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Crítica | Golpe Fulminante

Fulminando a qualidade.

por Ritter Fan
524 views (a partir de agosto de 2020)

Sem nem dar tempo para respirar, o diretor chinês Tsui Hark e o ator/lutador belga Jean-Claude Van Damme repetiram a parceria de A Colônia já no ano seguinte, com Golpe Fulminante, que também marca a segunda parceria de Van Damme com o roteirista Steven E. de Souza, depois do fraquíssimo Street Fighter. Como o título original – Knock Off – deixa entrever, trata-se de uma obra que tem como pano de fundo temático os produtos falsificados oriundos da China e se encararmos o longa como uma versão “pirata” do que a dupla fez em 1997, a pegada metalinguística seria brilhante. No entanto, desconfio fortemente que a intenção passou longe disso e, portanto, Golpe Fulminante acaba sendo uma tentativa vergonhosamente falha de se fazer comédia de ação.

Exatamente como o tênis “Pumma” que Marcus Ray (Van Damme) usa no começo da projeção e que vai se decompondo durante uma até muito bem bolada corrida de riquixá, com ele levando seu sócio Tommy Hendricks (Rob Schneider) como passageiro, o filme vai também se esfacelando na medida em que a narrativa progride. Na verdade, deixe-me ser um pouco mais preciso, pois usar “narrativa” é uma bondade enorme com o que o roteirista escreveu. Afinal os 30 minutos iniciais – um terço da duração! – que tentam criar aquela impressão de comédia pastelão, falhando miseravelmente, acabam sendo a antítese de uma narrativa, estando muito mais parecido com uma colagem de esquetes incompreensíveis que ficam pior ainda com o diretor tentando competir com o roteirista na tentativa de chamar a atenção do espectador.

Pois é bem isso: não bastasse o texto terrivelmente ruim, Tsui Hark parece fazer questão de clicar em todos os botões disponíveis em sua câmera e, depois, ilha de edição, criando um longa que parece ter sido feito por um pré-adolescente testando pela primeira vez as funções disponíveis em algum aparelho eletrônico novo. São cortes abruptos, câmeras lentas, tomadas panorâmicas, ângulo holandês, close-ups, jump cuts e mais uma lista enorme de trejeitos que não cumprem nenhuma função que não seja a de chamar atenção para si mesmas e cansar o espectador antes mesmo que a tal corrida pelas ruas de Hong Kong acabe.

A quantidade de reviravoltas na história que parece ter alguma relação com nanobombas de fogo verde (sim, fogo verde!!!) que a máfia russa, por alguma razão qualquer, quer colocar em produtos destinados a serem distribuídos pelo mundo seria engraçada se o diretor encarasse o filme como um completo nonsense, mais ou menos como fez em A Colônia. Mas o que havia de cola narrativa e até charme em seu longa anterior, aqui desaparece por completo, mais parecendo, como eu disse no começo, uma versão mal feita de seu primeiro filme hollywoodiano como são todos os produtos vendidos pela dupla protagonista.

Falando nela, a escalação de Schneider deve ter sido um plano brilhante de Van Damme, só pode! Afinal, o pretenso comediante – se alguém realmente acha o sujeito engraçado, favor visitar a ala psiquiátrica do hospital mais próximo – é tão ruim, mas tão ruim em absolutamente tudo o que ele tenta fazer aqui em Golpe Fulminante, que, de repente, o belga parrudo parece o Laurence Olivier dos espacates. Chega a dar dor de cabeça ver Schneider tentando atuar e é um alívio quando a câmera ensandecida do diretor foca em Van Damme fazendo suas caras e bocas aleatórias que não tem relação alguma com o que está acontecendo na tela. Mas, justiça seja feita, nem o normalmente simpático Paul Sorvino tem alguma chance neste filme e o elenco é homogeneamente fraco demais, com Schneider sendo a exceção, pois nem dá para chamar o sujeito de ator, a não ser que, na linha do tema do filme, ele esteja espertamente vivendo uma falsificação de ator.

E não, não. Golpe Fulminante não está na categoria de “é tão ruim que é bom”. Essa é a categoria de A Colônia, não tenho dúvida, mas, aqui, a dupla Tsui Hark e Steven E. de Souza, competindo por atenção, fazem um estrupício audiovisual que dá vontade de largar na primeira meia hora e isso sendo bastante condescendente. Sem dúvida que há filmes piores por aí, mas este longa faz o que de ruim Van Damme teve em sua carreira até esse ponto parecerem verdadeiras obras-primas.

Golpe Fulminante (Knock Off – EUA/Hong Kong/Aruba, 1998)
Direção: Tsui Hark
Roteiro: Steven E. de Souza
Elenco: Jean-Claude Van Damme, Rob Schneider, Lela Rochon, Michael Fitzgerald Wong, Carman Lee, Paul Sorvino, Wyman Wong, Glen Chin, Wes Wolff, Moses Chan
Duração: 91 min.

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