Home FilmesCríticas Crítica | Godzilla: Cidade no Limiar da Batalha (2018)

Crítica | Godzilla: Cidade no Limiar da Batalha (2018)

por Luiz Santiago
256 views (a partir de agosto de 2020)

Produzido pela Toho Animation e animado pela Polygon Pictures, Godzilla: Cidade no Limiar da Batalha (2018) é a segunda parte de uma trilogia começada com Planeta dos Monstros (2017), originalmente lançado nos cinemas japoneses em 18 de maio de 2018 e na internet, com distribuição pela Netflix, dois meses depois. Em teses gerais, a obra se passa alguns dias depois do final do primeiro filme, mostrando Haruo (Mamoru Miyano) se recuperando em uma aldeia que mais adiante descobrimos ser dos Houtua, uma espécie evoluída dos humanos, desenvolvida ao longo de 20 mil anos após a fuga das 15 mil pessoas nas naves Oratio e Aratrum, durante o ataque destruidor de Godzilla em 2048.

Se por um lado entendemos certas escolhas do roteiro de KozakiUrobuchi pra guiar a continuação, é quase impossível não se irritar com a aparência de colossal perda de tempo, atrasando desnecessariamente a relação da raça de Maina e Miana com Mothra e entregando toda a história a uma luta fake contra Godzilla (importante lembrar que já tivemos luta contra um kaiju falso em Planeta dos Monstros. Aqui, o monstro é o certo, mas a luta não), só para mostrar uma cidade Mecha que, a bem da verdade, de nada serve para um real andamento da história. Se pensarmos exclusivamente em composição de enredo para a trilogia, entenderemos que, por mais enrolado que o primeiro filme tenha sido, ele ao menos conseguiu estabelecer e avançar com algo. Aqui, entre mistérios desnecessários e muita enrolação, tivemos unicamente o estabelecimento dos humanos na Terra e uma tentativa de ataque, algo que poderia tranquilamente ser feito através de elipses competentes e uma boa montagem num único filme.

Como sempre acontece em histórias que não avançam, o roteiro se entrega por completo a dramas pessoais, seja em brigas de laços de poder (militar, político) ou em laços fraternos e amorosos. E não é como se esses elementos fossem descartáveis para uma história como essa, afinal, o espectador precisa ter um núcleo de aproximação com alguns personagens para que a conquista do planeta se torne algo interessante, dentro da concepção heroica que os kaiju constroem por si só, e já observávamos algo nesse sentido desde a estreia do lagartão em 1954, portanto é algo necessário (em pequena medida). Todavia, o que se passa aqui é uma corrida em círculos do roteiro, que de início desvia a nossa atenção daquilo que realmente importa, cria toda uma proto-hostilidade entre humanos e Houtua para então deixar esses humanos do futuro em quinto plano narrativo, chegando ao cúmulo de repetirem a estadia das “filhotes” (as Sacerdotisas de Mothra, como sabemos) fora da caverna, enquanto toda a ação estava acontecendo.

É como se a produção, à guisa de (confusa) homenagem, repetisse parte dos erros visuais de Mothra vs. GodzillaGodzilla vs. Ghidorah, e isso apenas para efeito didático. No fim das contas, algumas boas ideias acabam sendo sabotadas por essas estranhas representações ou relutância do roteiro em ser objetivo, especialmente quando investe em criar conflito para algo que não terá absolutamente nenhum impacto no terceiro filme, tendo apenas a função de criar explosões, um momento de dor e um conflito militar interno que se encerra com o mais amargo saber de anticlímax esperado para um filme com Godzilla e o nanometal do Mechagodzilla em cena. A pouca ajuda da trilha sonora na primeira parte também incomoda o espectador. A má inserção de plácidas melodias ao piano em uma Terra ameaçada não é o que podemos chamar de escolha sábia do compositor, que só altera a percepção na reta final da obra, entregando o tipo de música que um kaiju realmente deve ter.

