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Crítica | Gravidade

por Ritter Fan
515 views (a partir de agosto de 2020)

Saí do cinema com uma sensação cada vez mais rara de se ter com a Sétima Arte. Sabem aquela sensação gostosa de ter visto algo diferente, com um fator “uau” gigantesco, daquelas que nos fazem ter vontade de ver tudo novamente, por mais que saibamos que essa sensação não se repetirá em sua plenitude? Sabem também quando nós mergulhamos de tal maneira no filme que, quando os créditos começam a rolar, nós meio que vagarosamente despertamos de um sonho – ou pesadelo, depende da película – e demoramos uns cinco, dez minutos para entendermos o que está acontecendo ao nosso redor?

Isso tudo e mais talvez apenas comece a descrever o que é a experiência de se assistir Gravidade.

Alfonso Cuarón volta para a “ficção científica” (as aspas serão explicadas, fiquem tranquilos) depois do sensacional Filhos da Esperança, de 2006. E Gravidade também marca sua volta à direção de longas-metragens. E que retorno, meus caros leitores. E que retorno.

Em 90 minutos que passam como se fossem 15, o diretor apresenta o melhor filme de ação dos últimos anos, a melhor “ficção científica” dos últimos anos e o melhor uso de efeitos especiais dos últimos anos. E não é exagero.

Como fita de ação, o filme é a soma de longos planos-sequência extremamente tensos, quase sem diálogo e sem nenhum som que não sejam os sons diegéticos e uma trilha sonora parcimoniosa, mas potente de Steven Price, que se mistura às imagens primorosamente, começando com a ensurdecedora abertura feita unicamente para valorizar o silêncio que se segue. Cuáron, que também escreveu o roteiro junto com seu filho Jonás e trabalhou na perfeita montagem com Mark Sanger, criou uma história simples, básica mesmo, mas visceral de sobrevivência contada por meio de longas tomadas sem corte de um brilhantismo técnico que há muito não se vê e que mimetizam ao mesmo tempo que engolem os planos-sequência do próprio Cuarón em Filhos da Esperança. Os trailers do filme – ambos com duas dessas sequências sem corte – não dão sequer a dimensão do que o diretor constrói perante nossos olhos. A impressão que dá é que Cuarón queria fazer todos os 90 minutos em um só plano-sequência, mas as necessidades do roteiro o impediram.

Quando a Dra. Ryan Stone (Sandra Bullock) está consertando o telescópio Hubble em órbita da Terra, seu ônibus espacial é atingido por destroços de satélites e ela, juntamente com o experiente astronauta Matt Kowalksi (George Clooney) têm que tentar voltar à Terra. A história é simples, linear, mas, nos minutos iniciais do filme, em um balé espacial realístico comparável ao balé de naves de 2001 – Uma Odisseia no Espaço, as personalidades de cada um são estabelecidas, com a ajuda de diálogos espertamente escritos que nada mais são do que aparentes conversas de rotina com a base em Houston, perfeitamente representada pela voz de Ed Harris, que jamais aparece. E eu digo perfeitamente, pois não só ele é convincente em seu trabalho incorpóreo como o espectador consegue fazer a correlação imediata com outra obra de desastre espacial em que Harris fez o mesmo tipo de papel: Apollo 13 – Do Desastre ao Triunfo. Mas, diferente do ótimo filme de Ron Howard, Cuarón mantém todo o foco já no espaço e não perde nem um segundo em estabelecer a trama e colocar o motor em movimento.

Como “ficção científica”, o diretor nos presenteia com um épico do chamado hard science, ou seja, um trabalho fortemente galgado na realidade, que em determinados momentos funciona quase como um documentário. Há a “mochila voadora” de Kowalksi, o ônibus espacial, o telescópio Hubble, a Estação Espacial Internacional e uma estação espacial chinesa que, se ainda não existe, há planos concretos de ser lançada em futuro bem próximo. Os diálogos são todos funcionais e desvelam procedimentos que podem muito bem ser a exata réplica do que aconteceria em uma situação dessas. São expositivos até certo ponto, mas orgânicos a todo o momento. Os efeitos da gravidade sobre os corpos e objetos impressionam qualquer um e chegam a ser parte essencial da narrativa. Se em 2001 tínhamos os sapatos de velcro para impedir que a aeromoça flutuasse na nave da PanAm, em Gravidade vemos os detalhes das roupas espaciais e como os líquidos – e o fogo também! – se comportam no vácuo sem gravidade. E o que vemos diante de nossos olhos é tão impressionante que até Buzz Aldrin, o segundo homem a pisar na Lua, em entrevista à The Hollywood Reporter, deu sua chancela à película, deixando claro que o que vemos é mesmo o que acontece. E exatamente por ser a reprodução da realidade hoje existente que Gravidade não é um exemplar do gênero ficção científica e sim um thriller que se passa no espaço. No entanto, considerando que o ano de 2013 foi cheio de promessas sci-fi que não se cumpriram e que Gravidade tem vários outros elementos caracterizadores dessa categoria, classificar a obra de Cuarón como tal não é completamente fora desse mundo (com trocadilho!).

