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Crítica | Garota Exemplar

por Ritter Fan
1303 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 4,5

Quando li, há bastante tempo, que a própria autora do romance Garota Exemplar escreveria o roteiro do filme para David Fincher dirigir, tremi nas bases. Afinal, em minha mente preconceituosa, imaginei que não só uma autora de obras literárias não teria o domínio sobre a arte de escrever roteiros, como ela estaria tão próxima de seu trabalho que não saberia transpor o essencial para uma nova mídia.

Engano meu. E que engano!

Gillian Flynn faz um trabalho próximo da perfeição, um filme completo, que vive independente da obra primígena (que, devo logo afirmar, não li) e que prende o espectador do começo ao fim. Claro que é o detalhismo visual de David Fincher que realiza a visão de Flynn, mas o trabalho da dupla é impressionante.

O primeiro aspecto que chama atenção é a narrativa bipartida. Vemos Ben Affleck vivendo Nick Dunne, um marido que, no dia das bodas de cinco anos de seu casamento, descobre que sua esposa desapareceu. Acompanhamos, então, no presente, a forma como ele lida com a situação, o que envolve sua irmã Margo (Carrie Coon) e a detetive Rhonda Boney (Kim Dickens), dentre outros. Intercalando esses momentos de dúvida, ações suspeitas e investigação policial, temos Amy Dunne, a esposa de Nick, vivida por Rosamund Pike, servindo de narradora em off, a partir de um diário, para diversas sequências em flashback, contando como o casal se conheceu e a vida de sonho que viviam até seu sumiço.

A costura entre as sequências, em mais um ótimo trabalho de montagem de Kirk Baxter (que trabalho com Fincher em O Curioso Caso de Benjamin Button, A Rede Social e Millennium), tem duas qualidades interessantes. A primeira delas é a brusquidão com que ocorrem, propositalmente interrompendo o fluxo temporal no presente para trazer informações do passado que são complementares. A outra qualidade é permitir a ligação de todos os eventos do primeiro e segundo terços do filme, levando, naturalmente, ao clímax. Não posso, claro, entrar em detalhes aqui, pois esse  filme é um daqueles que depende efetivamente de reviravoltas e da surpresa do público para funcionar em sua plenitude, mas basta dizer que a montagem de Baxter, a direção de Fincher e o roteiro de Flynn criam uma cadência quase que cientificamente exata ao filme, do primeiro ao último fotograma.

No recheio, há, como tem se tornado praxe nos trabalhos do diretor, uma fotografia impecável, novamente a cargo de Jeff Cronenweth (Millennium, A Rede Social e Clube da Luta). De certa forma, o trabalho de Cronenweth, aqui, lembra o de Harris Savides em Vidas em Jogo, com cores claras e aconchegantes para identificar o lar feliz dos Dunne que nunca chega verdadeiramente a nos cativar, nos avisando que há algo errado ali. Nas tomadas externas, há frieza, distanciamento, monocromia, só quebradas pelo circo midiático que se forma em torno do desaparecimento de Amy.

Aliás, um dos temas de Garota Exemplar é justamente esse: a oposição do jornalismo ao sensacionalismo. A necessidade dos jornais e TVs de explorarem todo e qualquer fato e de montarem uma estrutura condenatória a qualquer custo, com base em qualquer “prova”. Mas esses sedentos jornalistas são, da mesma forma e também conscientemente, manipulados pelos próprios acusados, especialmente quando o advogado Tanner Bolt (Tyler Perry) entra na história. Há sempre dois lados.

Outro comentário que perpassa toda a projeção pode ser ilustrado por intermédio de perguntas. O que exatamente é um relacionamento como o casamento? Que preço cada um paga para uma vida a dois? Será que uma parte tem que se submeter à outra para que uma vida em harmonia seja possível? O filme não tem a pretensão de responder as perguntas, mas sim fazê-las e nos deixar pensando sobre elas, mesmo depois que os créditos finais sobem na tela e que saímos da sala escura provavelmente com nossa cara-metade ao lado.

Mas Garota Exemplar não seria o que é não fosse Ben Affleck e Rosamund Pike. Affleck, que venho dizendo há muito tempo que é um grande ator, tem sua melhor performance até agora. Se seu trabalho cheio de nuances aqui não for recebido de braços abertos por parte do público que ainda esnoba o ator, não sei mais o que ele pode fazer para convencer. Seu Nick Dunne é um homem que, por mais que achemos que ele tem algum envolvimento com o desaparecimento da esposa, não conseguimos deixar de gostar dele, de nos identificarmos com ele. Essa relação com a plateia é extremamente importante para que a narrativa se desenvolva e, em última análise, funcione.

Do lado de lá, temos Rosamund Pike, nunca antes uma atriz de particular destaque, mas que nos convence em todos os momentos. Ela é a garota perfeita a que somos apresentados por ela mesmo por intermédio da narrativa em off e flashbacks e aos poucos vamos descortinando seu passado de “garota exemplar” e entendendo sua relação com o marido. Não consigo imaginar Reese Whiterspoon nesse papel – ela é produtora e adquirira os direitos da obra para ela própria estrelar no filme, somente para ser convencida do contrário por Fincher – por nunca ter visto latitude suficiente na atriz, mas diria o mesmo de Pike, pelo que o julgamento é difícil. Parece-me que, mais uma vez, a direção de atores de Fincher foi fundamental para extrair deles a harmonia que vemos na tela.

