Crítica | Gotham – 5X12: The Beginning…

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  • Contém spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos episódios anteriores.

O capítulo que encerra Gotham é, como aponta o seu próprio nome, justamente o que a começa: era isso o que você queria, aponta o showrunner Bruno Heller, o Batman tornando-se o Batman. Ou seja, os propósitos do seriado, enterrando de vez as crenças dos seus espectadores de que uma mitologia particular, uma adaptação com espírito, estaria sendo originada, são escancarados como sendo meros pretextos para chegarmos a esse auge um tanto broxante e vago. Gotham não encaminhou-se a algum lugar, sem que The Beginning soe como conclusão, o que é extremamente frustrante para quem acompanhou a série por tanto tempo e esperava um desfecho – mais um para os entusiastas de adaptações de quadrinhos, visto que Ultimato estreou na mesma semana. Enquanto que na saga cinematográfica da Marvel Studios parte da jornada é o fim, para Gotham o que existe é apenas uma reiteração mequetrefe, e de tudo que a série já reiterava por tanto tempo.

Dez anos se passaram desde They Did What?, a verdadeira conclusão dessa péssima quinta temporada. Bruce Wayne (David Mazouz) saiu de Gotham, mas agora retorna, apenas para assumir o manto que prenunciava há anos. Como se o seriado estivesse pensando algum arco verdadeiramente construído para o seu novo protagonista, ao menos um senso de importância The Beginning… poderia conter, o que não acontece em momento nenhum, sugerindo um teor ordinário ao primeiro aparecimento do Batman. Isso parece mais um piloto para alguma série animada cancelada, só que sem ser uma animação, que qualquer outra coisa realmente mais inspirada. John Stephens inspirou-se em vários arcos para a confecção do roteiro: Batman: Ano Um, Batman: O Cavaleiro das Trevas, entre outros. O que surge, entretanto, é uma derivação sem conter uma essência – e executada pobremente -, um produto que, anos antes, até que possuía certo charme.

Enquanto que o retorno de Jeremiah Valeska é acompanhado por alguma personalidade, porque Cameron Monaghan, o seu intérprete, mostrou ser uma das coisas mais sustentáveis dessa série, o restante é executado por meio de uma automaticidade desconfortável. O prelúdio, com Bruce chegando a um país pobre para começar o seu clássico treinamento – mostrado em várias origens do personagem -, é uma burocracia básica. O “plano” do personagem articula-se enquanto todos os coadjuvantes da série prenunciam a chegada de Bruce Wayne à Gotham, para a inauguração da Torre Wayne, através de um texto expositivo. O nível da produção é imensamente amador, comprovando um roteiro sem criatividade. E o senso de ameaça provocado por Jeremiah é, novamente, nulo. O desarmamento de bombas na Torre Wayne, por exemplo, é um clichê usado porcamente -, enquanto antagonistas e protagonistas aparecem mais uma última vez, apenas para redundarem um senso episódico ao seriado e, para piorar, ao seu término.

Gotham é uma série que entrou em uma zona muito confusa, enquanto misturava uma mitologia própria com uma mitologia previamente consagrada no cinema e nos quadrinhos. The Beginning… é a mesma coisa, quiçá o ápice dessas contradições. Enquanto certos elementos, como o bigode de Jim, são apenas referências vazias e piscadinhas para o público entreter-se, a série nunca os assume como esses sendo os seus propósitos, embora sejam. Logo, Gordon já raspa esses pelos. Chamar o Coringa de Coringa? Chamar o Batman de Batman? Contudo, a morte de Ecco é basicamente uma deixa para a possibilidade de uma Arlequina mesmo existir. O que Gotham tornou-se, portanto? Cory Michael Smith e Robin Lord Taylor podem usar trajes coloridíssimos e Lili Simmons, vivendo a Selina mais velha, não pode ter umas orelhas? É uma mistura estranha entre a série de televisão dos anos 60 com a trilogia cinematográfica comandada por Christopher Nolan.

Gotham – 5X12: The Beginning… (EUA, 18 de abril de 2019)
Showrunner: Bruno Heller
Direção:
 Carol Banker
Roteiro:
John Stephens
Elenco: 
Ben McKenzie, Donal Logue, Robin Lord Taylor, David Mazouz, Sean Pertwee, Cory Michael Smith, Camren Bicondova, Erin Richards, Morena Bacarin, Lili Simmons
Duração: 
44 min.

GABRIEL CARVALHO . . . Sem saber se essa é a vida real ou é uma fantasia, desafiei as leis da gravidade, movido por uma pequena loucura chamada amor. Os anos de carinho e lealdade nada foram além de fingimento. Já paguei as minhas contas e entre guerras de mundos e invasões de Marte, decidi que quero tudo. Agora está um lindo dia e eu tive um sonho. Um sonho de uma doce ilusão. Nunca soube o que era bom ou o que era ruim, mas eu conhecia a vida já antes de sair da enfermaria. É estranho, mas é verdade. Eu me libertei das mentiras e tenho de aproveitar qualquer coisa que esse mundo possa me dar. Apesar de ter estado sobre pressão em momentos de grande desgraça, o resto da minha vida tem sido um show. E o show deve continuar.