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Crítica | Game of Thrones – 6X04: Book of the Stranger

por Iann Jeliel
48 views (a partir de agosto de 2020)

Book of the Stranger

  • Contém SPOILERS. Leia aqui as críticas das demais temporadas e/ou episódios.

Book of the Stranger segue como outro episódio aparentemente sem tanta intensidade nesse início de sexta temporada, mas desta vez, apresenta uma fragmentação dinâmica mais bem distribuída entre as principais tramas para enfim promover esse salto de energia que estava demorando de acontecer. Apesar da qualitativa do capítulo está aglutinada bastante na cena final, que definitivamente fecha um miniciclo, o encaminhamento dado aos outros núcleos parece ficar na ponta da preparação de um encerramento, ou no caso, um encerramento provisório, que se liga ao final principal nos dando realmente um respaldo sensorial de que agora vai. A montagem é um ponto alto aqui, lembrando os primórdios de Game of Thrones que pensava a estruturação da melhor maneira a termos essa sensação ao fim de todo episódio, algo não exatamente abandonado, mas ausente em uma organização tão fluida e estimulante quanto foi a sequência apresentada.

Como previsto, iniciamos o episódio retomando a derrocada de Jon Snow (Kit Harington) para confirmá-la de que se trata de um ato muito mais simbólico do que prático. No chegar de Sansa (Sophie Turner) a Patrulha da Noite, logo ele repensa sobre a incerteza do que vai fazer. O personagem queria fugir como parte do luto de ser traído, mas agora com a irmã ao seu lado novamente, ele ganha um proposito novo, apesar de estar cansado demais para assumi-lo, precisando somente de um gatilho para isso, fornecido somente na retomada do núcleo mais a frente em que ele recebe uma carta de Ramsey Bolton (Iwan Rheon) basicamente declarando guerra a Patrulha e os Selvagens, com muitas ameaça, especialmente a familia e o irmão Rickon Stark (Art Parkinson) que está em sua pose.

O reencontro entre os personagens teve uma carga emocional adequada, respirando um pouco da melancolia do momento, mas não demorando muito para ter esse embate, em que Sansa está disposta a resolver as coisas com o “marido” mesmo sem a ajuda de Snow, que embora não confirme nada no final da conversa de jantar, fica obviamente tendido a se aliar com ela, os selvagens (se parasse por aí, estariam em desvantagem) e possivelmente procurar outros povos do norte para ajudar nessa batalha. Um desses “povos”, possivelmente são os comandados pelo Senhor do Vale, Robin Arryn (Lino Facioli), ou melhor, pelo Mindinho (Aidan Gillen), retomando uma aparição depois de bastante tempo para mostrar que apesar de ter deixado Sansa nas mãos de Ramsey, ele terá influência na batalha, que em caso de vitória, o garantirá um lugar no poder junto a familia Stark.

Ainda nesse núcleo do norte, há uma breve e interessante conversa entre Brienne (Gwendoline Christie) com Davos (Liam Cunningham) e Melisandre (Carice van Houten), rememorando eventos da segunda temporada em que a feiticeira assassinou o seu antigo rei Renly Baratheon (Gethin Anthony) a qual servia. Não serve para gerar nenhum novo conflito, na verdade a cena está mais para confirmar a fé da bruxa depositada em Snow como o “escolhido” pelo senhor da luz, mas é bacana ver esse tipo de ponta antiga sendo retomada só como reconhecimento de que ela se reflete ao hoje da jornada. Algo que vale para a morte de Osha (Natalia Tena), que poderia ser uma personagem simplesmente ignorada, mas é lhe dada um fim digno tentando sem sucesso assassinar Ramsey num jogo de sedução. Cena essa que é serve como um conectivo ao núcleo mais deslocado de relevância do episódio. Me refiro, a cena de Theon (Alfie Allen) com Yara (Gemma Whelan), que traça o caminho de aliança dos dois, coloca os demônios para fora, mas não serve de tanto a tríade narrativa principal, podendo ter sido deixada pra depois quando fosse realmente discutir as consequências da morte de Balon Greyjoy (Patrick Malahide).

Falando neles, em King’s Landing, definitivamente passos relevantes são dados, onde uma possível aliança de Cersei (Lena Headey) com Olenna Tyrel (Diana Rigg) contra o Alto Pardal (Jonathan Pryce) se instaura ao mesmo tempo que o septo parece convencer cada vez mais Margaery (Natalie Dormer) do seu lado, pela chantagem emocional utilizada pela condição de seu irmão Loras (Finn Jones), que por sua vez, faz com que Tommen (Dean-Charles Chapman), apesar de ter revelado o que o Pardal conversou com ele, para a sua mãe, não esteja totalmente ainda do lado dela, ou no caso, com o beneficio da virada, assim como os Tyrel, que não teriam motivo para se juntar a Cersei caso sua familia estivesse segura. Essas várias incertezas tornam para mim esse o núcleo mais interessante no geral da temporada. Contudo, nesse episódio, o melhor esteve na parcela destinada a Dany e suas resoluções políticas e práticas.

A parte chata da história é entregue ao Tyrion (Peter Dinklage) que torna a negociações com os escravocratas uma premissa interessante, especialmente porque coloca em desconforto os secundários Missandrei (Nathalie Emmanuel) e Verme Cinzento (Jacob Anderson) ao terem de aceitar que o melhor caminho é administrar o pessoal até o próximo passo, o que quer dizer segurar a abolição por mais tempo no risco de ainda serem usados por eles. Enquanto isso, parece que finalmente Daenerys (Emilia Clarke) vai ser resgatada dos Dothraki por Dario (Michiel Huisman) e Jorah (Iain Glen), que se infiltram na cidade como comerciantes, sem tanto sucesso no disfarce, mas encontrando a mãe dos dragões. Seria muito fácil a partir daí, a fuga acontecer e protelar outro eventual conflito de Dany com os Khals, liderados por Khal Moro (Joseph Naufahu) ser deixado para outro episódio. Ao invés disso, felizmente, tudo é resolvido de prontidão, numa inteligentíssima solução da Targaryen em incendiar a cabana com todos e consigo mesmo dentro, para matá-los queimados em uma cena visualmente maravilhosa.

Anteriormente já havia um diálogo bem-posicionado da rainha conversando com as outras Khaleesi’s e inspirá-las a serem independentes, o fechamento com não só elas, mas com todos do vilarejo reverenciando seu poder de sobreviver as chamas do local onde basicamente começou sua jornada, quase como uma divindade, e de fato, a libertação feminina é posicionada pelo roteiro como um feito exaltante nesse universo, finalizando Book of the Stranger no alto nível que GoT merece sempre ter.

Game of Thrones – 6X04: Book of the Stranger | EUA, 15 de Maio de 2016
Direção: Daniel Sackheim
Roteiro: David Benioff, D.B. Weiss (baseado em obra de George R. R. Martin)
Elenco: Peter Dinklage, Nikolaj Coster-Waldau, Lena Headey, Emilia Clarke, Kit Harington, Natalie Dormer, Aidan Gillen, Liam Cunningham, Carice van Houten, Sophie Turner, Nathalie Emmanuel, Conleth Hill, Kristofer Hivju, Jonathan Pryce, Michiel Huisman, Dean-Charles Chapman, Iwan Rheon, Gwendoline Christie, Alfie Allen, Iain Glen, Diana Rigg, Ben Crompton, Jacob Anderson, Natalia Tena, Gemma Whelan, Finn Jones, Julian Glover, Ian Gelder, Rupert Vansittart, Hannah Waddingham, Lino Facioli, Joseph Naufah
Duração: 54 minutos

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