Se existe um problema na estrutura dessa obra, ele está no momento de entrada do personagem de Neil Patrick Harris e o desenvolvimento de seu papel no terço final. Sua presença na vida do casal é mencionada logo no início e nós também o vemos organicamente na narrativa mais para a frente. Mas sua entrada efetiva parece um pouco corrida demais, com informações demais que acabam subaproveitadas, levadas à cabo muito instantaneamente, sem que ao espectador seja dada a chance de efetivamente absorver o que acontece e acreditar naquilo. Não chega a ser a quebra do realismo que vemos em Vidas em Jogo, mas não deixa de incomodar, de parecer que, por alguns minutos, a cadência que tanto elogiei mais acima, foi quebrada.

De certa forma, porém, o rigor técnico de Garota Exemplar e as grandes atuações da dupla principal nos fazem aceitar as sequências com Harris como apenas um pequeno problema que era importante para o fechamento da trama. Nada que realmente afete o prazer de assistir o 10º filme de David Fincher.

Garota Exemplar (Gone Girl, EUA – 2014)
Direção: David Fincher
Roteiro: Gillian Flynn (baseado em romance de Gillian Flynn)
Elenco: Ben Affleck, Rosamund Pike, Neil Patrick Harris, Tyler Perry, Carrie Coon, Kim Dickens, Patrick Fugit, David Clennon, Lisa Banes, Missi Pyle, Emily Ratajkowski, Casey Wilson
Duração: 149 min.

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44 comentários

Ferdinando Rios 24 de fevereiro de 2020 - 21:39

Reassisti hoje com minha esposa e à semelhança de Millenium, achei que tem muito filme ainda depois do clímax. Isso é bem mais notório naquele do que nesse, mas ainda assim, acho que colocar um clímax menor após um clímax MAIOR é bem anticlimaxíco (se a palavra não existe, paciência, hehe). E para mim basta a explicação da suspensão da descrença para aceitar as fraquezas de roteiro.

Responder
planocritico 1 de março de 2020 - 20:24

Depende do que você considera o clímax da obra.

Abs,
Ritter.

Responder
Inominável Ser 9 de dezembro de 2019 - 14:35

Entra na minha lista de filmes a serem assistidos. Infelizmente, ainda há quem esnobe Ben Affleck.

Responder
planocritico 10 de dezembro de 2019 - 14:33

Eu gosto bem dele. Não é sensacional, mas sabe atuar e, melhor ainda, dirigir!

Abs,
Ritter.

Responder
Fernando Almeida 11 de outubro de 2017 - 01:34

Não sou especialista em filmes. Sou leigo e ainda tenho percepções bastante superficiais (logo, facilmente “manipuláveis”) da profundidade/qualidade de uma produção.

Posto isso, fiquei muito satisfeito com Garota Exemplar. Foram cerca de 2h20min sem nenhum momento entediante. As atuações dos dois protagonistas, em especial do Ben Affleck, principalmente no segundo terço do filme (que me pareceu a parte mais rica do roteiro), beiraram a perfeição.

A primeira alteração no rumo da história (que, de tão bem costurada na evolução do primeiro terço do roteiro, não dá para qualificar como “plot twist”) foi bastante consistente, o que faz pulsar endorfina em espectadores que (como eu) apreciam ficção realista.

Na segunda grande alteração da história (aí sim bem mais próxima de um “plot twist”), senti que faltou um pouco da mesma consistência (e realismo) com a qual a história vinha sendo trabalhada até então. Estendo a crítica do autor (evolução um pouco afobada e pouco embasada do Harris) a toda a construção do terço final da história. Parece-me que toda a faceta paciente, detalhista, meticulosa e cuidadosa da protagonista deu lugar a uma sociopatia impulsiva subtrabalhada, deixando muitos “furos” na interessante narrativa. Ou seja, o terço final foi ótimo para entreter (e cumpriu com louvor seu papel nesse sentido), mas perdeu um pouco da costura perfeita que arrancou aplausos nos dois primeiros terços.

No mais, o papel central da mídia na condução policial/judicial das “tragédias populares” foi muito bem explorada. Assunto mais do que pertinente para o Brasil atual (em que Justiça, mídia e opinião pública se “inter-alimentam” cotidianamente com o prende, solta, vaza, delata, etc.).

Baita filme. Nota 9.

Responder
planocritico 11 de outubro de 2017 - 22:58

@disqus_Ls8wjEVS5r:disqus , não sei de onde você tirou que você tem “percepções bastante superficiais” sobre filmes. Fez uma baita análise aí!

Abs,
Ritter.

Responder
General Patton 16 de maio de 2017 - 11:54

Ritter, sou o The Demon, costumava comentar nos seus posts, agora to com perfil novo hehe. Mais uma vez uma excelente critica sua. Realmente, a trama tem varias criticas sociais. Uma critica a midia sensacionalista, que manipula as coisas apenas para ter audiencia. Uma critica a aqueles que querem casar sem pensar nas consequencias, achando que o amor vende tudo. Eu interpretei aquele uso de fotografia frio do filme como uma metafora a um casamento que nao era feliz, e tambem para dar o ar de sombrio ao misterio do filme, posso estar errado, mas é a minha visao rs.

O final que foi meio brochante, e como era um filme do Fincher, eu esperava um Plot Twist igual em O clube da luta e Seven rs

Responder
planocritico 16 de maio de 2017 - 12:40

Opa, gostei do seu perfil novo, hein?

Gostei da sua interpretação da fotografia. Faz mesmo todo sentido.

Sobre o final, eu gostei bastante. Não esperava uma reviravolta não, pois Fincher, apesar de ter notabilizado por elas nesses dois filmes citados, não costuma colocá-las de verdade em suas obras. Basta ver Zodíaco, Benjamin Button e Quarto do Pânico.

Abs,
Ritter.

