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Crítica | Geração X

por Ritter Fan
26 views (a partir de agosto de 2020)

Sabe aquela pergunta clássica sobre que poder você escolheria ter se pudesse ter qualquer um? Pois bem, depois de ver Geração X, telefilme produzido pela Fox para ser o piloto de uma série de telefilmes sobre o grupo mutante homônimo da Marvel Comics que, ainda bem, nunca viu a luz do dia, não tenho dúvidas em escolher o poder de “desver”. Foram 87 minutos dolorosos que me fizeram refletir sobre como a mesma produtora conseguiu contribuir, quatro anos depois, para o renascimento do interesse sobre filmes de super-heróis com X-Men: O Filme.

O piloto em formato de longa-metragem usa dois mutantes recém-descobertos, Jubilation “Jubileu” Lee (Heather McComb cuja escalação, à época, causou frisson, já que a personagem dos quadrinhos é descendente de asiáticos) e Angelo “Derme” Espinosa (Agustin Rodriguez), que são recrutados por Emma Frost, a Rainha Branca (Finola Hughes) e Sean Cassidy, o Banshee (Jeremy Ratchford), que são os diretores da Escola Xavier para Estudantes Superdotados com veículos para que o espectador aprenda sobre seus poderes e sobre a escola, além das personalidades de seus diretores, além de apresentar os demais alunos, Monet (Amarilis), Mondo (Bumper Robinson), Buff (Suzanne Davis) e Refrax (Randall Slavin), os dois últimos inventados para a série em substituição a Câmara e Escalpo, já que não havia orçamento para emular os poderes desses dois na telinha. Paralelamente, descobrimos a existência de  Russell Trask (Matt Frewer), uma versão idiota e histriônica de Doc, da Trilogia De Volta para o Futuro, que envergonharia Sportacus, de LazyTown (sim, isso me veio à cabeça agora para vocês verem o efeito que esse filme teve em mim…), que quer mutantes para fazer experiências nazistas – para o “bem do mundo” – com eles.

Os valores de produção são paupérrimos do começo ao fim, não havendo nada que salve a não ser, talvez, a tentativa heroica de Eric Blakeney, o roteirista, de manter uma razoável semelhança com a equipe original criada por Scott LobdellChris Bachalo. O problema é que isso significou, para a direção de arte, conseguir figurinos assustadores de ruins e para a equipe de efeitos visuais colocar em tela efeitos práticos e “digitais” que não passam pelo mínimo escrutínio do fã menos exigente do mundo, ou seja, o mesmo tipo de gente que consegue ver algum valor naquela novela abissal sobre mutantes produzida pela Record. Jubileu é reduzida a uma portadora do gene X que solta estalinhos e Derme alguém que acabou de emagrecer 200 quilos e ficou com pele sobrando para todo lado aguardando uma intervenção de algum cirurgião plástico. E os demais mutantes não têm melhor sorte, talvez com exceção da Rainha Branca e Banshee, já que a manifestação de seus poderes é mais trivial, por assim dizer.

E, no meio de todo esse horror, Jack Sholder, na direção, age como se fosse um cineasta renomado (ele até fez Noite de Pânico, que é um slasher trash clássico interessante) e começa a tentar sofisticar o uso da câmera com ângulo holandês e plongées que, ao contrário do efeito desejado, retira toda a seriedade que uma mutante vestida de prateado constantemente discutindo com um irlandês de sotaque carregado que não quer saber de nada poderia ter. E, como todo filme com direção fraca e elenco próximo do amador, as atuações são enterradas debaixo de exageros como o já citado histerismo irritante e caricatural de Matt Frewer – de longe o ator mais experiente do longa – ou a pseudo-rebeldia de Jubileu que mais parece uma criança cujos pais se recusaram a comprar um doce.

Considerando que a CBS tentou por três vezes em dois anos seguidos emplacar séries do Doutor Estranho e do Capitão América por intermédio de longas, com resultados desastrosos, não é surpresa alguma que a Fox tenha tentado o mesmo com mutantes. A surpresa vem mesmo pela produtora ter tentado apenas uma vez e, apenas quatro anos depois, ela mesma ter efetivamente catapultado todo o Universo Cinematográfico Mutante com direito a diversos filmes e duas séries de TV (uma delas, Legion, absolutamente sensacional) a partir do inovador longa de 2000. Mesmo assim eu reivindico meu poder de desver essa atrocidade chamada Geração X.

Geração X (Generation X, EUA – 1996)
Direção: Jack Sholder
Roteiro: Eric Blakeney (basedo em criação de Scott Lobdell e Chris Bachalo)
Elenco: Finola Hughes, Jeremy Ratchford, Amarilis, Heather McComb, Bumper Robinson, Agustin Rodriguez, Suzanne Davis, Randall Slavin, Matt Frewer
Duração: 87 min.

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