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Crítica | Grizzly Park – O Parque dos Ursos Selvagens

por Leonardo Campos
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Mais uma vez, ao flertar com um exemplar do horror ecológico protagonizado por ursos assassinos, me debato com uma série de reportagens curiosamente manipuladoras de emoções e talvez, mais assustadora que muitos momentos de tentativa de estabelecimento da tensão em Grizzly Park – O Parque dos Ursos Selvagens, narrativa que trafega pelo profícuo subgênero dos animais perigosos em contato com seres humanos incautos, mixada com elementos do filme slasher, isto é, assassinatos em série perpetrados por uma figura com motivos misteriosos, geralmente numa região distante, etc. Da série de coberturas jornalísticas sobre casos peculiares com ursos, me deparei um homem surpreendido por uma criatura desta espécie que fungava em torno de seu corpo após o individuo acordar de uma noite de bebedeira. O pescador russo se manteve imóvel por dois minutos considerados os mais longos de sua vida, numa situação que pode soar apavorante, mas não menos cômica. Outra abordagem destes predadores de topo foi o ataque ao carro de um casal canadense em plena lua-de-mel, assustados ao acordarem na cabana, motivados pelo som da buzina do automóvel revirado e destruído pelo urso. Tenso, não?

Entre uma situação tomada pela comicidade e a outra mais assustadora, adentramos na análise de Grizzly Park – O Parque dos Ursos Selvagens, um filme que é exatamente isso, isto é, a mixagem de estratégias narrativas de horror com altas, aliás, reforço, altíssimas doses de humor, nem sempre eficientes, mas também não menos favoráveis ao surgimento de gargalhadas, por vezes, involuntárias. A abertura traz créditos bem interessantes, algo que nos faz mergulhar num clima de horror ao estilo dos famosos contos dos irmãos Grimm. É uma abordagem soturna e artisticamente sofisticada para um filme que em seu desenvolvimento, entrega ao espectador uma proposta bem diferente destas impressões iniciais. Sob a direção de Tom Skull, realizador que utiliza como norte, o seu próprio roteiro, acompanhamos a chegada de um grupo de jovens delinquentes ao acampamento gerenciado por um guarda-florestal e seu assistente policial. Eles vão guiar os personagens obrigados a prestar serviços comunitários após as sentenças estabelecidas diante de suas ações indignas de elogios.

É um feixe enorme de estereótipos que circulam nesta abertura. Há o arquétipo da “vadia”, o neonazista que na verdade não é tão perigoso como imaginado, o garanhão que abusou de uma garota menor de idade, a bobinha que cometeu um erro pueril e fica o tempo inteiro com um urso de pelúcia e com tonalidade infantil irritante, a latina voluptuosa, dentre outros lugares comuns neste tipo de narrativa, leia-se, comida para ursos assassinos. Eles precisam passar uma semana inteira no local como punição, embrenhados nos confins de uma região selvagem da Califórnia, um parque que possui um enorme urso perigoso, além de um serial killer que escapou da prisão e está interessado em traçar uma nova linha de sangue em seu currículo homicida. Para complementar a quantidade de cenas de ação e deixar Grizzly Park – O Parque dos Ursos Selvagens com mais cara de horror ecológico, temos também alguns ataques com outras espécies de animais, situações inesperadas que eliminam personagens do jogo e deixam o urso e o serial killer com menor carga de trabalho até o desfecho com um plot twist bem “insano”.

Diante do exposto, podemos afirmar que a produção não é uma trama para ser levada em consideração no quesito seriedade. É uma trama oscilante, com elenco abaixo da média, numa demonstração da irregularidade dos ursos no bojo do horror de perspectiva ecológica. Com exceção dos bons momentos em Dentro do Labirinto Cinzento e da sufocante cena de Leonardo Di Caprio com uma fera dessas no homérico O Regresso, tais criaturas ainda não tiveram uma representação mais forte e independente no cinema. Lançado em 2008, Grizzly Park – O Parque dos Ursos Selvagens conta trilha sonora de Anthony Marinelli, trabalho um pouco além do razoável, melhor quando somado ao design de som de Robert Getty para dar vida aos momentos de interação entre o urso e os humanos em ritmo de ataque. No design de produção, Dallas Richard Hallan entrega uma concepção acima da média para as cabanas e demais espaços não naturais da narrativa. Matty Brody supervisiona os efeitos visuais, razoáveis como a direção de fotografia de Matt Cantrell, atrelada aos triviais pontos de vista e enquadramentos abertos para a representação de momentos de morte, distanciamento ideal para disfarçar os efeitos especiais limitados no orçamento desta produção divertida, mas ordinária.

Grizzly Park: O Parque dos Ursos Selvagens (Grizzly Park, EUA – 2008)
Direção: Tom Skull
Roteiro: Tom Skull
Elenco: Emily Foxler, Glenn Morshower, Jelynn Rodriguez, Jerry Sword, Julie Skon, Kavan Reece, Randy Wayne, Ryan Culver, Shedrack, Anderson III, Susan Blakely, Trevor Peterson, Whitney Cummings, Zulay Henao
Duração: 91 minutos

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