Responder
General Patton 16 de maio de 2017 - 12:50

Assisti Patton esses dias, virei fã desse filme, e da interpretacao do Scott. Mas tipo, Zodiaco era uma historia real, nao da pra fazer um plot twist rs. Mas apesar do final fora do comum, ele fez um final que ficou para o publico interpretar, o que eu tambem gosto

Sobre o Ben Affleck, creio que em Argo e nesse filme, ele mostrou que não é tao mal ator quanto falam

Responder
planocritico 16 de maio de 2017 - 16:49

Scott está brilhante como Patton e a figura histórica é também muito interessante.

No caso de Affleck, devo dizer que nunca o achei um ator ruim. Ele pode não ter tido papeis consistentes, mas ruim eu acho que ele passa longe.

Abs,
Ritter.

Responder
General Patton 16 de maio de 2017 - 15:33

Uma coisa que tambem pensei que foi errado na obra, é que o roteiro apontou para um lado só, quis mostrar que apenas o Nick era responsavel pelo casamento ruir, como se tentasse justificar o que a Amy fez. E se o Fincher sempre foi um cara que primou por fazer obras que trouxessem ambiguidade. Sei la, me pareceu um ponte negativo

Responder
planocritico 16 de maio de 2017 - 16:49

Tive a impressão que foi para despistar, apenas.

Abs,
Ritter.

Responder
General Patton 16 de maio de 2017 - 17:35

Olhando por esse lado, vc tem razao, ah, e a entrada do Neil Patrick foi muito rapida e mal desenvolvida, quebrou toda a sintonia da obra. Nao que isso prejudicou o filme, mas incomoda rs

planocritico 16 de maio de 2017 - 17:54

Ah, sim. Com isso eu concordo totalmente. Muito corrida a introdução dele na história. Foi o ponto fora da curva no filme, diria.

Abs,
Ritter.

Diogo Amorim 18 de julho de 2016 - 23:17

Só fui assistir a esse filme mais recentemente, e claro, tive que procurar uma crítica aqui no site após assisti-lo. Concordo com quase tudo, o filme é bem escrito, tem um roteiro bem redondo, as atuações estão todas acima da média, com destaque especial pro Ben Affleck, há tempos eu não via uma atuação tão boa assim dele e aqui ele tá excelente, e os temas que o filme propõe também são todos muito interessantes e bem discutidos dentro da trama, no geral o filme é ótimo.

Essa parte do personagem do Neil Patrick Harris nem me incomodou muito, achei justificável até, a única coisa que de fato me incomodou foi o final do filme que eu particularmente achei meio frustrante, ele meio que desvirtua toda a natureza dos personagens que haviam sido estabelecidas aqui, e as atitudes do personagem do Ben Affleck em particular foram as mais estranhas, acho que nenhum ser humano normal agiria daquela maneira. Enfim, mesmo não sendo um filme perfeito continua sensacional, e a crítica mais uma vez é muito boa.

Responder
planocritico 19 de julho de 2016 - 12:57

Ben Affleck é um excelente diretor e um ator subestimado. Acho que ele, quando quer e tem material bom, faz ótimos trabalhos.

Interessante seu comentário sobre o final. Ele é frustrante, sem dúvida. Daqueles que dão raiva. Mas eu acho que é por isso que ele funcionou muito bem para mim.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 19 de julho de 2016 - 12:57

Ben Affleck é um excelente diretor e um ator subestimado. Acho que ele, quando quer e tem material bom, faz ótimos trabalhos.

Interessante seu comentário sobre o final. Ele é frustrante, sem dúvida. Daqueles que dão raiva. Mas eu acho que é por isso que ele funcionou muito bem para mim.

Abs,
Ritter.

Responder
Diogo Amorim 18 de julho de 2016 - 23:17

Só fui assistir a esse filme mais recentemente, e claro, tive que procurar uma crítica aqui no site após assisti-lo. Concordo com quase tudo, o filme é bem escrito, tem um roteiro bem redondo, as atuações estão todas acima da média, com destaque especial pro Ben Affleck, há tempos eu não via uma atuação tão boa assim dele e aqui ele tá excelente, e os temas que o filme propõe também são todos muito interessantes e bem discutidos dentro da trama, no geral o filme é ótimo.

Essa parte do personagem do Neil Patrick Harris nem me incomodou muito, achei justificável até, a única coisa que de fato me incomodou foi o final do filme que eu particularmente achei meio frustrante, ele meio que desvirtua toda a natureza dos personagens que haviam sido estabelecidas aqui, e as atitudes do personagem do Ben Affleck em particular foram as mais estranhas, acho que nenhum ser humano normal agiria daquela maneira. Enfim, mesmo não sendo um filme perfeito continua sensacional, e a crítica mais uma vez é muito boa.

Responder
Roberto 21 de abril de 2015 - 15:53

Eu realmente nao entendi pq Amy passou o tempo todo com barriga de gravida mesmo quando tava fugindo.

Responder
planocritico 22 de abril de 2015 - 15:52

Ela não fez isso não, @anadct:disqus. Pode ter sido só impressão sua, pois a atriz teve filho (seu segundo) em 2014 e, talvez, já estivesse grávida durante as gravações. Mas, dentro do filme, ela não manteve a história da gravidez não.

Abs,
Ritter.

Responder
Roberto 22 de abril de 2015 - 18:19

eu achei que fosse só na cena mais pro fim, mas no início tb tem barriga, só q menor. pode ser q já estivesse gravida mesmo.

Responder
Roberta Silva 27 de agosto de 2015 - 02:39

A Amy engordou e ganhou alguns quilos para passar desapercebida quando executasse o seu plano. E também para comprovar que o proprio Nick nem estava mais prestando atenção nela. Leia o livro. Lá está tudo explicadinho numa narrativa perfeita. O filme é bom, mas o livro é perfeito.

