Crítica | Guerras Infinitas: Infinito

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art. 171. Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento.

Posso dar voz de prisão a Gerry Duggan? Eu desbravei todos os prólogos dele de Guerras Infinitas, depois a saga em si, todos os tie-ins e o primeiro epílogo. Apesar de ele constantemente entregar um trabalho que não justificava sua existência, era aquela coisa de saga marketeira que os leitores mais tarimbados sabem que faz parte da própria estrutura das duas grandes editoras mainstream. É, basicamente, como o jogo é jogado e não tem muito jeito de escapar dele a não ser não ler, claro. E o melhor, em Guerras Infinitas, é que os tie-ins foram efetivamente divertidos, merecedores, como afirmei várias vezes, de continuações. Até o primeiro epílogo, Guardião Caído, por incrível que pareça, tinha algo a dizer.

Mas aí vem o que parece ser o último epílogo, Guerras Infinitas: Infinito, para me deixar extremamente irritado e com vontade de jogar Duggan em uma cela escura e fria por estelionato, mesmo que seu “ardil” já devesse ser conhecido por alguém que lê quadrinhos de super-heróis desde que eles eram publicados no Brasil pela RGE. Como eu sei que minha reclamação não vai levar a lugar algum e como sei que serei novamente induzido em erro, farei como meu colega Luiz Santiago recentemente fez ao comentar publicação da Distinta Concorrência: $%@# This!

Esse epílogo é uma grande safadeza, muito pior do que um caça-níquel, pois caça-níqueis pelo menos têm um fator de diversão – mesmo que insatisfatória – embutido. Aqui, o que temos são pedaços de histórias e acontecimentos que poderiam muito bem ter sido incluídos ao final da última edição da saga principal, nem que seu preço fosse um pouco mais alto. Seria mais honesto, mais limpo, mais transparente. Afinal, o que acontece em Infinito é que descobrimos que a joia do tempo, agora senciente como suas “irmãs”, resolve juntar-se a Hector Bautista, um prisioneiro prestes a ser executado que diz que é inocente e que usa seus recém-adquiridos poderes para fugir. Quem é o sujeito? Ahhhhhh, esse é um dos mistérios que serão resolvidos mais para a a frente.

Mas tem mais “coisinhas” desse nível de importância. A mala do Talonar (irmã do Nova que vale) aparece ambicionado as joias do infinito e Loki, pressionado por Flowa a revelar o que ele viu lá no Universo Prime, solta um War of the Realms (ou Guerra dos Reinos) que nada mais é do que a desgraça da próxima saga da editora. No entanto, não há contexto, não há nexo causal, não há absolutamente nada na fala do Deus da Trapaça que não pareça mais um joguete bobalhão para criar a ilusão de que tudo está conectado e fazer os leitores se importarem com o que vem para frente. Ah, Loki reencontra-se com o Hiper-Ultra-Super-Velho Logan, agora fundido à Força Fênix, em um final “surpresa” que adiciona mais uma camada de mistério. Essa aparição tem pelo menos um conexãozinha que seja com a saga em si, já que o personagem já havia aparecido lá em seu começo, como o futuro de Diamond Patch, o Wolverine amalgamado com Emma Frost. Se eu levantei minha sobrancelha em sinal de curiosidade pelo que virá? Não, não levantei nada. Soltei foi um “afffff”, expressão aparentemente em voga que minhas filhas tanto escrevem em mensagens para mim…

Em outras palavras, pelo que posso deduzir, Guerras Infinitas não serviu para muita coisa (a não ser criar os divertidos super-heróis amalgamados, claro). O multiverso continua em perigo, a Marvel Comics continua enchendo a paciência com mistérios de jardim de infância, Warlock continua subutilizado e as joias do infinito, agora, são seres pensantes que vão tocar o terror por aí muito provavelmente. E lá vamos nós para a próxima saga, pois leitores de quadrinhos mainstream são sofredores. Talvez nós devêssemos ser presos para não mais gastarmos dinheiro com essas besteiradas… Pelo menos os arcos das publicações principais da editora do saudoso Stan Lee estão de vento em popa!

P.s.: Eu sei que não falei da arte, mas é que cansei. Ela é do Mark Bagley, garantia de qualidade. Mas esse epílogo é tão porcaria, que nem Bagley salva. Mas a meia estrela lá na avaliação final é por causa da arte…

Guerras Infinitas: Infinito (Infinity Wars: Infinity, EUA – 2018)
Roteiro: Gerry Duggan
Arte: Mark Bagley
Arte-final: Andrew Hennessy
Cores: Guru-eFX
Letras: Cory Petit
Editoria: Jordan D. White, Annalise Bissa
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: 02 de janeiro de 2019
Páginas: 25

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.