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Crítica | Gavião Arqueiro – 1X04: Partners, Am I Right?

O passado de Clint Barton vem à tona.

por Ritter Fan
2.628 views (a partir de agosto de 2020)

  • Há spoilers. Leia, aqui, as críticas dos demais episódios.

Subvertendo as expectativas, o antepenúltimo episódio de Gavião Arqueiro não começa com uma pancadaria entre Jack Duquesne, o Espadachim, e Clint Barton, já que o reconhecimento de quem o invasor é por Eleanor leva tudo a uma conversa amigável, com direito a chazinho e tudo mais. E esse tipo de escolha narrativa é exatamente o porquê de a série funcionar tão bem. Ela sacrifica o grandioso por momentos prosaicos como esse que, porém, não deixam de ter função dentro da história, já que o ocorrido leva o herói a investigar o vilão, descobrindo sua conexão com a Gangue do Agasalho.

E esse tipo de abordagem leve, mas relevante, continua na ótima sequência em que Kate parte para visitar Clint no apartamento de sua tia e, bem no espírito natalino que o Gavião Arqueiro tem tido que sacrificar em razão dos acontecimentos, traz filmes para maratonar, suéteres bregas para usar e guloseimas, o que faz com que os dois relaxem para que possamos ver a cada vez melhor interação entre os personagens, com Hailee Steinfeld absolutamente irresistível em sua simpatia e trazendo uma bem-vinda luminosidade à futura herdeira do Vingador. Há até mesmo tempo para uma pequena aula sobre “arremessos de objetos aleatórios” que deixaria o vilão Mercenário orgulhoso e, mais importante que isso, um breve momento para mais reflexões sobre o trauma de Clint.

Se o episódio anterior destacou-se pela maneira inteligente e surpreendente como lidou com a surdez do herói, aqui, a atenção que é dada ao passado de Clint como Ronin e, principalmente, à perda de Natasha, sua melhor amiga, resultando em confissões tocantes e muito bem inseridas, especialmente na forma como Kate reage a tudo, compreendendo a dor e culpa que seu ídolo ainda sente e que, pelo visto, dificilmente deixará um dia de sentir. Mesmo com Jeremy Renner vivendo seu personagem de maneira talvez um pouco estoica e dura demais, momentos assim realmente funcionam e criam uma conexão excelente entre a dupla ao ponto de ser quase desejável que a série fosse uma sitcom natalina de câmera única e passada em apenas um ambiente.

Não que as cenas de ação não sejam boas, vejam bem. Mas é que eu realmente acho que o chamariz de Gavião Arqueiro está na interação entre Clint e Kate, mesmo que eu tenha duvidado dessa possibilidade quando do segundo episódio. O que ainda não consegui comprar completamente no lado da pancadaria é a motivação para a série existir, o que em princípio poderia ser um problemão, mas que, na verdade, não é algo tão sério assim se levarmos tudo mais na esportiva e na característica inerente de diversão descompromissada da coisa toda. Quando falo motivação, refiro-me especificamente ao que faz a série andar, primeiro a procura pelo uniforme de Ronin e, agora, pelo tal relógio que eu tinha até me esquecido que fora mencionado no episódio inaugural. Tenho para mim que os MacGuffins não funcionam como o showrunner acha que funcionam aqui, mas o bom é que pelo menos eles abrem espaço para boas sequências de ação. Igualmente, não sei se compro – ou gosto – que Laura funcione como a secretária de assuntos aleatórios de Clint tanto porque é um uso conveniente demais da personagem, como também pelo fato de ser estranho ela saber tanto de tanta coisa que gravita ao redor do marido.

Se, no episódio passado, tivemos uma perseguição do mais alto gabarito, aqui nós temos a invasão ao apartamento de Maya por uma Kate completamente hilária ao ignorar os conselhos estratégicos do parceiro e simplesmente fazer o mais simples, que é pegar o elevador do lugar usando como desculpa a ajuda a um senhorzinho que carrega suas compras. A partir daí, apesar de a fotografia escura mascarar muita coisa, os combates separados e depois juntos no telhado do prédio em frente funcionam bem, incluindo a chegada “surpresa” de Yelena Belova (Florence Pugh retornando à sua personagem apresentada em Viúva Negra), o que leva Clint a realmente temer pela vida de Kate, dispensando-a um tanto quanto friamente ao final (ainda que justificadamente, claro).

Partners, Am I Right? é outro episódio delicioso de Gavião Arqueiro, mas que não faz absolutamente nada para apaziguar meu receio de que essa minissérie (ou seria uma série?) seja, talvez mais ainda do que as demais da Fase 4 do Universo Cinematográfico Marvel, apenas um degrau para coisas maiores e mais ambiciosas, o que é natural, mas que também carrega o ônus de diminuir sua relevância em relação ao todo. Seja como for, os Gaviões têm funcionado tão bem juntos e em uma atmosfera natalina tão simpática e confortável que eu confesso que acho que não terei muito do que reclamar se tivermos mais do mesmo nos dois episódios que restam.

Gavião Arqueiro – 1X04: Partners, Am I Right? (Hawkeye, EUA – 08 de dezembro de 2021)
Criação e desenvolvimento: Jonathan Igla
Direção: Bert & Bertie (Amber Templemore-Finlayson, Katie Ellwood)
Roteiro: Heather Quinn, Erin Cancino
Elenco: Jeremy Renner, Hailee Steinfeld, Tony Dalton, Fra Fee, Brian d’Arcy James, Aleks Paunovic, Piotr Adamczyk, Linda Cardellini, Simon Callow, Vera Farmiga, Alaqua Cox, Zahn McClarnon, Florence Pugh, Ava Russo, Ben Sakamoto, Cade Woodward, Jolt, Clara Stack, Zahn McClarnon
Duração: 40 min.

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