Responder
JJL_ aranha superior 17 de outubro de 2016 - 21:37

O livro é muito diferente?

JJL_ aranha superior 17 de outubro de 2016 - 21:37

O livro é muito diferente?

Ricardo Correa 10 de janeiro de 2015 - 00:15

Finalmente assisti o filme sim meu caro e bem…No início tive a nítida sensação de que as falas ou as idéias estavam muito mais rápidas e espertas em captação do que as imagens ! Quero dizer o roteiro ou quem quer q seja q o escreveu sim é bastante esperto pra nova iorquinos sim , mas ele transpôs isto ou este aspecto pra todo o Missouri e seus habitantes e – veja bem – não se trata de puro preconceito – mas sou do interior e bem sei que no interior as idéias e conceitos não se correlatam tão rápido umas entre as outras e ninguém corta a idéia do outro com tiradas tão sarcásticas e reais quanto vemos nas falas das bocas aki ! Ok Ricardo ! Isto é um filme , não um retrato…ok pode até ser que eu esteja exagerando mas só apenas constando …O Nick Dunne do filme é bem menos piegas e raso do que o o do livro – um contra ponto à toda espertíssima esposa – e não conseguia deixar de imaginar alguém BEM melhor que Ben Afleck pra este papel o tempo todo ! Mas então a partir de Amy explicando seus planos ( ou como os executou ) o filme se torna mais consistente e atraente fazendo Rosamund Pike a ” mais maior ” A mais bem amarrada e desenvolvida personagem e assim vivemos dela e por ela bem até o fim ! A adaptação não me soou tanto Fincher talvez mais Flynn o que por si só não seria de todo ruim , porém me pareceu amputar algo pra um certo todo se é que isto me faz claro …

Responder
planocritico 11 de janeiro de 2015 - 14:42

@disqus_pyBgHRfmVN:disqus, obrigado pelo comentário. Não achei a transposição de NY para Missouri tão irreal assim. Não li o livro e não posso fazer a comparação das duas versões de Nick, mas entendo seu ponto.

Abs, Ritter.

Responder
Rilson Joás 25 de dezembro de 2014 - 19:28

Assisti o filme e fiquei chocado com a trama. E concordo com suas críticas a personagem stalker da Amy. O filme foi bem desenvolvido, ainda que o ritmo seja uma coisa meio estranha, passando daquela primeira hora lenta e construtiva, aquela segunda hora instável e turbulenta.

Batfleck surpreendeu, mas os temas principais que rondaram a trama foram: “O que é um casal perfeito? Existe relacionamento perfeito?” E “Como a imprensa apresenta as notícias, fazendo pré-julgamentos, e explorando conteúdos violentos pra ganhar audiência”.

Responder
planocritico 26 de dezembro de 2014 - 15:13

Batfleck é bom! Eu sempre gostei do cara. E sim, concordo que os temas centrais são esses sim. Aliás, falando sobre a imprensa, caso não tenha visto, veja O Abutre, que está agora nos cinemas com o Gyllenhaal (já tem crítica no site). Fantástico e mostra bem esse mundinho.

Abs, Ritter.

Responder
Rilson Joás 26 de dezembro de 2014 - 18:29

Eu tava me preparando pra ver o filme agora, que coincidência.
Uma coisa difícil de se ver: Batfleck fazendo um personagem divertido.

Responder
Raz 8 de novembro de 2014 - 02:49

Concordo que é fantástico como o circo midiático afeta a vida dos personagens, muito bem retratado.

Mas o roteiro, meu Deus muitos furos, muitos, alguns chegam a ser grosseiros de tão grandes.

Não comprei o personagem do ben affleck, mas ai é opinião própria pq condeno totalmente algumas atitudes que o personagem tem, porém a atuação dele realmente é de tirar o chapéu.

Eu não tive essa visão sobre relacionamentos, pq acredito que qualquer um que divide ou já dividiu um teto com namorada ou esposa sabe bem essas respostas ;D

Infelizmente não tem como debater pq estragaria totalmente a experiência do filme.
Mas foi uma critica muito bem construída, está de parabéns!

Responder
planocritico 8 de novembro de 2014 - 19:54

@disqus_gHbhG3EEpf:disqus, obrigado pelos elogios e pelo comentário.

Olha, você é um dos poucos que não gostou do roteiro de Garota Exemplar. Queria propor uma coisa, pois simplesmente adoramos conversar e debater como nossos leitores aqui no site. Que tal você comentar aqui mesmo os detalhes dos problemas que você teve com o roteiro para eu ver se enxergo seus pontos? Sei que será uma conversa entupida de spoilers, mas, para evitar que algum leitor seja pego desprevenido, peço que coloque SPOILER três vezes em caixa alta logo no começo de seus comentários. Eu faço o mesmo nas minhas respostas.

Topa?

Grande abraço,
Ritter.

Responder
Raz 9 de novembro de 2014 - 02:35

—-SPOILERS—-

—-SPOILERS—-

—-SPOILERS—-

Bom o primeiro ato achei lento, mas a história pede essa cadencia então a culpa é minha do incomodo.

Amy desaparece e tudo indica que foi o marido que parece um politico de tão cinico, check!

O cara não amava ela, estava “encostado” traindo e empurrando o relacionamento com a barriga, no meu modo de ver isso é COVARDIA, marquei com caixa alta pq mais lá pra frente vc vai entender, ele tinha que ser homem e terminar esse relacionamento que não existe mais. É diferente de traição quando se vê uma bela barra de saia, o cara simplismente não se importava mais com ela.

