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Crítica | Godzilla vs. Megalon

por Luiz Santiago
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Apesar de não ser um bom filme, Godzilla vs. Megalon tem um princípio de construção de seu problema central que é bem interessante. Aqui vemos pela primeira vez o Reino Submarino de Seatopia, uma civilização antiga que vive nos moldes das sociedades greco-romanas e que sempre esteve em paz com a sociedade dos homens. Isso até a primeira metade do século XX, quando a poluição e os testes nucleares em ilhas marinhas atingiram esse povo pacífico. Como resposta, eles resolvem invocar o Deus Megalon e, mais adiante no filme, pedir uma ajuda galática, conseguindo Gigan para lutar por eles.

Notem que a motivação do povo de Seatopia é absolutamente legítima, e os errados da história, por princípio, são os homens. Trata-se de uma reação poderosa que os humanos respondem de duas formas, a primeira com o robô Jet Jaguar, que está costurado ao núcleo humano todo bobinho e com o mínimo de sentido possível, como é de praxe; e a segunda com Godzilla, que a esta época já era o amigão da humanidade, defendendo a Terra e seus habitantes dessas ameaças monstruosas — mesmo que a ameaça, como no presente caso, seja um contra-ataque.

A trama fora dos kaiju consegue ser uma das menos simpáticas que a gente já teve em toda a Era Showa, mesmo com uma criança em cena. Os personagens basicamente protagonizam cenas simples de ação que inicialmente ligam o enredo a Seatopia e, logo depois, fica como bloco de “sustentação emocional” para o Jet Jaguar. Já aí o roteiro abandonara qualquer tentativa de dar sentido, mesmo com os absurdos desse Universo, ao encadeamento das cenas com os humanos. Muitas dessas ações simplesmente são abandonadas no meio do ato e o espectador não entende por que tanto esforço para, no final, deixarem inacabado o que precisavam fazer. Penso que pior do que dar real atenção para um núcleo humano num filme kaiju é dar atenção para um núcleo humano que não consegue se sustentar minimamente, engajando o espectador em algo.

Quando olhamos para os bichões, porém, a coisa passa por uma trilha diferente de mudanças. É verdade que o diretor Jun Fukuda (em seu quarto filme da série, o segundo pior depois de Godzilla vs. Gigan) não colabora muito na condução da primeira parte, quando a atenção está voltada para o ataque de Megalon. A montagem consegue algumas boas sequências nesse começo, mas depois também segue os passos do diretor, mantendo o ciclo de repetições que saturam o espectador e que é alternado para o avanço da estupidez no bloco dos humanos. Todavia, nos 20 minutos finais, essa configuração chateante é colocada de lado. Formam-se duas duplas e a batalha final nos mantém atentos e entretidos com aquilo que de melhor podemos esperar de um filme do Lagartão Atômico.

Godzilla vs. Megalon é carente de uma integração inteligente entre seus núcleos e possui um grande desequilíbrio de qualidade na direção entre a sua primeira e segunda metade. No enredo-base, não temos nada verdadeiramente diferente do que vimos antes na série, o que está tudo bem, pois a porradaria entre os bichões é o que importa. Mas a gente sabe que um filme do gênero não vem apenas com isso.

Godzilla vs. Megalon (Gojira tai Megaro) — Japão, março de 1973
Direção: Jun Fukuda (não creditados, dirigindo apenas as primeiras cenas do filme: Yoshimitsu Banno e Ishirô Honda).
Roteiro: Jun Fukuda, Takeshi Kimura, Shin’ichi Sekizawa
Elenco: Katsuhiko Sasaki, Hiroyuki Kawase, Yutaka Hayashi, Robert Dunham, Kôtarô Tomita, Ulf Ôtsuki, Gentaro Nakajima, Sakyo Mikami, Fumiyo Ikeda, Kanta Mori, Shinji Takagi, Hideto Odachi, Tsugutoshi Komada, Kenpachirô Satsuma, Ralph Jesser, Haruo Nakajima
Duração: 81 min.

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