A fotografia da reta final da obra é a melhor parte técnica do filme. Ver Godzilla receber um ataque massivo, como o que aconteceu a ele, ter a ação temporária de congelamento por conta do nanometal e transformar isso em calor, brilhando gloriosamente daquele jeito, é uma das muitas superações do monstro que tanto gostamos de vez em seus filmes. ISSO sim é Godzilla. Pena que, para um filme de monstro, quem tem realmente espaço aqui são os humanos. E como eu já disse em Godzilla vs. Ebirah, não tem para onde correr: se é filme de monstros, o destaque tem que ser dado aos monstros e acabou. Qualquer coisa diferente disso… é golpe. Quem sabe a produção não faça do fechamento da trilogia uma obra verdadeiramente de Godzilla? Ghidorah com certeza vai aparecer. E pelo menos a larva de Mothra deve dar as caras. É disso que estou falando. Monstros em filme de monstro. Podem mandar que a gente gosta.

Godzilla: Cidade no Limiar da Batalha (Gojira: kessen kidô zôshoku toshi / Godzilla: City on the Edge of Battle) — Japão, 2018
Direção: Hiroyuki Seshita, Kôbun Shizuno
Roteiro: Yusuke Kozaki, Gen Urobuchi
Elenco: Kana Hanazawa, Ken’yû Horiuchi, Yûki Kaji, Kenta Miyake, Mamoru Miyano, Kazuya Nakai, Ari Ozawa, Takahiro Sakurai, Tomokazu Sugita, Jun’ichi Suwabe, Reina Ueda, Kazuhiro Yamaji, Kanehira Yamamoto, Junichi Yanagita
Duração: 101 min.

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41 comentários

Disque observador 4 de maio de 2020 - 22:55

Uma coisa que achei BEM estranha no filme mechacity(2 filme da cidade no limear) é que os arpões de EMP foram derretidos com a forma burning(calor +1000 graus Celsius) sendo IMPOSSÍVEIS de emitir sinal de EMP, Então isso foi um grande furo pois os arpões derrotaram a EMP também derreteu ele podia ter explodido o resto da mechacity.

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Fórmula Finesse 14 de agosto de 2018 - 16:14

Filme arrastado como o andar do bicho; parece mais uma montanha que emite raios…um pouco mais de agilidade e vivacidade (a desculpa da idade não cola), não fariam mal algum.
Uma pena, a técnica é de encher os olhos.

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Luiz Santiago 14 de agosto de 2018 - 16:52

A idade realmente não cola como desculpa…

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Luiz Santiago 13 de agosto de 2018 - 18:58

HAHAAHAHHHAHAAHHA são as muitas contradições e furos dessa “maravilha” LOL as perguntas de 1 milhão de dólares!

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Nagisouichirou 13 de agosto de 2018 - 07:03

Filme bacana, explorou bem melhor as diferenças entres as espécies, …., só não entendo, se o godzilla é um soh, além de grande e lento…….então porque não construíram uma espécie de cidade móvel para nunca se encontrar com o bichano, já que possuiam recursos tecnológicos ilimitados….., porque a nave humana não se locomove até o outro polo da terra para não ter risco de ser atacada pelo godzilla……e…..pq os caças/motocas voadoras, atacavam e faziam um circulo ao redor do bixo, ao invés de passar direto, pq com a volta o bicho usava o sopro…..mas então para que era a volta lol?

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Luiz Santiago 23 de julho de 2018 - 13:49

AHUAHUAHUAHUHAUHAUAHUHUAAHUAHU EU TO GARGALHANDO!!!!

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vc falou em pipoca? 21 de julho de 2018 - 18:58 Responder
Luiz Santiago 21 de julho de 2018 - 19:47

Eu tô é emocionado!

Filme de monstro com monstro??? A COISA COMO DEVE SER??? Já pode pegar meu dinheiro, estarei na pré-estreia! hahahahahahhahahhahah

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planocritico 21 de julho de 2018 - 21:39

Eu não ficaria feliz ainda não… Está com a MAIOR CARA de que TUDO de luta de monstro do filme está no trailer… Serão 120 minutos de diálogos introspectivos e depressivos entre os personagens humanos e 5 minutos de monstro vs monstro espalhados ao longo da duração do filme… Algo como Psicose, só que só com a cena final de Norman Bates no sanatório… HAHAHHAAHAHHAAHAHAHAHAH

Ritter, o Monstro Pessimista.

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Luiz Santiago 22 de julho de 2018 - 02:06

SAI DAQUI SEU ESTRAGA PRAZERES!!! VAI JOGAR AREIA NO FILME DO XIMBA-LIMBA, TEU DIRETOR FAVORITO!!!!!

