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Crítica | G.I. Joe: Comandos em Ação (2023) – Vol. 5

Um arco que é quase uma antologia.

por Ritter Fan
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Já estamos no quinto arco de G.I. Joe: Comandos em Ação, por Larry Hama, publicado pela Skybound/Image Comics em direta continuidade ao que veio antes pelo escritor que basicamente criou grande parte dos personagens lá atrás, em 1982, para vender os “bonequinhos” da Hasbro, mas que ganhou vida própria, pelo que não em cabe mais comentar sobre o estilo da escrita de Hama. Ele adora usar linguajar militar, citar o maior número possível de armamentos e veículos, seja por seus nomes reais ou fictícios e costurar de maneira bastante solta uma longa história única que é marcada por exageros que chegam a ser hilários. É pegar ou largar, pois, enquanto Hama estiver à frente de sua criação, essa pegada dele, que pode ser chamada de “congelada no tempo”, continuará firme e forte, sem exceções e sem mudanças.

No entanto, enquanto os quatro primeiros arcos tinham um semblante de história, mesmo que aos trancos e barrancos, o quinto volume é estranhíssimo por ele ser basicamente composto de cinco edições quase que completamente soltas, talvez – com esforço – reunidas sobre a temática de rearrumação de tabuleiro, de intervalo para um “recomeço” ou uma “nova fase”. Sei bem que Hama não exatamente escreve em arcos, mas, quando terminei de ler as cinco edições que fazem parte desse encadernado, minha impressão foi de viagem no tempo, retornando para a época em que Hama e diversos outros escritores de publicações mensais em quadrinhos das grandes editoras americanas escreviam muito mais uma sucessão de histórias autocontidas do que arcos propriamente ditos. Não há nada intrinsecamente ruim nisso, vale dizer, mas é definitivamente estranho deparar-me com algo assim em pleno 2026 em publicações que não são no formato de antologia.

É até difícil escrever sobre o “arco” como um todo, pelo que prefiro dar leves pinceladas sobre cada edição, começando pela #321, que é uma homenagem de Hama a ele mesmo, 300 edições depois da memorável edição #21 de G.I. Joe: Comandos em Ação, batizada de Interlúdio Silencioso, em que vemos Snakes Eyes se infiltrar em uma base Cobra para salvar Scarlett sem nenhum balão de fala ou mesmo onomatopeias e que introduziu Storm Shadow à mitologia. Foi um grande frisson à época que marcou seu momento e acabou ajudando a mostrar que a publicação era mais do que apenas um golpe de marketing de fabricante de brinquedos. Com isso, ele repete a dose com um novo Interlúdio Silencioso, desta vez com Snake Eyes ao lado de Dawn Moreno (também codinome Snake Eyes) não se infiltrando em um base Cobra, mas tentando evitar um ataque à base Joe onde estão, ataque esse que é marcado por rajadas sônicas que justificam o artifício. É uma boa história que, porém, fica aquém da original e que, ainda por cima, vem muito próxima aos cinco recentes one-shots silenciosos que também homenagearam a edição #21 e que foram colecionados em Missões Silenciosas, cada um focado em um Joe diferente. É bis in idem cansado, mas que ainda consegue divertir, ainda que, obviamente, Hama não traga nada de novo para além de um trabalho de cores de Francesco Segala que se torna particularmente importante para a narrativa.

A edição seguinte aborda duas missões paralelas de equipes diferentes de Joes em ambientações diametralmente opostas, uma na neve (Frostbite, Iceberg, Snow Job e Sub-Zero), outra no deserto (Lady Jaye, Lightfoot, Dusty e Mongoose), ambas tentando entender o porquê da construção de Terror Dromes pela Revanche. Muita pancadaria, conclusões simultâneas e complementares e não muito mais do que isso. Na edição #323, vemos um pouco o lado dos vilões, com o Comandante Cobra explicando que todas as baixas que ele sofreu são contratempos e que ele está mais do que pronto para derrubar Destro e Alpha-001 em Springfield e na Ilha Cobra, com Destro levando mais armamentos de sua terra natal para os EUA e, finalmente, com Alpha-001 didaticamente explicando seus planos para os leitores. Ou seja, mais preparativos para mais reviravoltas futuras. A edição #324 nos leva ao espaço, com Ace descobrindo que há uma estação espacial suspeita na órbita da Terra que, então, dá azo a uma missão de invasão com Hardtop, Payload, Countdown, Sci-Fi e Lady Jaye que revela mais um braço da operação da Revanche, o que se conecta tematicamente com os Terror Dromes da edição #322. Finalmente, na edição #325, essa completamente desconectada com as imediatamente anteriores (pelo menos por agora), Larry Hama cria dois Joes novos pois, claro, vender bonequinhos ainda é um dos objetivos da publicação: R..C., especialista em drones e Down Range, uma sniper. Ambos estão, ao lado de Duke e Roadblock, em uma missão de reconhecimento ao lado do exército da Boróvia em sua guerra contra a força invasora de Darklonia, em uma óbvia correlação com a guerra Rússia-Ucrãnia, em que o destaque, claro, repousa nas habilidades dos novos personagens.

Mesmo com Hama sempre sendo Hama há décadas, esse quinto volume é… estranho por essa característica quase de antologia de suas edições. Claro que ainda é o tipo de leitura que se espera do roteirista e as artes de Chris Mooneyham no primeiro e último números e de Paul Pelletier nos três “do meio” mais do que dão conta do recado na sofreguidão de Hama em inserir o maior número possível de personagens, de veículos, de armamentos e de planos maquiavélicos em tão pouco espaço, sacrificando a história em tese única. Sei que para muitos é heresia, mas, muito sinceramente, eu gostaria que o roteirista tirasse umas férias para eu ver o que outro autor faria em seu lugar na mesma continuidade…

G.I. Joe: Comandos em Ação – Vol. 5 (G.I. Joe: A Real American Hero – Vol. 5, EUA – 2025/26)
Contendo: G.I. Joe: A Real American Hero #321 a 325
Roteiro: Larry Hama
Arte: Chris Mooneyham (#321 e 325), Paul Pelletier (#322 a 324)
Arte-final: Tony Kordos (#322 a 324)
Cores: Francesco Segala
Flats: Sabrina Del Grosso
Letras: Pat Brosseau
Editoria: Caitlin Chappell, Alex Antone
Editora original: Skybound (Image Comics)
Datas originais de publicação:
Páginas: 112

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