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Crítica | Ganso Never: Agente Especial Alfafa

Trapalhadas e comilança.

por Luiz Santiago
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Agente Especial Alfafa é uma das paródias da Disney para personagens da Sergio Bonelli Editore; desta vez, focada em Nathan Never, o agente durão do futuro da Terra. Das outras duas paródias que eu li para esses personagens (e que eu saiba, só há mais uma além dessas, baseada em Martin Mystère e escrita por Casty), gostei de todas, embora a do Gansolino vivendo um detetive atrapalhado seja a mais fraca. Tive experiências muito mais divertidas e textos bem mais interessantes nos projetos que brincaram com Dylan Dog (na ótima O Despertar dos Roedores Invasivos) e Tex Willer (na hilária Um Ranger em Ação).

Agente Especial Alfafa é uma aventura curta, que em nenhum momento propõe algo para além da comédia como o centro das atenções, o que de certa forma desvia um pouco do Universo do personagem. Eu entendo perfeitamente que a Disney precisa fazer uma abordagem diferente, mas qualquer um que tenha lido meia dúzia de histórias do Mickey detetive, por exemplo, sabe que essa abordagem pode tranquilamente seguir caminhos que não sejam apenas o da piada destrambelhada. Talvez o maior impulso para isso, na presente história, nem seja o roteiro de Riccardo Secchi, mas a escolha do Gansolino para dar vida a Nathan Never desse Universo. Sendo um desastrado comilão por natureza, era de se esperar que o texto fosse por um caminho mais fanfarrão. Resultado? Não deu tão certo quanto as outras histórias.

Assim como na original série Nathan Never, esta é uma aventura de investigação num ambiente futurista. E assim como os crimes e as problemáticas gerais do Universo do personagem criado por Antonio Serra e Claudio Castellini, encontramos aqui situações de corrupção, certa burocracia no processo investigativo, ação contra bandidos e reviravoltas finais. O que realmente impede a trama que se elevar um pouco mais em qualidade é a bobice do conceito envolvendo Ganso Never, que não é um bom agente: na verdade, tudo o que dá certo com ele em campo é apenas resultado de alguma trapalhada conveniente que se reverte para benefício do “lado do bem” — algo que funciona super bem, e por outros motivos, com muitos outros personagens Disney (alô, alô, Superpato!) — mas não é exatamente o caso aqui.

O que eu realmente gosto nessa história, e o real motivo dela ter ficado acima da média para mim, é o elemento ligado à reviravolta. O texto apresenta uma situação envolvendo um caso de bolo de chocolate, depois toma caminhos que não são óbvios. Também acho interessante a moral do Ganso Never. Sua personalidade compensa a bobagem de sua capacidade de atuação física. Ele suspeita de algo e insiste em abrir um caso que já tinha sido arquivado. Depois de aparentemente ter resolvido o problema, volta a questionar o resultado obtido pela Agência Alfafa e parte para uma terceira fase da investigação. O caso de corrupção consegue se mostrar bem mais nessa parte do texto. E por mais que todo o restante seja um tanto frustrante, a atmosfera gerada por esse lado mais realista (ou “mais Nathan Never“) do enredo é que dá o grande charme da trama.

Ganso Never: Agente Especial Alfafa (Ciccio Never – Agente speciale salsa) — Itália, 18 de setembro de 2012
Código da História: I TL 3179-3
Publicação original: Topolino (libretto) 3179
Editoras originais: Mondadori, Disney Italia, Panini Comics
No Brasil: Almanaque Disney 384 (2018); Graphic Disney (Panini) 10 – Bom Willer, Dylan Mouse e Ganso Never.
Roteiro: Riccardo Secchi
Arte: Alessandro Perina
Capa original: Giorgio Cavazzano, Andrea Cagol
30 páginas

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