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vc falou em pipoca? 23 de julho de 2018 - 12:48

Já apliquei meus patronos nesse dementador miserável, ele vai preferir ir na praça do beijo com um auror.

#shinigamitreinadopelotio

Luiz Santiago 23 de julho de 2018 - 13:45

Estou reforçando esse escudo de contra-maldições também!

vc falou em pipoca? 23 de julho de 2018 - 13:58

Reforce seu haki, eleve seu cosmo e façamos a maior das genki damas

planocritico 23 de julho de 2018 - 14:15

Podem esquecer. O filme será assim:

– Amor platônico adolescente (45 minutos);
– Dramas adultos (45 minutos);
– Godzilla bonzinho como um cachorrinho adestrado (5 minutos);
– Adultos (cientistas, provavelmente) e adolescentes falando sobre o Godzilla e outros monstros, mas sem que eles apareçam além de em monitores de vídeo e filmagens tipo “found footage” fora de foco (30 minutos);
– Luta de monstros (5 minutos);

Aí estão suas pouco mais de duas horas…

Abs,
Ritter, o Apocalíptico.

vc falou em pipoca? 23 de julho de 2018 - 14:38
Anônimo 28 de julho de 2018 - 17:13
vc falou em pipoca? 23 de julho de 2018 - 12:42 Responder
vc falou em pipoca? 23 de julho de 2018 - 11:36 Responder
Luiz Santiago 23 de julho de 2018 - 12:02

Por mim, quanto mais monstro melhor! Pode colocar a galeria de kaiju inteira ahhahahahahhahhah

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vc falou em pipoca? 23 de julho de 2018 - 12:22

Aí eles vão destruir a humanidade e a continuação vai ser uma mistura de em busca do vale encantado com monstros sa.

Luiz Santiago 23 de julho de 2018 - 13:48

Daí eles podem criar uma nova geração de kaijus e fazerem 26 sequências, cada vez com mais bicho!!!

vc falou em pipoca? 23 de julho de 2018 - 13:53

Se quer uma adaptação de digimon é só pedir rsrsrs

Diego Carvalho Godinho 25 de julho de 2018 - 00:13

Gamera esta confirmado no filme, é o kaiju que a Eleven tenta tocar no trailer!

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Luiz Santiago 25 de julho de 2018 - 00:49

Por um momento eu achei que fosse a Mothra larva.

vc falou em pipoca? 25 de julho de 2018 - 08:24

dessa eu não sabia

Peter 3 de agosto de 2018 - 15:50

Não tem Gamera, é a Mothra na fase larva.

lleos 21 de julho de 2018 - 12:45

Luiz santiago foi engolido pelo Godzilla. A questão é que você analisou a obra pessoalmente, portanto algo assim não devia ser exposto como crítica. A obra tem seu enorme valor e está envolta em qualidade, o roteiro complexo foi bem trabalhado e os demais conceitos colocados de forma correta.

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Luiz Santiago 21 de julho de 2018 - 13:01

Toda crítica é uma análise pessoal. Não há exceções. Nunca houve. Nunca haverá.

Responder
lleos 21 de julho de 2018 - 13:12

Não se trata de análise pessoal, sendo assim o plano critico viraria um blog. As obras devem ser analisadas tecnicamente. O leitor sabe valorizar isso.

Você diz:
“Se o filme é de monstros o destaque tem que ser dado aos monstros e acabou”

Quer dizer então que as demais nuances não são permitidas? Se realmente pensar assim, é um triste fim.

Mas onde está a abordagem técnica nisso, a discussao!? Findou-se

Responder
Luiz Santiago 21 de julho de 2018 - 13:34

Você está errado.

Mas é fácil se educar. Pesquise. Leia a respeito. É bem simples. Fonte não falta. Volto a dizer: toda e qualquer crítica, assim como toda e qualquer opinião É um elemento pessoal. A diferença da crítica para uma opinião leiga é a estrutura de justificativa de linguagem para a qual o crítico escreve. Não deixa de ser opinião. Não fosse assim, não existiram milhões de de visões críticas sobre alguma coisa. Pense um pouco.