Ai começa a trama, ela cortou o cabelo, tingiu e usava oculos escuros pra ninguém perceber quem era ela, bom se o clark kent usa apenas um oculos e funciona pra ele pq não pra ela tb né? kkkkkkkkkkkkk

Acontece que o caso tomou uma proporção muito maior que ela imaginava, a foto dela estava toda hora na tv, a história dela era a mais falada no país e ai entra a primeira pequena falha.

1. Ninguém no hotel que ela estava não a reconheceu???

Só tinha tapado lá não é possivel, a mina que roubou ela disse: Eu sei que vc está se escondendo de algo, mas só quero seu dinheiro…
Ou seja, não tinha reconhecido ela caso contrario tinha ligado pra policia e ter ganho seus 5 min de fama

Mas blz, pensei comigo po to exigente d+.

Ela chama o outro ex rolo dela que tb é doido pra pedir abrigo pq está sem verba pra nada.
No cassino onde eles se encontraram um cara reconhece ela e a Amy sai andando… o furo 2 aparecendo:

2. Olha só, se vc esta em um shopping e percebe uma mulher com outro homem que é a cara da eliza samudio, aparece a foto dela na tv em que vc esta perto e vc se convence a ponto de ir falar com ela e a mina se manda do jeito que a Amy sai, vc liga pra policia meu deus!
Tem um homem sendo crucificado pelo morte da mulher que vc acabou de ver!!!
Até minha namorada disse: Meu Deus se sou eu saio gritando que encontrei a desaparecida!!!
Essa cena me convenceu de 2 coisas: O universo do garota exemplar é cheio de gente lerda e o único menos lerdo não se tocou que no minimo ele ficaria famoso como o homem que encontrou Amy!

Ai o Affleck da a entrevista e ela se arrepende e simplismente volta a ficar apaixonada, deixando claro que ela não é uma mulher magoada com as safadezas do marido e sim uma psicopata.
Ou seja, não existe possibilidade nenhuma de um relacionamento nos termos normais dar certo!
Logo que se apresenta esse quadro todo o tema sobre os relacionamentos e convivencia em que o expectador poderia se espelhar e raciocinar foi pra vala!!!

Ela monta aquele elaborado plano pra poder matar e incriminar o doido que prendeu ela na casa.
Saiu tudo como ela planejou, la la la la…
Nessa hora começa o festival de lambanças.
Ela ta dando o depoimento e falando que o cara raptou ela desde o primeiro dia, que bateu nela e ela acordou e foi espancada, sodomizada, estuprada e que vivia amarrada.
O Affleck diz a seguinte frase:
Mas como vc matou ele com um estilete se vc acabou de dizer que estava sempre amarrada?
e o policial falou em seguida:
Cara, será que vc não pode ficar feliz com a volta da sua esposa hein?

COMO ASSIM, JOVEM GUARDA BELO???
A PERGUNTA FAZ TODO O SENTIDO!!!

Cara eu juro pra vc que nessa hora eu desatei a rir no cinema pq nesse universo as pessoas são lerdas a ponto de beirar a ignorancia!

Não satisfeita ela desaba a chorar e diz:
Na casa tinha cameras! Olhem e vcs verão tudo o que aconteceu!!!
E a cena termina, e o filme segue até o final das investigações…
Opa mas peraí… ela não tinha dito que foi sequestrada e que o cara tinha levado ela pra casa?
Então, mas se não me engano a estadia na casa durou somente 3 dias e ela estava A MAIS DE UM MES DESAPARECIDA!!!
Cade os outros 27 dias de gravação???
O computador pegou virus e perdeu 27 dias de gravação?
Os investigadores não desconfiaram de nada???
Esquadrão trapalhões???

Depois dessas galhofas toda o final do filme é o que menos me impactou, ela amarra o cara de tal forma que ele é incapaz de fugir somente pq é como disse lá em cima COVARDE.

Bom eu citei 4 furos no roteiro fora outros pequenos erros durante o filme que não dá pra numerar, não sei se é permitido então não vou postar links, mas tem uma matéria de um colunista que diz assim no titulo:
Garota Exemplar: 15 pecados de um roteiro pavoroso!
E vou além, dos 15 erros grotescos que mostra na matéria não tem nenhum dos meus 4 que citei aqui!!!

Os atores estão ótimos, o Ben Affleck esta muito bem vivendo esse papel e a Rosamund Pike tb passa esse ar de loucura genial.
O filme é bem dirigido e o Fincher é um excelente diretor sem sombra de duvidas, ele sabe como criar essa aurea de tensão nos seus filmes como ninguém.

Mas em termos de roteiro foi tão cheio de furos, foi tão cheio de erros gigantes que se vc digitar no google: ERRO DE ROTEIRO vai aparecer a capa do garota exemplar hauheuahuehauheuaheuhauehuahue.

Me soou uma tentativa de ir buscar aquela genialidade criminal que o John Doe demonstrou com maestria junto com o plot twist que faz a cabeça do espectador explodir como em clube da luta, só que dessa vez foi totalmente fail.
O que me fez pensar o seguinte:

David Fincher chegou no status de Christoper Nolan.
Ambos tem filmes iconicos em sua filmografia, mas tb fechar os olhos para as cagadas que acontecem nos seus filmes como no Dark Knight Rises que um velho quiropata de prisão concerta uma lesão gravissíma de coluna a SOCOS!!!
O filme sempre vai ser fodastico pq uma vez nolete sempre nolete.
No caso agora é uma vez Fincherzetes.

Tá vendo pq não consigo falar sobre garota exemplar?
Estraga a experiencia toda!

Um abraço!

Responder
planocritico 9 de novembro de 2014 - 14:04

— SPOILER —-

— SPOILER —

— SPOILER —

Olá, @disqus_gHbhG3EEpf:disqus. Gostei de seus comentários. Vou tentar comentar cada um deles, mas, se eu tiver esquecido de algum, me avise!