E, para realizar tudo isso, claro, há uma forte dependência da fita de efeitos especiais em computação gráfica. Mas essa dependência, aqui, é extremamente positiva, pois são esses efeitos que permitem a câmera de Cuarón passear por onde passeia sem cortes, a apresentar ângulos inusitados e a observarmos um visual arrebatador. Nada parece fora do lugar. Nada parece falso, exagerado ou menos do que seria se Cuarón tivesse filmado Gravidade em locação. É o uso maciço do CGI da maneira como todo diretor deveria usar: para contar a história que deseja organicamente. Desde espetaculares cenas de destruição até pequenos detalhes como as lágrimas de Ryan flutuando para fora de seus olhos, a câmera passeando por dentro e por fora do capacete da astronauta e o gelo se formando na escotilha da cápsula, os efeitos especiais mesmerizam e cativam, criando um universo crível, lógico e coeso.

E os efeitos também foram utilizados na renderização 3D, já que 70% da estereoscopia foi gerada no computador. Sou um grande crítico do que Hollywood fez com o 3D, banalizando-o, transformando-o em nada mais do que um artifício para arrancar mais dinheiro dos espectadores. Para o leitor ter uma ideia, só considero que essa tecnologia é realmente importante em quatro filmes: Avatar, pela novidade e pelo mundo que James Cameron criou; Caverna dos Sonhos Esquecidos, pela funcionalidade do 3D para mostrar aspectos dos desenhos nas cavernas; Pina, por nos envolver completamente na narrativa e em A Invenção de Hugo Cabret, por acrescentar tremendamente à narrativa. Gravidade acaba de entrar nesse rol e talvez em primeiro lugar, pois Cuarón é bem sucedido em ao mesmo tempo alcançar o senso de estupefação de Avatar, a imersão de Pina, além de funcionar com um eficiente elemento narrativo como em Hugo Cabret.

Nas cenas externas, no espaço aberto, o 3D permite uma profundidade de campo às vezes linda, realçando a paisagem natural que é a Terra e às vezes aterrorizante, ao nos fazer ficar atentos e próximos a várias camadas do filme: os astronautas em primeiro plano, outros mais no fundo e, ainda, o ônibus espacial, todos sob ataque dos destroços de satélites. Nas cenas internas, dentro de cápsulas de escape e de estações espaciais, o 3D realça a claustrofobia desses lugares, fazendo-nos acompanhar de perto o espaço confinado e sofrer juntamente com os atores.

E isso tudo graças ao excelente trabalho do diretor de fotografia Emmanuel Lubezki, parceiro de Cuarón em Filhos da Esperança e de Terrence Malick em A Árvore da Vida. Sabendo usar planos extremamente abertos que facilmente passam a planos mais fechados, chegando ao extremo close-up, Lubezki e Cuarón trazem à tona a beleza e o perigo do espaço e os conflitos internos da Dra. Ryan Stone.

Sandra Bullock, que durante a metade do filme só aparece com o rosto e, mesmo assim, dentro de um enorme capacete de astronauta, dá um show de atuação, em um papel muito mais natural e convincente do que o que a fez ganhar o Oscar em 2010, por Um Sonho Possível. Ela consegue uma amplitude enorme, mesmo limitada ao meio em que está, passando de cientista certinha para astronauta à deriva, a mãe torturada e à heroína de filme de ação sem deixar de ser perfeitamente crível por um segundo sequer. George Clooney faz o que tem que fazer de maneira eficiente, mas a natureza de seu papel é muito diferente do de Bullock, pelo que sua participação é mais alegórica e autoconsciente, novamente graças ao roteiro esperto que sabe brincar com o próprio ator.

