Crítica | Gotham – 5X06: 13 Stitches

  • Contém spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos episódios anteriores.

Gotham move-se em um ritmo tão ágil que os status quo dos seus personagens principais já são completamente redefinidos ao término de 13 Stitches, sexto episódio da última temporada da série. O cenário do enredo, no começo, continua o que previra o capítulo passado, com Gordon (Ben McKenzie) sendo perseguido por Nygma (Cory Michael Smith), personagem que é controlado através de um chip implantado em sua cabeça. Enquanto em várias situações, a direção do próprio Ben McKenzie promove um senso de velocidade competente, noutras sua visão peca em conciliar pressa com coesão, e até mesmo uma montagem que conseguisse ajudar na manutenção de ritmo para os acontecimentos presenciados por aqui. Dos males o menor, pois o texto consegue ser pior.

Mas Ben McKenzie é um diretor mais que satisfatório, com mais personalidade que outros ocupantes prévios dessa cadeira. Várias das suas sugestões visuais mostram uma consciência apurada do cineasta em sair dos conformes. A começar justamente pela sequência inicial, na qual o artista enxerga como necessário o uso de planos mais longos, perseguindo Gordon com a sua própria câmera. Gotham, nesse momento em específico, abraça o gênero de ação de uma maneira mais pura, sem os resquícios de um formato televisivo pouco interessado em oportunidades “cinematográficas”. Já outros segmentos, como o combate entre Gordon e Eduardo (Shane West), previamente revelado como um dos responsáveis pelo massacre dos civis, são menos inspirados.

Uma das principais causas para essa diminuição de vigor na direção remete ao número de tramas que acompanham o episódio. McKenzie não consegue estruturar o plano mirabolante dos mocinhos, que é invadir o GCPD e expor Eduardo “Bane” aos veículos de imprensa, de um modo energético. Contudo, as tantas partes da estratégia são intercaladas roboticamente. Quando Gordon e Eduardo começam a se enfrentar, por exemplo, a luta é interrompida e só é terminada muito mais para frente. A visceralidade no embate seria impulsionada caso o espectador permanecesse nessa cena. Por outro lado, pouco das estratégias procura ser verdadeiramente inteligente. O roteiro, que é um dos mais fracos dessa última temporada, opta por meros escapes.

E tudo de inédito que surge em 13 Stitches é desinteressante e redundante – o retorno de Lee (Morena Baccarin), muito mais abrupto porque a ex-esposa de Gordon não era mencionada nessa temporada, e a aparição de Walker (Jaime Murray), uma personagem que tem cara, jeito e as vontades típicas de uma certa “Filha do Demônio“. A quinta temporada da série parece até reencenar O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Uma terra de ninguém, enquanto um super-vilão tenta limpar Gotham do seu mal, em meio a julgamentos extra-judiciais, bandidos à rodo, Bane e uma pessoa por trás do personagem, sendo que essa mente arquitetora de tudo era supostamente do bem anteriormente. Tais semelhanças entre as mídias não são coincidências, certamente não.

O quanto 13 Stitches é repetitivo, no entanto, também cansa. A premissa envolvendo o Charada retorna no mesmíssimo episódio, após a sua mente ser consertada, com o retorno de Lee, e, para variar, um outro chip ter sido implantado em seu cérebro. Aliás, quem apostou na gravidez de Barbara (Erin Richards) acertou, mas não vai ganhar recompensa não. Ficou muito na cara, não ficou? O encaminhamento dado a Gotham revelaria ser o mais previsível possível, sem surpresas alguma, caso não fosse o fato de Jeremiah (Cameron Monaghan) ainda estar vivo, um personagem muito mais interessante que todos os demais. Já essa versão de Bane, em contrapartida, é um vilão que tem seu passado jogado em meio a diálogos com pouquíssimo peso.

Mas Jeremiah desponta, ao sequestrar Alfred Pennyworth (Sean Pertwee), muito mais como uma ameaça secundária do que como um antagonista entrelaçado com a narrativa central. Em outra instância, as cenas envolvendo o personagem servem para mostrar o quão Ben McKenzie poderia agregar realmente à série como diretor. Com uma aura de horror muito forte, Cameron Monaghan ganha espaço de sobra para divertir-se com a sua loucura, em ângulos mais ousados que fortalecem o temor do personagem pelo vilão. Sobra o humor para sustentar o interesse do público, em cenas mais cômicas protagonizados por Nygma, e pelo arco – um pouco gratuito, porém engraçadinho – vivido por Selina (Camren Bicondova) e Oswald (Robin Lord Taylor). E agora, Jim?

Gotham – 5X06: 13 Stitches (EUA, 14 de fevereiro de 2019)
Showrunner: Bruno Heller
Direção:
 Ben McKenzie
Roteiro: 
Seth Boston
Elenco: 
Ben McKenzie, Donal Logue, Robin Lord Taylor, David Mazouz, Sean Pertwee, Cory Michael Smith, Camren Bicondova, Erin Richards, Cameron Monaghan, Shane West, Jaime Murray, Morena Bacarin
Duração: 
44 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.