Crítica | Gotham – 5X10: I Am Bane

  • Contém spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos episódios anteriores.

Depois de dois episódios completamente fillers, Gotham enfim decide por recomeçar a andar, como antes andava. Mas, em I Am Bane, é tanta coisa acontecendo, que a overdose de eventos apenas sufoca uma direção irregular e uma montagem extremamente descompensada. Para início de conversa, temos o nascimento de Bane (Shane West), após Eduardo Dorrance ter sido gravemente ferido em combate contra o Capitão Gordon (Ben McKenzie). O episódio, portanto, começa com uns contra plongées estranhíssimos. Tudo acontece apenas com a intenção de dar origem a um canhão musculoso – nem tanto, na verdade – para a verdadeira antagonista da temporada, Nyssa Al Ghul, enfim retirando a sua máscara de Walker, usar  – executando um plano.

Confusão generalizada é o que permeia esse capítulo – separado em muitos núcleos -, porém, não uma bagunça que enerva o senso do espectador, desnorteado em meio ao caos que os antagonistas querem propagar. É tudo, por um outro lado, preparado sem ritmo, como se avançasse as coisas, mas não impulsionasse o público juntamente a elas. Pois, ao mesmo tempo que Bruce (David Mazouz) é sequestrado por Nyssa, querendo se vingar do garoto e da mulher que mataram o seu pai, Barbara (Erin Richards), a outra vítima dessa vingança, entrou em trabalho de parto. Dizer que o roteiro da série já se perdeu em coesão é chorar um choro de lágrimas molhadas. Justamente o General Wade (John Bedford Lloyd), Wayne e Gordon são os capturados.

Como construção de mitologia, Gotham é uma série extremamente insossa, em muitas das vezes – quem se importa com o que aconteceu em Peña Dura? Já como construção de arcos dramáticos, é igualmente perdida na maior parte das vezes. São vários personagens tendo que se desvencilhar narrativamente em meio a uma montagem picotada, indo e vindo sem muita discriminação. Quem dá mais sorte é Barbara, pois sua personagem ganha uns momentos muito interessantes, que ajudam a fortalecer mitologia – a cena da mulher atirando nos assassinos, enquanto em trabalho de parto, e sentada numa cadeira de rodas, é sensacional. E também é essencial para o arco dramático – a maternidade como um momento de redenção, encaminhando-a para longe do crime.

Outros personagens não possuem tanta sorte. Quem é Bullock (Donal Logue), senão manivela narrativa de comunicação? Ora é um artifício, para que Gordon não tenha que conversar consigo mesmo, e ora é usado para avisar aos personagens de certos acontecimentos, como o nascimento da criança de Jim, que é uma garota. Eis o nascimento da futura Batgirl? Também é repetitivo reclamar da ausência de antagonistas supostamente importantes, como o Sr. Frio e o Espantalho, ambos citados no começo da temporada. Cadê eles, se Gotham está aparentemente limpa? De um outro lado, o que acontece com Alfred (Sean Pertwee), machucado, poderia ser mais interessante, caso estivesse diretamente amarrado a Bruce – um tanto perdido no episódio, como é de costume.

Que vingança mequetrefe é essa de Nyssa, em última instância? E por que Bruce precisa de anos para desvendar o mistério em questão, reiterando o mesmo comportamento adolescente e gritando à torto? “Se você me quer, você me tem”, comenta Mazouz, ou alguma coisa da espécie, logo após Nyssa apontar claramente que machucar Gordon significa machucar Bruce. Que texto fraco! Selina (Camren Bicondova) é quem acompanha o mordomo. Olha, a trajetória de Alfred não poderia ser mais poderosa caso o mordomo tivesse sido raptado? Gordon é uma figura paterna para Bruce, ou não seria Pennyworth, que está na jornada em ajudar seu garoto uma última vez? Os arcos se cruzam sem qualquer sincronia, contraditórios entre si. E esse é um marco negativo para o seriado.

Gotham – 5X10: I Am Bane (EUA, 21 de março de 2019)
Showrunner: Bruno Heller
Direção:
Kenneth Fink
Roteiro: 
James Stoteraux, Chad Fiveash
Elenco: 
Ben McKenzie, Donal Logue, Robin Lord Taylor, David Mazouz, Sean Pertwee, Cory Michael Smith, Camren Bicondova, Erin Richards, Jaime Murray, Morena Bacarin, Shane West
Duração: 
44 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.