Mas não esperem uma história intrincada, como já mencionado acima. Cuarón e seu filho escreveram uma aventura básica, em que os heróis têm que sair do ponto A e ir ao ponto B e assim por diante, com uma leve camada de drama pessoal para nos identificarmos com os personagens. Os inimigos são os destroços espaciais e o espaço em si, não seres humanos vilanescos ou monstros espaciais. E temos que aceitar, de certa forma, determinadas “sortes” que os personagens têm ao longo da trama, mas nada que não faça parte da necessária suspensão da descrença que, ainda que Cuarón nos exija um pouquinho mais dela do que o usual, ele compensa largamente ao literalmente nos catapultar para dentro da ação ao ponto de nos deixar sem ar juntamente com a Dra. Ryan e nos permitir alívio na desde já clássica nova versão do “ventre espacial” de 2001.

É difícil concluir uma crítica sobre um filme que o chacoalha profundamente em todos os níveis. Gravidade é uma obra-prima de ação que eleva o uso da computação gráfica a um ou dois níveis acima do que vemos por aí. Se o preço que tivermos que pagar para que Cuarón produza mais uma obra desse gabarito é outro intervalo de sete anos, que assim seja.

Gravidade (Gravity – EUA, 2013)
Direção: Alfonso Cuarón
Roteiro: Alfonso Cuarón, Jonás Cuarón
Elenco: Sandra Bullock, George Clooney, Ed Harris, Orto Ignatiussen, Paul Sharma, Amy Warren, Basher Savage Duração: 90 min.

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23 comentários

Thomaz Carvalho 13 de setembro de 2020 - 12:19

Sei que a crítica é antiga, mas…
Puts esse filme é incrível, simplesmente imersivo e lindo. Não tenho muito o que dizer além dos elogios já ditos por ti, só enfatizo a trilha sonora que é magistral, a cena final dela caminhando na terra, os sons do mar, pássaros e até às moscas somados com a incrivel música (se não me engano a única com vocal no filme) traz uma atmosfera natural e humana muito foda,essa cena é pura arte.
E aquele plano onde a protagonista fica em posição fetal, os tubos representando um cordão umbilical na nave é sensacional, daria o Oscar só por ela hahahahha

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planocritico 13 de setembro de 2020 - 14:44

A crítica é antiga, mas sempre gostamos de receber comentários e fazemos o máximo para responder!

Esse filme é uma baita experiência cinematográfica. Imagens belíssimas, trilha sonora perfeita. É um fotografia em movimento.

Abs,
Ritter.

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Bruno de Luca 16 de fevereiro de 2020 - 13:42

Aqui temos um caso de filme que tinha todos os méritos pra ser o vencedor do Oscar de Melhor Filme, mas o rival era tão forte candidato quanto… No caso, venceu 12 Anos de Escravidão (com méritos) mas se Gravidade fosse o vencedor, não haveria nenhuma reclamação da minha parte pelo menos.
Os 2 filmes são fantásticos.

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planocritico 16 de fevereiro de 2020 - 19:09

12 Anos é excelente, mas em termos de experiência cinematográfica, Gravidade foi um dos pontos altos recentes!

Abs,
Ritter.

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Gabriel Pereira 27 de maio de 2019 - 08:14

Excelente texto Ritter. Foi surreal e assustadora a experiência de ver o filme (msm no notbook), deu até aflição em certos momentos. Efeitos especiais impecáveis e na medida e aí que está a diferença. Eu não gosto quando usam muito e ainda por cima de forma artificial dms ou exagerada, aqui não, usaram muito, mas de forma sutil, leve, vc não duvida do que vê. Que experiência fantástica! Me senti estando lá com a Sandra em vários momentos, ela rodando no espaço, ela dentro das naves, os detalhes…Filme com uma história simples e história simples não é sinônimo de história sem emoção ou fraca (o que muita gente confunde), simples pq não tem tramas que se encaixam ali e aqui, plots twists, etc. Simples na direção, na continuidade, mas histórias simples bem contadas, bem representadas, bem estruturadas, resumindo, bem feita, é muitas vezes superior a histórias “loucas” que são terrivelmente mal contadas.
Não entendo a galera reclamar que o filme é chato e longo (sendo que tem 1h e 30). A obra conseguiu me prender do começo ao fim e parece que durou muito menos que as 1h e 30. Se quer reclamar de algo do filme, que já acho loucura, que reclama com argumentos bons. Usar desculpas e argumentos rasos e superficiais eu nem dou moral.
Bom, pena pra quem não gostou e não deu valor a obra prima que foi Gravidade, sem dúvida alguma um filme revolucionário em seus aspectos principais. Fico feliz quando vejo esses filmes, como é bom poder assistir a obras primas da sétima arte!
Abraço, Ritter!

