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Crítica | G.I. Joe Origens: Snake Eyes

por Iann Jeliel
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Snake Eyes

G.I. Joe Origens: Snake Eyes é o terceiro filme dos G.I. Joe nos cinemas e, incrivelmente, já em seu segundo reebot. Desta vez, diferente de G.I. Joe Retaliação, que continuava a história do primeiro filme com outros atores e personagens, esse se trata realmente de um recomeço, não só com outro elenco, mas com uma história de origem diferente para todos, que busca estabelecer um cânone mais complexo do que uma adaptação de brinquedos da Hasbro teoricamente precisa. A proposta de recomeço contando a história de cada personagem é um formato semelhante àquela antiga investida da FOX com os X-Men, no projeto “Origins”, que acabou nascendo e morrendo com X-Men: Origens Wolverine, mas se fosse adiante, tinha planos para filmes de Magneto, Professor Xavier, Jean Gray, dentre outros.

Diante de tal concepção, Snake Eyes surge um tanto datado, já que ninguém aguenta mais histórias de origem de personagens que remetem a universos de super-heróis. Além do que, estamos num período em que as tendências nos blockbusters são crossovers cada vez mais megalomaníacos – multiverso, brigas de monstros gigantes –, ou seja, é uma ideia que por si só já vai na contramão da indústria, sendo que, teoricamente, o intuito de levar a franquia de brinquedos para o cinema, em live-action, era justamente para vender mais brinquedos. Pelo menos essa era a atmosfera dos dois primeiros filmes – A Origem de Cobra especialmente mas Retaliação também –, descompromissados com qualquer densidade dramatúrgica e concentrados somente em entregar uma boa diversão através da ação. Robert Schwentke parece querer criar algo mais autoral mesmo, não submeter ou aplicar seu estilo para executar bem os elementos que mais interessam o público.

Se fosse um cineasta mais hábil para “cinema pipoca”, talvez, essa contraproposta funcionaria. Infelizmente, o histórico do diretor não ajuda. Responsável por dois filmes da saga Divergente – os piores, inclusive –, além do pífio R.I.P.D. – Agentes do Além, Schwentke encontra seríssimas dificuldades para contar a história de maneira minimamente interessante. Claro, ele não tem toda a culpa, até porque não assina o roteiro (escrito por três mãos), mas os problemas de Snake Eyes estão muito mais na forma do que no conteúdo. Tirando o fato de Snake Eyes (Henry Golding) ser bastante falador – bem mais legal o personagem quando mudo –, até gosto de algumas ideias no papel. Explorar a vaidade do protagonista em busca de vingança pessoal, conflitando com as tradições da mitologia do clã que lhe acolhe, por conta de Tommy/Storm Shadow (Andrew Koji). A amizade e inimizade criada por eles nestas circunstâncias é um arco bem mais trabalhado que os flashbacks da duologia, mas que inexplicavelmente não consegue se converter em senso de rivalidade empolgante, pelo seu caráter secundário quando entra na aglomeração de outras subtramas.

Existe um protagonismo exacerbado de Snake Eyes, condizente com o filme levar seu nome, mas a narrativa desenvolve seu personagem pelo treinamento com a intenção de criar naturalmente um atrito com objetivos hierárquicos de Tommy. O que é certo, pensando nesses personagens com construções dependentes entre si. Entretanto, no fundo, a origem de ambos acaba não se interligando porque o texto precisa resolver outras pendências. Há introduções de outros personagens do universo G.I. Joe, como Baronesa (Úrsula Corberó) e Scarlett (Samara Weaving) que vão se intrometendo e defasando a rítmica do enredo em pausas para mais exposições introdutórias. Assim, a história parece nunca avançar ou se desenvolver, mesmo que a ampla contextualização de qualquer elemento faça isso no automático. Faltam sequências de maior energia entre todas essas subtramas. Elas deveriam vir de algum foco principal, teoricamente no arco mencionado, mas na prática, o clima gerador da única cena de ação expressiva do filme tenta reunir todas as situações em uma ‘embolação’ que simula a ideia de reunião em crossover.

Em outras palavras, o roteiro acaba se contradizendo na própria ideia de ser mais contido, embora, o terceiro ato melhore bastante o filme justamente por entregar aquela básica e franca pancadaria. Essa que tem seus problemas de filmagem, com uma câmera mais trêmula do que a vista nos filme anteriores e que, na ambientação escura, não ajuda a compreensão geográfica das batalhas — mas de modo geral apresenta cenas que valorizam as coreografias, principalmente quando busca planos abertos, pegando um personagem específico cercado por vários inimigos e lutando contra todos eles simultaneamente. Pena que são poucos os momentos de diversão pela ação, que  não abraça tanto a fantasia quanto poderia.Este é, dos três, o que possui mais elementos fantasiosos – a exemplo da pedra mágica como macguffin e de umas criaturas que aparecem no treinamento. Até penso que dá para melhorar, em outros filmes, as bases apresentadas em Snake Eyes, mas honestamente, duvido que o filme com momentos tão chatos, faça apelo comercial o suficiente para prosseguirem nessa linha – nem lançado  nos cinemas brasileiros ele foi –, sendo bem mais vantajoso, voltar e concluir a trilogia em aberto.

G.I. Joe Origens: Snake Eyes (Snake Eyes: G.I. Joe Origins | EUA, 2021)
Direção: Robert Schwentke
Roteiro: Evan Spiliotopoulos, Joe Shrapnel, Anna Waterhouse
Elenco: Henry Golding, Andrew Koji, Haruka Abe, Takehiro Hira, Eri Ishida, Iko Uwais, Peter Mensah, Úrsula Corberó, Samara Weaving, Samuel Finzi, Steven Allerick, Max Archibald, Simon Chin, Derrick de Villiers, Kento Matsunami, James Hiroyuki Liao
Duração: 121 minutos

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