhor amiga de D.J, Kimmy (Andrea Barber). D.J agora é veterinária e viúva há pouco tempo – o marido, que era bombeiro, morreu em um acidente. Vivendo em São Francisco, acaba aceitando que a irmã festeira e a atrapalhada amiga, trazendo consigo a filha adolescente e rebelde, Ramona (Soni Nicole Bringas), venham morar com ela na casa dos Tanner para ajudá-la a cuidar dos filhos Jackson (Michael Champion), o típico menino agitado em plena puberdade, Max (Elias Harger), o espertinho e neurótico caçula e uma das melhores presenças no show, e Tommy (Messitt Twins), ainda bebê.

A série ainda conta com participações de John Stamos (Jesse Katsopolis), Bob Saget (Danny Tanner), Dave Coulier (Joey Gladstone), Lori Loughlin (Becky Katsopolis) e Scott Weinger (Steve Hale). Como dito, Fuller House não economiza referências a Três é Demais, incluindo o começo da abertura original e um grande encontro familiar no primeiro episódio. Mesmo em todos os episódios também vemos uma ótima versão pop da abertura mãe. Também não faltam citações dos personagens de momentos e aventuras passadas, que na certa os fãs fisgarão. O oitavo episódio faz mesmo uma declaração nostálgica a eventos passados no sofá da sala. Quem nunca viu ou mesmo ouviu falar de Três é Demais, todavia, não se preocupe, a série também pode ser para você, abordando, ainda que com muita leveza e pouca pretensão, questões atuais, desde o protagonismo da mulher, por vezes trabalhando fora e criando os filhos ao mesmo tempo, até a já familiar discussão sobre as mudanças e relações tecnológicas.

O programa, de modo astuto, também trata de explorar conflitos entre a nova e a velha geração – desde estilos de dança a passatempos atuais e de outrora. Pode ser que uma ou outra referência passe despercebida aos mais jovens, como quando se brinca com a profecia espalhada, ao final da década de 90, de que o mundo iria acabar na troca do milênio. Por vezes, a pouca pretensão do programa prejudica em parte a qualidade do roteiro, já que deixa de explorar melhor uma ou outra situação que pediria mais atenção, como fica claro, por exemplo, no quarto episódio, quando a filha de Kimmy simplesmente aceita que a mãe resolva lhe dar um castigo só porque D.J a repreende por não fazê-lo. O excesso de didatismo eventualmente também incomoda, quando o roteiro quer explicar uma ou outra piada óbvia para o público, e certas tiradas fogem um pouco do limite ao brincar, por exemplo, com o peso de alguém.

Só que, no final das contas, os problemas pouco prejudicam os méritos do produto final, dentro da sua proposta. Tem-se aqui mais um exemplo de programa que soube, de fato, se reciclar, com o competente equilíbrio entre o velho e o novo, o nostálgico e o senso do presente. Com crianças cativantes somadas ao elenco, o roteiro constrói com facilidade situações e conflitos divertidos, que devem garantir uma ou outra gargalhada muito alta e outras menores. Os treze episódios passam com naturalidade e culminam num término de temporada que pode não impressionar, mas deixa claro que ainda parece haver muita história para contar e fazer rir os mais e menos jovens.

Fuller House – 1ª Temporada (EUA, 2016)
Showrunner: Jeff Franklin
Direção: Mark Cendrowski, Katy Garretson, Rich Correll, Joel Zwick, Rob Schiller, Jeff Franklin, Joel Zwick
Roteiro: Jeff Franklin, Wendy Engelberg, Amy Engelberg, Andrew Gottlieb, Boyd Hale, Julie Thacker Scully, Bryan Behar , Steve Baldikoski, Bob Keyes, Doug Keyes, Polina Diaz, Joe Vargas, Brian McAuley
Elenco principal: Candace Cameron Bure, Jodie Sweetin, Andrea Barber, Michael Campion, Elias Harger, Soni Bringas, Dashiell Messitt, Fox Messitt, John Brotherton, Juan Pablo Di Pace, Scott Weinger, Ashley Liao
Duração: 30 min. cada episódio

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8 comentários

Eliza 29 de fevereiro de 2016 - 15:13

A série reunindo os personagens antigos e apresentando os novos está simples e agradável de assistir… os primeiros capítulos me levaram às lagrimas de pura nostalgia! gostei da critica!

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Eliza 29 de fevereiro de 2016 - 15:13

A série reunindo os personagens antigos e apresentando os novos está simples e agradável de assistir… os primeiros capítulos me levaram às lagrimas de pura nostalgia! gostei da critica!

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Lucas Borba 29 de fevereiro de 2016 - 20:33

De fato, cara Elisa. A transição de personagens e a adequação do formato, da fórmula da série original, daqueles pontos que fizeram fãs na época para aspectos da atualidade é muito orgânica. Uma bela homenagem, que mostra, até então, ainda ter fôlego para que novos jovens também sintam nostalgia por ela anos depois. Interaja sempre com a gente!

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Lucas Borba 29 de fevereiro de 2016 - 20:33

De fato, cara Elisa. A transição de personagens e a adequação do formato, da fórmula da série original, daqueles pontos que fizeram fãs na época para aspectos da atualidade é muito orgânica. Uma bela homenagem, que mostra, até então, ainda ter fôlego para que novos jovens também sintam nostalgia por ela anos depois. Interaja sempre com a gente!

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Luiz Cardoso 28 de fevereiro de 2016 - 12:34

Achei bem honesta a série, tem sérios problemas de fórmula (afinal é uma série dos anos 1990 em 2016), mas acho que como releitura/homenagem/encontro de gerações serve bem. Agora, se resolverem fazer uma segunda temporada, será preciso rever algumas coisas…

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Luiz Cardoso 28 de fevereiro de 2016 - 12:34

Achei bem honesta a série, tem sérios problemas de fórmula (afinal é uma série dos anos 1990 em 2016), mas acho que como releitura/homenagem/encontro de gerações serve bem. Agora, se resolverem fazer uma segunda temporada, será preciso rever algumas coisas…

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Caio Vinícius 27 de fevereiro de 2016 - 21:56

Vocês são rápidos hein? Parabéns! Acho que darei uma chance à série mesmo não conhecendo muito do material original.

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Caio Vinícius 27 de fevereiro de 2016 - 21:56

Vocês são rápidos hein? Parabéns! Acho que darei uma chance à série mesmo não conhecendo muito do material original.

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