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planocritico 29 de maio de 2019 - 19:31

@disqus_7JTpvCcjpL:disqus , Gravidade foi uma das experiências cinematográficas mais bacanas que tive no cinema. Muita gente menospreza o filme, mas eu o acho impressionante.

Abs,
Ritter.

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Gustavo Sousa 12 de março de 2019 - 02:13

Achei esse filme chato pra cassete, mas vou ver de novo, para ver de um novo angulo…

Responder
planocritico 12 de março de 2019 - 12:17

Acontece, @disqus_ygHdkVSeqr:disqus ! Espero que goste na segunda vez!

Abs,
Ritter.

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Um Perdido 24 de setembro de 2017 - 22:26

O filme tem duas fucking horas de duração (!): isso é um defeito pra um filme chato à milésima potência e monótono. Me senti fazendo a prova do Enem: vencido pelo cansaço. Só consegui aguentar os primeiros 26 minutos. Minha opinião amadora de merda é: fuja dessa porcaria. Interestelar e Passageiros são bem melhores.

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planocritico 24 de setembro de 2017 - 23:48

O filme tem 90 minutos, não duas horas. E eu aceito na boa quem não gosta de algum filme, mas não se a pessoa viu menos de um terço do filme.

Além disso, não sei se foi seu caso, mas ver esse filme em tela pequena é um crime. Sugiro ver até o fim.

Abs,
Ritter

Responder
Um Perdido 24 de setembro de 2017 - 23:54

Mas é um esforço hercúleo assistir isso. Deus defenda. Eu entendo que vocês críticos amaram, porque todos os sites têm resenhas positivas. Mas eu sou um asno pra cinema. Um abração.

Responder
planocritico 25 de setembro de 2017 - 17:10

@um_perdido:disqus , que “asno pra cinema” que nada! É uma questão de gosto mesmo. Nem todo filme funciona para todo mundo. Eu apenas acho que parte da experiência de qualquer filme passa por “se forçar” a ver uma obra por inteiro.

Veja só o meu caso: durante toda minha vida jovem, deparei-me com uma penca de filmes que eu odiava toda vez que assistia. Quer exemplos? 2001 – Uma Odisseia no Espaço, Zorba o Grego, Noites de Cabíria, Blade Runner e isso só para citar uns poucos. Fui insistindo, insistindo e, hoje, eu os adoro e defendo com unhas e dentes.

Mas isso não quer dizer que você acabará gostando de Gravidade. Apenas sinceramente acho que você deveria tentar ver o filme todo para chegar a uma conclusão mais definitiva para você mesmo.

Abs,
Ritter.

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JCésar 3 de março de 2014 - 15:03

Não sei se assisti o mesmo filme, pois achei chato, sem graça e meio tonto.
As únicas qualidades dele são as belas imagens (em 3D) e a atuação do diretor e da Sandra Bullock (na verdade o filme parece ser só uma exibição dos 2).

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planocritico 3 de março de 2014 - 20:38

Talvez não tenha assistido o mesmo filme JCésar, pois eu já ouvi falar de tudo sobre Gravidade, menos que é chato. A tensão criada nesse filme é uma das mais sensacionais nos últimos anos. E só imagens? E efeitos visuais, fotografia, montagem, uso da trilha sonora (e do silêncio) e, finalmente a direção? Tudo impecável. O filme é sim “só” um exercício de Cuarón, sua equipe e Bullock, mas se todo o exercício fosse assim, ficaria extremamente satisfeito com o cinemão americano… – Ritter.

Responder
Deto Alff 5 de fevereiro de 2014 - 02:06

Desculpem mas os elogios sinceros ao filme, de minha parte, são os seguintes:

Imagens fantásticas da Terra vista de grande altitude, bons efeitos especiais, montagem e fotografia impecáveis e claro, Sandrinha Bullock de blusa colada e shortinho girando em gravidade zero… nham nham! A sempre boa atuação de Clooney, e só!