1. A cadência – A trama é complicada e o terço inicial é realmente todo dedicado a montar a narrativa, intercalando entre passado e presente, estabelecendo as personalidades. Entendo que você tenha achado lento e é mesmo, mas, como você também entendeu a razão para isso, então está tudo resolvido!

2. Seus pontos (1) e (2) me parecem relacionados à “identidade secreta” de Amy, mas eu acho que você deu a melhor resposta possível ao traçar o paralelo com Superman/Clark Kent. Entre no universo do Superman e pense: depois que ele se revela ao mundo, ele se torna a pessoa MAIS famosa da Terra, infinitamente mais do que Amy. Mesmo assim, nós, espectadores, ACEITAMOS que basta um óculos para Superman se tornar Clark Kent sem ninguém nem de longe desconfiar. Isso é a suspensão da descrença, elemento que, se inexistente, mata 95% de todos os filmes já feitos, só restando os documentários. Amy pinta o cabelo, deixa de se maquiar, coloca um óculos, vai para lugares mais humildes e desaparece no meio-oeste americano. Você menciona a Eliza Samudio como alguém que seria reconhecida em um supermercado. Será mesmo? Debaixo de disfarce? Tem certeza? Você conseguiria, agora, descrever em detalhes a Samudio ao ponto de ter em mente exatamente a fisionomia dela? Eu posso dizer que EU não reconheceria. Não reconheceria nem se fosse a J.K. Rowling, autora de Harry Potter. Tenho para mim que esse é um elemento perfeitamente aceitável dentro da estrutura narrativa dentro do conceito da suspensão da descrença.

3. Amy é uma psicopata. Isso é evidente. Sua condição derruba a discussão sobre relacionamentos? Acho que não. Funciona como uma alegoria, uma desculpa exatamente para se discutir os relacionamentos. Pouco importa se ela é psicopata. O que importa é como é o relacionamento de casais casados com aparência de felizes? Eles estão MESMO felizes? Existe hipocrisia? Qual é a importância do dinheiro na equação “casamento feliz”? Isso é tratado APESAR da maluquice de Amy. Afinal, nós não sabemos disso antes, no começo da fita. E, se ela parasse ali, antes da revelação, quer dizer que o que veio antes não levanta discussões válidas? Seria o mesmo que dizer que a conversa entre Hannibal Lecter e Clarice não tem valor para discutir a personalidade de Clarice porque Hannibal é um canibal.

4. O lance do Guarda Belo (sensacional esse apelido!!!) é interessante. Essa sequência com o Affleck levantando a coisa mais óbvia do mundo e ele ignorando se explica da seguinte forma: ele odeia o Affleck e AMA a Amy. Ele queria aquela vida. Ele vive aquela vida dos dois de maneira vicariante e odeia o Affleck, pois ele não entende como Affleck traiu aquela mulher que ele endeusa. Portanto, ele se força a ignorar, a não enxergar o óbvio. Afinal, o amor é cego, não é mesmo?

5. O plano de fuga de Amy do outro psicopata. Não me lembro dos detalhes, mas tenho para mim – posso estar errado – que ela não diz que ficou presa o tempo todo. Mesmo assim, ela não faz o show para as câmeras por 2 ou 3 dias. Interpretei, ali, que houve passagem temporal maior, de algumas semanas. É o que dá a entender a vida “de casal” que os dois malucos passam a ter ao longo do tempo. Não é uma coisa de dia para noite. Portanto, há filmagens de vários dias, não só de dois ou três.

6. Sobre John Doe em Seven. Levanto esse ponto a reboque de sua menção a ele sobre plano genial e infalível e roteiro perfeito só para tentar exemplificar que nenhum roteiro se sustenta (nenhum mesmo) se olhar com a lupa que você olhou. Primeiro, em Seven, não vemos NENHUM dos planos de John Doe. Vemos apenas as consequências. O roteiro nos pede que aceitemos que eles foi bem sucedido, ao longo de meses e talvez anos, em assassinar pessoas das maneiras mais absurdas possíveis. Um ano entrando e saindo do apartamento do cara que ele considera pecador de PREGUIÇA? Jura? Ninguém nunca viu ou estranhou o cara NUNCA sair de casa? Ninguém nunca bateu na porta dele? O mesmo vale para o cara da Gula. Nunca ninguém bateu na porta ou sentiu o cheiro? E como assim ele arrisca tudo para completar seu “trabalho” ao contar com seu próprio assassinato pelo Brad Pitt? Ele arriscou o trabalho de uma VIDA sob a certeza absoluta que Pitt iria ficar com raiva o suficiente para matá-lo. Além disso, o pecado de INVEJA foi simplesmente JOGADO por ele na conversa no banco de trás do carro com os dois policiais, algo que o roteiro nunca antes salienta e, de repente, está lá, sem mais nem menos. Ou seja, Seven também cai debaixo do peso de uma análise desse tipo e é para isso que precisamos “aceitar” algumas coisas em filmes.

Bem, acho que é isso. Depois que tiver tempo de ler o que escrevi, diga-me o que achou e vamos conversando!

Abs, Ritter.

Responder
Raz 10 de novembro de 2014 - 11:00

— SPOILER —-

— SPOILER —

— SPOILER —

Ritter, acredito que não tem como vc comparar a suspensão de descrença de um filme de super heroi com uma história que tenta ser linear com a realidade.

Cada roteiro te apresenta um universo, dentro desse universo o espectador tem que ter em mente qual é a proposta que esta sendo fornecida.

Em um universo de super heroi já parte do principio que haverá absurdos.