“”Se o filme é de monstros o destaque tem que ser dado aos monstros e acabou”

Sim, isso é o ÓBVIO ULULANTE. Filme de monstro tem que ter destaque para monstro. Assim como filme de terror tem que ter destaque para terror. Filme de cachorro tem que ter destaque pra cachorro. Documentário de guerra tem que ter destaque para guerra. Comédia romântica deve der destaque para comédia e romance. Qualquer coisa diferente disso se chama FUGA DE TEMA. Qualquer adolescente de Médio que presta atenção nas aulas de Redação e Oficina Literária sabe disso, quem dirá um crítico, que tem esse tipo de construção, em elevado patamar, como norte de análise de roteiro!

“Quer dizer então que as demais nuances não são permitidas? Se realmente pensar assim, é um triste fim.”

Eu não disse nada disso, quem está dizendo é você. Cuidado para não inventar coisas em cima de falas alheias. Isso nunca dá em nada e ainda te faz parecer… bem… digamos… desatento. hihihi

“Mas onde está a abordagem técnica nisso, a discussao!?”

Está na crítica logo acima. Favor ler com atenção.

Responder
lleos 21 de julho de 2018 - 13:50

Portanto, a sua crítica é uma opinião leiga. Acontece que a proposta do autor da obra é justamente caracterizar os diferentes contextos sobre a temática que ele se propôs. Um filme de monstro, com raças alienieniginas, tecnologias e evolução e emoções distintas foi trabalhado de forma coerente. Se você julga isso como fuga do tema em contexto é porque você não está devidamente qualificado para elaborar uma análise detalhada. E cá existe uma diferença simplória: o autor possui expertise e qualificação para trabalhar o contexto que ele achar conveniente. Não cabe a ninguém estigmatizar a obra com conceitos medievais. Fica a sugestão: analise as obras com uma abordagem mais técnica, discuta os diferentes contextos e as eventuais possibilidades. =D

Luiz Santiago 21 de julho de 2018 - 13:58

Ownnn! Queee fooofooo! Tadinho! LOL

lleos 21 de julho de 2018 - 14:44

Chola não, ensino médio!

Luiz Santiago 21 de julho de 2018 - 15:08

Claro, claro!

Marcelo Henrique 21 de julho de 2018 - 09:48

Hideaki Anno fazendo escola.
Ví várias referências a Evangelion:
Protagonista com muito receio.
Aquela falação absurda nas cenas de combate.
O jeito de repelir o bafo de radiação.
O congelamento dos pés do monstro com o tal do nano metal (baquelite no Evangelion).

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Luiz Santiago 21 de julho de 2018 - 10:40

Vamos torcer para que o terceiro filme nos dê algo diferente!

Responder
Marcelo Machado 19 de julho de 2018 - 17:46

Primeiro: bela mancada do site. Uma crítica sem alerta de spoilers.
Segundo: óbvio que ninguém é obrigado a gostar, mas eu adorei o primeiro (segundo tá na lista) porque eu comprei a idéia de usar o Godzilla como uma metáfora para o verdadeiro mosntro: o desespero. É perfeito ? Não…mas eu gostei muito da narrativa e das cenas de ação. Minha expectativa está alta para este.

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Luiz Santiago 19 de julho de 2018 - 18:10

Então, não tem mancada nenhuma. A crítica não tem spoiler.

TODAS as informações analisadas em particular foram dadas no primeiro filme, nos teasers, trailers e materiais OFICIAIS e promocionais do filme via estúdio para a imprensa ou chamadas em redes da Netflix. Quando tem spoiler, tem o aviso. Não é o caso aqui.

Quanto a recepção de um filme, gostos pessoais, perdão de maus roteiros e íntimos entendimentos de cada obra… tudo isso é a base para qualquer arte. Cada um, com base em conhecimento ou emoções, entenderá e abraçará as artes de maneira diferente. É de lei.

Responder
Luiz Santiago 19 de julho de 2018 - 15:15

É pior sim. Veja, depois venha aqui dizer. Mas em defesa da Netflix, vale dizer que ela é só a distribuidora. Pelo menos hahahahahahahha. Eu tava tão animado pra essa trilogia. E eu gosto TANTO do Godzilla… mas olha só o que vem pra nós. :'(

Responder
Magnosama 19 de julho de 2018 - 14:58

Se esse aí consegue ser pior que o primeiro,

a Netflix atinge um novo patamar em ruindade…

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