Crítica | Gotham – 5X08: Nothing’s Shocking

  • Contém spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos episódios anteriores.

Última temporada de Gotham. Última. E, ainda por cima, uma temporada encurtada, com menos capítulos. Mas os roteiristas do seriado realmente acreditaram que um episódio majoritariamente filler seria importante para os espectadores. Por exemplo, alguém queria verdadeiramente saber sobre o passado de Bullock (Donal Logue)? Uma das tramas aponta isso. Queria ver o surgimento de três vilões novos na série, e que provavelmente não retornarão novamente? Cada uma das tramas traz isso consigo. Numa, Edward e Oswald encontram um antigo rosto conhecido. Noutra, certos policiais parceiros de Harvey no passado são mortos. E, na última premissa apresentada, Bruce se encaminha com Alfred aos esgotos da cidade, atrás de uma macabra ameaça misteriosa.

Mesmo assim, a presença do Ventríloquo, após o retorno de Arthur Penn (Andrew Sellon), que estava aparentemente morto, impressiona pela graça, instigando-nos a acompanhá-la. Nesse arco em específico, Gotham, apesar de acabar desperdiçando um ótimo personagem – por também estar nos últimos minutos do seu segundo tempo -, consegue combinar o seu tom, naturalmente cômico, com a narrativa em questão e o seu propósito. Edward e Oswald não conseguem acreditar no relacionamento entre o Sr. Scarface e Arthur. Nothing’s Shocking enxerga aquela psicose de uma maneira jocosa, o que justifica também a série não ter dado atenção a explicar mais crivelmente o que aconteceu com Arthur e por quê o secretário do Pinguim sobreviveu. Eis a piada.

Quando uma série combina premissas soltas, como essa, e ainda consegue, além de torná-las empolgante durante o pouco tempo que dura, também conciliar com alguma narrativa maior, mesmo que pequena, o filler funciona mais. Oswald (Robin Lord Taylor) e Edward (Cory Michael Smith) se aproximam ao serem confrontados por um ser – ou seres, possivelmente – ainda mais perturbado que os dois juntos e misturados, nesse caso o Ventríloquo e o Sr. Scarface. O resto, porém, é uma bagunça menos graciosa. O arco de Bullock mostra-se gratuito, soa falso, ainda mais porque aparece do nada. Já o homem réptil nos esgotos – remete bastante ao Crocodilo – surge como mero pretexto para explorar uma culpa de Alfred (Sean Pertwee). Não funciona tanto.

O pior: Gotham simplesmente avança no tempo de uma maneira errática, sem se preocupar com o conteúdo que estabelecera previamente. Cadê Jeremiah, desfigurado pelo ácido? Onde está Lee? E Selina Kyle, simplesmente despareceu? Gotham possui pouquíssimos episódios restantes e não conseguiu, por exemplo, explorar uma possível guerra entre as gangues de super-vilões, que até previu em Year Zero. O grupo do Espantalho, o grupo do Sr. Frio. Gotham poderia ter uma última temporada que remetesse ao jogo Batman: Arkham City, sem precisar de uma amarração super complexa e conspiratória, porém, necessariamente um certo nível de coesão. O que resta, no entanto, são fillers para preencher um tempo que a série, para início de conversa, nunca possuiu.

Gotham – 5X08: Nothing’s Shocking (EUA, 28 de fevereiro de 2019)
Showrunner: Bruno Heller
Direção:
 Ben McKenzie
Roteiro: 
Seth Boston
Elenco: 
Ben McKenzie, Donal Logue, Robin Lord Taylor, David Mazouz, Sean Pertwee, Cory Michael Smith, Camren Bicondova, Erin Richards, Cameron Monaghan, Shane West, Jaime Murray, Morena Bacarin
Duração: 
44 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.