Crítica | Gotham – 5X07: Ace Chemicals

  • Contém spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos episódios anteriores.

Ace Chemicals é um sucessor estranho ao último episódio dessa quinta temporada de Gotham, 13 Stitches. A presença de Jeremiah (Cameron Monaghan) na temporada, de certa forma, soa como filler, como um rompimento à narrativa central, que envolve muito mais a presença de Eduardo (Shane West), o futuro Bane. Portanto, os passos dados pela série parecem ser extremamente desengonçados, porque não conseguem amarrar vários arcos, tramas e personagens organicamente, como até conseguia no início da temporada, sob uma lógica própria de terra de ninguém. O início competente originou um desenvolvimento fraco, sem interessar os espectadores.

Os roteiristas decidem abrir mão de carregar o espectador de um episódio para o outro de maneira sincera. A gravidez de Barbara (Erin Richards), por exemplo, não foi um gancho o suficiente. Gotham está abandonada e uma criança que ainda não nasceu é realmente um tabu agora? Tudo envolvendo a personagem, Lee (Morena Baccarin) e Jim Gordon (Ben McKenzie), nesse sentido, é derivativo de novelas adolescentes, não de uma série de televisão que, supostamente a essa altura do campeonato, já estaria madura. Em Ace Chemicals, qual é o gancho sugerido? Barbara fugindo da cidade junto a Oswald (Robin Lord Taylor) e Nygma (Cory Michael Smith). E o Coringa?

Justamente na sua última temporada, Gotham não poderia estar mais inconsequente. Bruce (David Mazouz) enfrenta Jeremiah, contudo, quais as consequências, nem que fossem psicológicas, ao personagem? Não existem. O episódio termina praticamente idêntico a como começou, apenas que o palhaço deixou de ser um problema a mais ao garoto. Tudo isso só para dar uma origem definitiva ao Coringa. Ora, Jeremiah já não era o Coringa? O visual já estava muito próximo, ao menos. Criam um grandioso monumento a essa transformação definitiva que não poderia ser mais mequetrefe. Eu não reclamaria se Gordon ou pelo menos alguém fosse morto, revisando o cenário.

Mesmo assim, Cameron Monaghan é um ator excelente para o papel que interpreta e consegue engrandecer várias das cenas contidas nesse episódio. Interagindo com Mazouz, Cameron minimiza o intérprete do futuro Cavaleiro das Trevas. O texto, por outro lado, também consegue ser um auxiliar superior a Jeremiah do que a Wayne. O garoto não possui muitas semelhanças ao comportamento de um possível Batman, embora não seja mesmo. Ao entrar no Teatro Monarch, grita o nome do seu arqui-inimigo e repete novamente essa abordagem escandalosa. E o episódio vai redundando-se, apesar dos contextos distintos, com o mesmo esquema enfadonho: “Jeremiah!

O ápice do roteiro, por fim, é a re-encenação de A Marca do Zorro. Cameron vive a melhor cena do seu personagem nessa temporada, pelo menos até agora, e encarna o mascarado com ironia. No entanto, outros vários momentos potencialmente incríveis, criativos, são diminuídos por uma montagem que intercala Bruce revivendo a morte dos seus pais com as desventuras ordinárias de Gordon e Lee – que são apenas desculpas para o protagonista da série continuar na ativa. E Jervis Tetch também retorna, em uma ponta que não ganha mais estofo. Já em seu camarim próprio, Jeremiah reitera-se como um alicerce para a série, entretanto, que, agora, Gotham jogou no ácido.

Gotham – 5X07: Ace Chemicals (EUA, 21 de fevereiro de 2019)
Showrunner: Bruno Heller
Direção:
John Stephens
Roteiro: 
Tze Chun
Elenco: 
Ben McKenzie, Donal Logue, Robin Lord Taylor, David Mazouz, Sean Pertwee, Cory Michael Smith, Camren Bicondova, Erin Richards, Cameron Monaghan, Shane West, Jaime Murray, Morena Bacarin
Duração: 
44 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.