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Crítica | Godzilla vs. Mechagodzilla

por Luiz Santiago
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Último filme do lagartão atômico dirigido por Jun Fukuda, esta versão de Godzilla lançada em 1974 trouxe pela primeira vez um dos mais populares inimigos do personagem, inspirado no Mechani-Kong, a versão robótica do macacão em A Fuga de King-Kong (1967), de Ishiro Honda. Na presente aventura, descobrimos que Mechagodzilla é uma criação de alienígenas do Terceiro Planeta, que para dominarem a Terra, resolveram criar esse monstro metálico a fim de bater de frente com a única criatura do planeta azul que poderia impedir seus planos. Pois é. Eles não contavam com a fauna kaiju japonesa.

Uma das coisas que me fizeram rir bastante ao longo da projeção foi o fato de os invasores terem por baixo de seus disfarces uma cara parecida com a de um gorila, dando a impressão que estamos assistindo a uma versão bem diferenciada de Planeta dos Macacos. Essa sensação ganha reforço quando uma outra criatura surge, o tal do King Caesar, que é o antigo guardião da família real Azumi de Okinawa. Ele é uma espécie de Pokémon maltratado que foi inspirado no Shisa, o leão ou dragão de origem chinesa usado como um amuleto em casas e prédios públicos de Okinawa. E com esses três temos o time de bichos que se enfrentarão ao longo do filme (Anguirus também aparece, mas só para tomar uma surra do falso Godzilla e depois desaparecer).

Eu sempre ouvi muita gente reclamar desse filme como uma espécie de inutilidade máxima em termos de presença dos kaiju e em termos de união do núcleo dos bichos com o núcleo dos humanos. E mesmo que a obra tenha os seus inúmeros problemas, não vejo a trama aqui como uma inutilidade máxima. Há uma história de invasão em jogo e não é nada coincidência que Okinawa seja o centro das atenções, dado os conflitos políticos nessa região e a presença de bases militares da marinha americana nas proximidades. Eu normalmente tenho muitos problemas com núcleos humanos nesses filmes, mas nesse aqui admito que pelo menos dá para entender as motivações gerais e o encadeamento que o roteiro dá para os personagens, diferente, por exemplo, do longa anterior da franquia, Godzilla vs. Megalon.

Dá para lamentar o fato de que as boas cenas de luta aqui são poucas. A direção de Fukuda continua focando muito mais em explosões e planos fechados mostrando os kaiju sendo atingidos ou uma enervante repetição de golpes e movimentos que tornam muitos desses enfrentamentos um verdadeiro teste de paciência. Por outro lado, os momentos realmente marcantes deixam a gente de boca aberta. Vale aqui destacar o ataque brutal do falso Godzilla quebrando a mandíbula de Anguirus e o golpe que o verdadeiro Godzilla toma na jugular e sai sangrando abundantemente.

A presença dos policiais da Interpol faz parte de um jogo de percepção bem aplicado ao núcleo humano, jogando desconfiança no olhar do púbico e depois utilizando esses personagens suspeitos para momentos decisivos da fita. Como já é de praxe nos filmes da série, os passos finais para derrotar o monstro e trazer segurança para a Terra não são exatamente bem fluídos em Godzilla vs. Mechagodzilla, mas pelo menos o texto consegue dar um encadeamento para cada um dos kaiju aqui, inclusive fechando o ciclo do bicho elitista, que só acorda quando algum descendente da família Azumi canta uma canção para ele. Uma espécie de Mothra familiar. E claro, o sucesso de Mechagodzilla foi tanto, que ele voltaria já no filme seguinte para mais uma vez lutar contra a sua versão de “carne e osso”.

Godzilla vs. Mechagodzilla (Gojira tai Mekagojira) — Japão, 1974
Direção: Jun Fukuda
Roteiro: Jun Fukuda, Masami Fukushima, Shin’ichi Sekizawa, Hiroyasu Yamaura
Elenco: Masaaki Daimon, Kazuya Aoyama, Reiko Tajima, Akihiko Hirata, Hiromi Matsushita, Hiroshi Koizumi, Masao Imafuku, Bellbella Lin, Shin Kishida, Gorô Mutsumi, Daigo Kusano, Takayasu Torii, Kenji Sahara, Yasuzô Ogawa, Takamitsu Watanabe
Duração: 84 min.

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