Crítica | Gotham – 5X09: The Trial of Jim Gordon

  • Contém spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos episódios anteriores.

Última temporada de Gotham. Última. E, ainda por cima, uma temporada encurtada, com menos capítulos. Mas, novamente, os roteiristas do seriado realmente acreditaram que um episódio majoritariamente filler seria importante para os espectadores. Engano. O começo dessa crítica é uma reiteração dos meus pensamentos acerca de Nothing’s Shocking. Agora, pelo menos, sei que tais episódios foram encomendados posteriormente pela emissora, após a série já ter sido concluída com apenas dez exemplares. Ou seja, são ainda mais fillers do que aparentemente seriam, porque, dada a ideia original sobre essa temporada, nem mesmo existiriam. Um requentamento das problemáticas anteriores, com a premissa incitando novos conflitos aos personagens, mas como se fossem inerentes às suas jornadas, e não propostos tão abruptamente.

O nome do episódio me incitava esperanças. Julgar o protagonista seria muito interessante, pois, ao mesmo tempo, um tribunal combinaria com o teor de despedida da série, assim como com a perspectiva distópica, usufruída com vontade apenas nos primeiros momentos dessa temporada. Em eventos anteriores, o Pinguim (Robin Lord Taylor) havia instaurado um tribunal para julgar os crimes de Victor Zsasz. O quão extraordinário seria a mesma coisa acontecer com o protetor de Gotham, em uma espécie de retorno a Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge? Contudo, esse esperadíssimo julgamento acontece meramente na cabeça de Gordon, após ser baleado em uma tentativa de propor trégua entre todas as gangues da cidade. E toda a progressão é porca. Uns cadáveres surgem carbonizados na sua mente. Jim precisava expor que são os mortos do Haven?

Em clima ainda mais entristecedor ao já estranhíssimo conceito atribuído ao capítulo, o próprio Ben McKenzie, também intérprete do personagem principal da série, é quem assina o péssimo roteiro. A exemplo, McKenzie apresenta o impasse inicial de The Trial of Jim Gordon, sobre o protagonista arriscar-se todos os dias – uma questão que a temporada em momento algum previu -, de uma forma imensamente robótica, exposta sem qualquer senso de verdade ou angústia pelas bocas de Lee (Morena Bacarin). Meio que o roteiro premedita, sem nenhuma sagacidade narrativa, acontecimentos seguintes, tornando completamente vazia a carga dramática do capítulo, que se completa com a jornada de Bruce (David Mazouz) em aceitar-se como parte intrínseca de Gotham – e vice-versa. Ben também promove uma interpretação pobre, sem mover o seu medo pela morte.

Bruno Heller, showrunner da série, nessa constante busca por outras possibilidades que evaporam-se apenas como eternas hipóteses, poderia ter pensado em premissas realmente naturais, quiçá episódios complementares uns aos outros, explorando a guerra de gangues. Bullock (Donal Logue) é um personagem que recebeu atenção anteriormente, em Nothing’s Shocking, e aqui conta com momentos até que divertidos. Por um azar dos espectadores, os roteiristas preferem uma “água de salsicha” bem chateada. Toda a trama maquiavélica impulsionada por Ivy Pepper (Peyton List) é, para os mais otimistas, genérica, prejudicada por uma montagem que quebra o ritmo burocraticamente e nunca permite qualquer das tramas serem sinceramente engajantes. Jim é, por fim, inocentado de seus “crimes”. Já Gotham é vista culpada.

Gotham – 5X09: The Trial of Jim Gordon (EUA, 7 de março de 2019)
Showrunner: Bruno Heller
Direção:
 Erin Richards
Roteiro: 
Ben McKenzie
Elenco: 
Ben McKenzie, Donal Logue, Robin Lord Taylor, David Mazouz, Sean Pertwee, Cory Michael Smith, Camren Bicondova, Erin Richards, Jaime Murray, Morena Bacarin, Chris Chalk, Peyton List, Anthony Carrigan
Duração: 
44 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.