O drama, seus ganchos, motivos, reações na personagem da Sandra, e a forma como ela lida com isso, sendo uma novata no espaço que sofreu uma grave perda pessoal, não me convenceram nem um pouco. A maneira como os dois engatam um diálogo como se fosse a primeira vez que se vêem, fazendo perguntas pessoais insípidas e generalizadas, como fazemos a um desconhecido a quem perguntamos as horas no ponto de ônibus, e depois por falta de algo melhor iniciamos um papo para matar tempo, me deixou bastante desconfortável. Pelo que entendo, não é bolinho reunir uma equipe e ir para o espaço. E mesmo que a personagem de Sandra tivesse entrado no ônibus de última hora, ainda assim não é como um passeio de carro. Para mim esta cena foi a mais deslocada do filme. Eles não poderiam ser assim tão desconhecidos um para o outro, por mais profissional que a relação fosse, ainda mais o personagem de Clooney sendo um texano brincalhão e descolado.

E isso para não falar nos absurdos extremamente forçados do desenvolvimento do filme.

Não acredito que em 2013 uma agência espacial russa resolva explodir um satélite usando um míssil a partir da terra tendo obrigatoriamente (a Guerra Fria acabou faz horas) que se comunicar com todas as outras agências, inclusive Houston, que lhes informaria: ó, camaradas, tem um pessoalzinho nosso lá, yankee, que tá dando um trato no bino lá em cima, então será que tem como vocês deixarem para detonar esse esquema aí outro dia? Vai que pega uma lasca de titânio NA CARA DO INDIANO, O PRIMEIRO A MORRER TEM QUE SER UM FOREIGNER OU UM EBONY GUY, e aí vamos nos incomodar com a viúva, etc. e tal.
Aí quando o Clooney começa a rebocar a gost… digo, a Bullock, o oxigênio tá digamos em 15% e vai baixando a uma média de 1% a cada 30 segundos. Daqui a pouco ela avisa que o oxigênio tá tipo em 1% e eles ficam uma meia hora trocando idéia!
E quando o camarada chega com ela para deixar ela em segurança na estação espacial russa, acho que é russa, ele simplesmente resolve que não vai se salvar, vai ficar vagando pelo espaço até virar um meteorito em algum planeta por aí.
Depois ela vai para outra estação, e vale lembrar que devido à bronquice dos camaradas russos, não tem mais comunicação alguma com Houston. Porém ali ela consegue contato com um camarada na terra que cria cachorros e fala uma língua que me parece do sul da Ásia ou coisa que o valha. Provavelmente o cara tem uma antena de rádio amador feita de cabide de arame que ele amarra na árvore mais alta do meio de mato onde ele vive e CONSEGUIU FALAR COM ELA, ENQUANTO HOUSTON COM ANTENAS DO TAMANHO DO BEIRA-RIO NÃO CONSEGUE!

Só vou concluindo falando do pior de tudo que é o fato de ela ter reentrado, caído no mar e sobrevivido. Nem vou dar detalhes para não me estressar.

Antes que me apedrejem, quero dizer que não desgostei totalmente. Já dei os elogios lá no início. Minha opinião é que poderiam fazer um drama com o tema da mãe que perdeu a filha, do relacionamento mestre e aluno, do sentido da vida humana em relação ao que é importante para o indivíduo, da claustrofobia emocional que é, parafraseando Fehr Olivera, “vivir sin aire”, viver sem uma pessoa que te dava alegria e esperança, sim, esse drama poderia ser feito com todas estas nuances e ficaria muito bom, mas usando um outro tema, que permitisse que o contador da história tivesse que se preocupar somente com o sentimento e suas evoluções e resultados. E também poderiam fazer um filme de boa ficção e bons efeitos sobre astronautas numa fria, sem uma carga dramática que sirva de breque (de mão!) para cenas de ação e explosões que em 3D deve ser um belo espetáculo.

Minha opinião é que quiseram misturar demais das duas coisas e acabou ficando agridoce demais…

Bem, as ever, um honesto abraço e vamos criticando, que o bagulho é louco!