Não dá pra vc acreditar que com um oculos o cara se disfarça, que um homem vestindo uma roupa de ferro cai do céu abre um rombo no chão e não se quebra inteiro dentro da armadura, mas no mundo criado pede pra vc acreditar em galhofas, e dentro dessa proposta ele se sai bem.

Planeta terror é o cumulo do absurdo, mas é legal e pq?

Pq o roteiro em nenhum momento pede credibilidade, ele diz eu sou baboseira e me veja como baboseira.

O roteiro de garota exemplar pede que vc veja como um mundo crível e acredite que uma psicopata possa armar essas situações, sim ela pode aceito isso, mas o restante em torno do plano não pode fugir da proposta de mundo crível, com erros de lógica tão fortes.

Não é um errinho aqui e outro acolá, é um festival de erros que acontece!

Como disse nos meus pontos, achei um erro ninguém reconhecer ela no hotel que ela estava, mas eu mesmo escrevi, “po to exigente d+”

Agora a história dela está no auge!

Toda hora na tv!

O exemplo da elisa samudio é pra tentar ilustrar uma atitude que uma pessoa normal teria caso reconhecesse ela.

A questão não é se vc reconheceria, até pq está claro que cara no cassino a reconheceu, a questão é o que fazer com essa informação!

Seria muito, mas muito mais crível se no cassino ninguém a reconhecesse, do que um idiota que a reconhece, ve na tv que todo mundo acha que ela morreu e não faz nada a respeito!

Aliás, convenhamos que se vc está fugindo e precisa se encontrar com alguém vc não vai marcar o encontro em um local cheio de gente e com cameras de segurança a torto e direito como em um cassino, é muita burrice pra um suposto mundo realista.

No caso do tema sobre relacionamentos, eu não consigo enxergar nenhuma pergunta que não seja obvia.

Como, será que os casais que aparentam ser felizes são mesmo na realidade?

São fingidos?

ok, mas e dai se for?

O que pode mudar na sua vida se são ou não?

É um tema que eu não compro, pra mim é argumento de adolescente que está descobrindo o mundo ainda e está cheio de receios.

Mas isso sou eu falando, se fosse somente isso o problema do filme estava ótimo.

O guarda belo é um investigador policia, o cara é treinado a vida toda pra solucionar casos!

Como o cara poderia se influenciar pelo seu gosto pessoal a ponto de seu julgamento ser comprometido?!

Mas de acordo com sua possível interpretação só me reforça a tese que o universo de garota exemplar todos são burros.

Ela diz, ele me levou pra casa e me amarrou, vejam as fitas de filmagem esta lá.

Não existe salto temporal, ela passou com o cara 3 ou 4 dias no máximo.

As pessoas são tão burras e incompetentes nesse roteiro que a Amy depois que mata o cara volta pra casa coberta de sangue, vai pro hospital, dá o depoimento galhofa, recebe alta e vai tirar o sangue no banho na casa dela!

MAS NINGUEM DO HOSPITAL NÃO A LIMPOU???

Meu Deus! Mas nem o SUS faria uma coisa dessas!

Como poder tentar se espelhar em algum personagem em um mundo que nada em torno funciona dentro da sua proposta?!

Se a proposta do filme é mostrar como as pessoas podem se tornar ignorantes, burras e alienadas por causa da midia em mundo com qi baixissimo, então por favor mude o titulo do filme para Garota Midiática!

Ritter eu admiro quem tem tamanha suspensão de descrença pra gostar da proposta de um roteiro que sugere em um mundo realista sejamos todos lentos a ponto de um plano lotado de falhas como os da Amy possam dar certo.

Em Seven, tem um dialogo com os detetives Mills e Somerset que define o universo do roteiro:

Nesse mundo em que vivemos ninguém liga pra ninguém.

Então como o Doe consegue executar seu plano maluco e absurdo passa a ser aceitavel pq naquele universo ninguém se importa com ninguém mesmo, é tudo muito caótico, chega a ser claustrofobico pensar em morar em um lugar como aquele.
Essa é a proposta do universo criado ali e dentro disso funciona.

O Assassino em seven não tinha pretensão de sobreviver e sim de expor ao mundo caotico do roteiro como tudo estava tão fudido a ponto dos crimes capitais serem vistos como coisas normais e aceitaveis.

E vc está equivocado, ele só fala abertamente sobre a inveja somente quando eles estão no campo.
Exatamente na hora que o Somerset volta correndo gritando pro Mills largar a arma ele fala: A inveja é o MEU pecado.

E o Doe tinha certeza que o Mills o mataria pq o cara assassinou a mulher do cara gravida!
Tanto que quando Doe percebeu que o Mills estava se contendo em atirar nele ele ficou provocando falando que ela implorou por ela e pelo filho deles, tomou um tapão e quando ele olhou pro Mills deu um sorriso de vencedor falando… ah, ele não sabia!
O doe pesquisou sobre eles na delegacia e era extremamente inteligente em saber que qualquer ser humano do mundo explodiria ali, nem se fala de um policial novato e agressivo como Mills era.

Enfim, Papo longo e sadio
Obrigado pelo oportunidade!

planocritico 11 de novembro de 2014 - 12:00

— SPOILER —

— SPOILER —

— SPOILER —

Olá, @disqus_gHbhG3EEpf:disqus.

A comparação com Superman eu tirei da sua própria mensagem, pois achei bem feita. Acho que não importa se o filme é de super-herói ou não. Como “colocar um óculos” para se disfarçar é uma atitude humana, não vejo diferença.

E lembre-se: ela pintou o cabelo, parou de usar maquiagem, passou a usar roupas comuns e ainda por cima colocou o óculos. E, se você – ou eu – reconhece algum fugitivo ou criminoso em um supermercado, tenha certeza que, a não ser que você esteja com a imagem na mão e faça uma comparação, a maior probabilidade é que você fique na dúvida, pense no ônus que seria ligar para a polícia e deixaria para lá. E mesmo que não deixasse, no filme isso é um artifício até comum para se criar suspense, nada mais. Não é para ser levado tão ao pé da letra assim, pois, se fosse, metade dos filmes não aconteceriam.

