Crítica | Guerras Infinitas: Guardião Caído (Fallen Guardian)

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Considerando a quantidade de prólogos que Guerras Infinitas teve, não é surpresa alguma que a saga também tenha mais de um epílogo, mesmo que eles tenham sido acrescentados posteriormente na “lista de leitura”, como são os mais safados caça-níqueis. O primeiro deles é Guardião Caído, um one-shot que lida especificamente com Drax, o Destruidor. Na verdade, minto. Ele lida com Arthur Douglas e com Drax, já que eles aparecem simultaneamente ao final da saga como salvadores da pátria no pior estilo deus ex machina para segurar abertos dois portais, um para salvar o universo Marvel como o conhecemos e outro para salvar o universo amalgamado.

Mas a publicação, apesar de desnecessária para a compreensão geral da saga (daí o termo caça-níquel), é uma leitura surpreendentemente gostosa, com um texto bem escrito pelo próprio Gerry Duggan, que comandou a insossa Guerras Infinitas do começo ao fim. O foco é em Art Douglas, personagem que os leitores mais antigos da editora sabe que é a persona terrestre que, ao ser morto, juntamente com sua família, por Thanos, ganha uma segunda chance de Mentor, que o transforma em Drax, o Destruidor, ser com a única função de assassinar o Titã Louco. Mas Art em si nunca foi explorado nas HQs e pouco sabíamos dele como personagem “separado”, pré-Drax e a HQ nos dá, agora, esse gostinho, focando em sua origem como saxofonista antes da fatídica viagem no deserto de Nevada.

A origem de Drax, como todo personagem muito utilizado pela editora, já passou por algumas versões e a que vemos ser brevemente contada nesse one-shot é eficiente em “reunir” todas elas e criar uma despretensiosa versão que talvez (ênfase no “talvez”) possamos chamar de definitiva. E tudo é contado em flashback, por Adam Warlock para Peter Quill e o agora muito falante Groot em torno de uma fogueira depois dos eventos da saga, como forma de fazer com que os dois Guardiões da Galáxia entendam que Arthur e também Drax não estão perdidos para sempre, ou seja, é o próprio Duggan muito claramente nos dizendo que os personagens não só não morreram como também voltarão em futuro certamente não muito distante. E devo dizer que eu prefiro esse tipo de franqueza do que outras mortes por aí anunciadas como definitivas, mas que não duram mais do que dois ou três anos, vide as de Wolverine e de Bruce Banner, só para lembrar das mais recentes.

E é essa pegada positiva que torna o one-shot tão simpático, tão fácil de ler. Vemos não só a origem de Drax, mas, também, uma volta ao que tanto ele quanto Art, agora separados em definitivo (he, he, he…), estão por aí, em universos alternativos, fazendo o que gostam mais. Contribui para isso, claro, a decisão de Duggan de focar em Art, pois ele é, claro, o personagem com quem temos menos intimidade e sua apresentação como um homem profundamente feliz com sua vida doméstica e profissional é algo tão “banal” (no sentido positivo da expressão, que fique claro) que traz um sorriso ao rosto dos leitores, como aquelas raras notícias boas e prosaicas (ou boas porque são prosaicas) que os jornais e revistas trazem quando não estão falando só em desgraça.

A arte de Andy McDonald acompanha essa característica de “notícia boa” e cria um Art maior do que a vida, um personagem construído milimetricamente para agradar. Mas o artista também sabe compor os quadros e trabalhar o texto do roteirista de maneira econômica e eficiente nas pouco mais de 30 páginas do one-shot.

Guardião Caído pode não ter importância alguma para Guerras Infinitas, mas é um caça-níquel simpático, leve e agradável de se ler. Art Douglas ganha os merecidos holofotes e Gerry Duggan mostra que, quando realmente quer, sabe escrever algo que faça sentido.

Guerras Infinitas: Guardião Caído (Infinity Wars: Fallen Guardian, EUA – 2018)
Roteiro: Gerry Duggan
Arte: Andy McDonald
Cores: Chris O’Halloran
Letras: Cory Petit
Editoria: Jordan D. White, Annalise Bissa
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: 19 de dezembro de 2018
Páginas: 33

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.