Responder
planocritico 5 de fevereiro de 2014 - 16:34

Jamais apedrejaria um leitor, Deto. Suas críticas e comentários ao filme são interessantes. No entanto, creio que, se olharmos cada filme com a lupa que você olhou Gravidade, não vai sobrar pedra sobre pedra. Gravidade tem uma narrativa simples e proposta é ser mesmo simples. Muito mais um exercício visual e técnico do que qualquer outra. Imagine só se o diálogo entre Clooney e Bullock no passeio espacial fosse sobre o que eles viram e sentiram quando estavam treinando juntos para a missão. Como isso seria chato, não? O espectador precisava de uma “novidade” naquele momento e algo que nos ajudasse ainda mais a nos identificar pela personagem e acho que o roteiro foi bem sucedido nesse quesito.

E olhando a parte técnica, se rádio amador da Terra consegue se comunicar com astronauta em órbita, eu jamais saberia dizer. Mas, para mim, o que importa, é o quão eficiente foi a cena. Se é possível ou não, eu deixo para a “licença poética” do diretor e roteirista.

E sobre ela sobreviver, isso vai depender muito de sua interpretação. Talvez não tenha sobrevivido e sequência após o “reaparecimento” de Clooney seja toda na cabeça dela morrendo na cápsula, que tal? Mas, mesmo que ela tenha sobrevivido, que é a interpretação mais óbvia e provavelmente a que o diretor quis de verdade, estamos na suspensão da descrença aqui. Ela já havia sobrevivido a duas ou três chuvas de debris e chegar na Terra me pareceu a parte mais fácil da história toda. É o final feliz hollywoodiano que o filme precisava. Não vejo mal nisso.

Abs, Ritter.

Responder
Deto Alff 6 de fevereiro de 2014 - 00:33

Olá Ritter! Claro que você não apedrejaria, ninguém aqui neste site o faria, I’m pretty sure. Não interprete literalmente. E, olha, simplesmente concordo com tudo o que você disse no reply ao meu comentário. Sim sim, podemos ver Gravidade de váááárias maneiras. Como disse na parte dos elogios, o filme tem sim muitas qualidades. Porém eu fui assistir com tanta expectativa, quando percebi que estava mainstream demais, que acabei me sentindo um pouco traído pela crítica. É um filme bom? Sim, é. Recomendo? Claro que sim! Só pela parte visual já vale o ingresso do cinema (apesar de eu ter assistido no Cine Torrent kkkkkk). Mas não é para todo o auê que está se fazendo a respeito. Oscar? Claro que leva, certamente nas categorias técnicas vai levar um punhado, eu acho. Mas não creio que seja a quintessência do cinema como alguns sites falaram. No mais, meu querido, crítica é pra ser lida com atenção, debatida com inteligência e respondida com respeito. No seu caso, a união perfeita dos três. Irreparável.

Um grande abraço de um grande fã do trabalho de vocês, and as ever, vamos criticando, que é bão demais da conta, sô!

Responder
planocritico 6 de fevereiro de 2014 - 18:53

Detto, esse é um filme que mereceria o esforço da tela grande e em 3D (apesar de eu detestar esse artifício, mas aqui ele é bem usado). Abs, Ritter.

Responder
joão 23 de janeiro de 2014 - 17:46

É um dos poucos filmes que posso com certeza afirmar: PERFEITO!! Vamos ter um oscar interessante esse ano com essa obra-prima, Her e O lobo de Wall Street.

Responder
planocritico 23 de janeiro de 2014 - 19:04

O grande favorito, no momento, é 12 Anos de Escravidão. Vamos ver, vamos ver… Abs, Ritter.

Responder
Alessandro Dias 26 de outubro de 2013 - 14:19

Filme fantástico! Já tinha planejado voltar ao cinema p/ assitir em 3D, e após ler esse seu maravilhoso texto, só reforçou minha ideia. Esse já entrou p/ história!!!

Responder
planocritico 26 de outubro de 2013 - 15:56

Obrigado pelo elogio, Alessandro. Como eu disse, veja em 3D. É um dos poucos que usam essa tecnologia de maneira relevante. Depois nos conte o que achou! – Ritter.

Responder
Rafael Oliveira 16 de outubro de 2013 - 21:47

Acabo de assistir. Foi a melhor experiência visual e sensorial que já tive numa sala de cinema. Quiçá, a melhor.

Responder

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