Sobre o Guarda Belo, insisto: ele estava cegamente apaixonado por Amy e ESCOLHEU não levar em consideração o que foi dito para ele.

Sobre meu equívoco da inveja, ok, ele só fala abertamente lá, o que torna o plano de Doe ainda mais mal ajambrado. Veja, ele passou anos planejando tudo e, na hora que os dois chegam perto dele, ele larga os planos de lado e começa outros, corridos e ainda depende que Brad Pitt o mate para que tudo realmente se encaixe. E se o outro detetive atirasse em Pitt antes? Ou se lutasse com ele? E se Pitt errasse o tiro? Ou se ele não atirasse mesmo? Não seriam essas muitas variáveis para ele, que é um cara que trabalha no detalhe, aceitar?

Enfim, Garota Exemplar, para mim, tem um roteiro espetacular, que só se perde um pouco com a entrada do ex-namorado psicótico da psicopata.

Abs, Ritter.

Raz 12 de novembro de 2014 - 10:14

Ritter.
Vc tá fazendo igual o guarda belo, julgando o filme com paixão e está tentando defender o indefensável.
Eu gosto muito do filme do lanterna verde, mas tenho consciencia que o roteiro do filme é um lixo por completo! Isso pra mim não diminui o valor sentimental, mas não posso dizer que é um bom roteiro!
Sugiro que assista a cena do cassino dnovo.
Nas tvs na hora que eles se encontraram, estava estampado a foto da Amy falando sobre seu caso.
A exposição foi tão grande que o cara a reconheceu.

Fora que não faz sentido o que vc está falando de seven mas pra falar eu e vc teria que assistir novamente.

Bom agradeço a oportunidade!
Abraços!

planocritico 12 de novembro de 2014 - 14:15

@disqus_gHbhG3EEpf:disqus, pode até ser, mas eu acho que você está confundindo realismo com naturalismo. Realismo não é necessariamente a realidade do nosso dia-a-dia e sim a realidade do universo diegético criado no filme. Dentro desse universo, considero Garota Exemplar como tendo um roteiro excelente que, claro, nunca resistirá ao grau de análise que você está impondo. Eu poderia também destruir qualquer tipo de roteiro com esse olhar clínico como tentei fazer com Seven (e eu vi o filme bem recentemente, então sei dos detalhes e acho ele uma obra-prima e só estou mesmo implicando). Nem mesmo O Poderoso Chefão resistiria a isso! 🙂

Veja, de forma alguma estou dizendo que você está errado. Ao contrário. Gosto do debate. Só digo que, aparentemente, para sua sensibilidade do que é um bom roteiro, Garota Exemplar não funcionou. Para mim, ele funcionou perfeitamente e não duvidaria que o filme concorresse e levasse os maiores prêmios dessa categoria ano que vem.

Abs,
Ritter.

Roberta Silva 27 de agosto de 2015 - 02:46

Eu recomendo que leiam o livro. Eu gostei do filme, mas achei que quem não tivesse lido o livro não entenderia certas coisas. Eu não sou muito fã do Afleck, tanto que não vi o filme no cinema pq ele era o protagonista. Mas quando li a primeira pagina do livro, tive que comprá-lo e devorá-lo e depois perceber que ninguém poderia ter feito o Nick além do Afleck pq o que penso do ator é o mesmo que todos pensam dele depois que é apresentado na narrativa.

A Amy não só pinta o cabelo e muda de roupas, ela ganha peso. Tanto que o Staker dela logo passa a cuidar da alimentação dela e diz que na casa tem uma academia para ela malhar. E está sempre dizendo que ela se sentirá melhor, mais ela mesma, quando emagrecer e pesar o mesmo de antes,

Em resumo. Leiam o livro. Vão adorar a experiência.

planocritico 27 de agosto de 2015 - 13:15

@disqus_BqyknxKlBm:disqus, com certeza sua recomendação é válida, mas uma boa adaptação, como Garota Exemplar é, tem que conseguir viver completamente à parte da obra original.

Abs,
Ritter.

Ferdinando Rios 24 de fevereiro de 2020 - 21:39

Se não o fosse, cada ingresso de cinema de filme adaptado deveria vir com uma edição do livro, hehe

Matheus V. 5 de outubro de 2014 - 23:20

Fincher sempre a me enganar a respeito do desfecho. Muito bom como ele trabalha a visão de cada grupo (‘grupo’ não bem a palavra), seja das “vitimas” ou o da imprensa, fazendo tudo parecer um jogo de aparências.
Concordo, o “Batfleck” está mais convincente do que nunca (principalmente quanto ao relacionamento do personagem com a irmã).
Crítica ótima e filme fantástico.

Responder
planocritico 7 de outubro de 2014 - 03:33

Obrigado, @disqus_3iZ8f1R1FI:disqus! E concordo com você: Fincher aborda bem todos os lados, mantendo o suspense pelo maior tempo possível. Muito bem construída a narrativa.

Abs, Ritter.

Responder
Ricardo Correa 1 de outubro de 2014 - 19:28

brusquidão ? termo absolutamente Ritter hein ? Da hora ! ( desculpe : ainda não vi o filme portanto me abstenho mas voltarei …)

Responder
planocritico 2 de outubro de 2014 - 12:36

@disqus_pyBgHRfmVN:disqus, gostou do “brusquidão”? He, he, he…

Depois que assistir, volte aqui para comentar o filme!

Abs, Ritter.

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