Crítica | Guerras Infinitas: Pantera Fantasma (Ghost Panther)

  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas das demais edições da saga.

Acho que não estou sozinho quando afirmo e reafirmo que não suporto tie-ins de grandes sagas das editoras mainstream. São normalmente histórias inúteis que ainda tem o revés de prejudicar o andamento das publicações normais que são “amarradas” ao evento. Quando a Marvel Comics começou a lançar sua nova Guerras Secretas, porém, a editora mudou sua estratégia e, paralisando as publicações comuns em razão da natureza reformuladora do evento, passou a lançar tie-ins fechados neles mesmos, com títulos próprios. Peguei-os relutantemente para ler e, para minha surpresa, passei a apreciá-los muito mais do que a própria saga, como por exemplo Thors, Mestre do Kung Fu, Corredores Fantasmas, A Saga de Korvac, Esquadrão Sinistro e Desafio Infinito. Estas e muitas outras histórias eram auto-contidas e podiam ser lidas independentemente até mesmo da saga que as originou.

E a editora repetiu a dose, em menor escala, em Guerras Infinitas. Sem paralisar suas publicações correntes, mas também sem poluí-las com bobagens, os tie-ins da nova saga são, basicamente, introduções a personagens amalgamados (no estilo 2-em-1) criados por Gamora ao manipular as joias do infinito, ou seja, uma desculpa para a criação de novos personagens. No entanto, assim como aconteceu em Guerras Secretas, as derivações de Guerras Infinitas conseguem, no agregado, ser melhores que a saga em si, com apenas um título – Weapon Hex – desapontando até agora.

(1) T’Challa, mais conhecido como Johnny Blaze, prestes a morrer e (2) a origem de Erik Killraven.

Pantera Fantasma (minha tradução para Ghost Panther), a fusão do Pantera Negra com o Motoqueiro Fantasma é mais um super-herói amalgamado que dá muita vontade de ler outras histórias quando a minissérie de apenas duas edições acaba. Não só temos o inusitado que é a reunião desses dois heróis tão diferentes em um só, como Jed MacKay consegue equilibrar muito bem as origens de Johnny Blaze, o Motoqueiro original, com a de T’Challa, o Pantera mais conhecido, em um resultado fluido e bem trabalhado se o leitor, claro, comprar a ideia maluca que é a premissa da amálgama em si. Na história, T’Challa, herdeiro do trono de Wakanda, é exilado por seu pai, T’Chaka e torna-se um ás da motocicleta nos EUA, fazendo como Evel Knievel sob o nome de fantasia Johnny Blaze (a escolha do nome é completamente “aleatória”). Assim como o personagem da caveira flamejante, T’Challa morre e é trazido de volta à vida por Zarathos que, aqui, é a irmã de Bast, a deusa de Wakanda. Ela oferece ao herói, além de uma segunda chance à vida, poderes inimagináveis se ele trouxer para ela as almas de pessoas corrompidas, o que ele, de primeira, recusa.

Claro que as circunstâncias, que envolvem a morte de seu pai por uma surreal amálgama de Erik Killgrave com Killraven, um herói de um futuro alternativo pós-apocalíptico em que a Terra  foi dominada por marcianos, juntamente com a reunião de M’Shulla, parceiro de Killraven, com M’Baku, o Homem Gorila da tribo rival de T’Challa. Essa “confusão dos infernos” é para lá de divertida e, como mencionei, funciona em sua plenitude, jamais confundindo o leitor (mesmo que ele não reconheça Killraven e as menções aos marcianos) com uma profusão exagerada de personagens. Trata-se de uma simples história de vingança com pacto demoníaco. Simples e objetiva como tem que ser considerando o espaço que a editora deu a cada personagem, apenas duas edições de tamanho regulamentar.

Além do texto preciso de MacKay, a arte de Jefte Palo (confesso que é a primeira vez que leio algo desenhado por ele) consegue emprestar um ar solene e nobre à jornada de T’Challa, com um estilo gráfico que me lembrou fortemente o de Jae Lee, com corpos esguios, quase deformados e rostos envoltos em trevas, com traços limpos, em que as feições mantém-se estáveis quase que o tempo todo. Suas recriações dos personagens clássicos funcionam com constância e suas sequências de batalha quase parecem balés, com os personagens mostrando ao mesmo tempo muita força e elasticidade, o que contribui para a fluidez de cada embate.

Se Guerras Infinitas desapontou pela sua confusão infernal e falta de foco, pelo menos seus tie-ins tendem a deixar um legado interessante e altamente aproveitável pela editora. O Pantera Fantasma realmente merece ser mais explorado.

Guerras Infinitas: Pantera Fantasma (Infinity Wars: Ghost Panther, EUA – 2018)
Contendo: Infinity Wars: Ghost Panther #1 e 2
Roteiro: Jed MacKay
Arte: Jefte Palo
Cores: Jim Campbell
Letras: Joe Sabino
Editoria: Jordan D. White
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: novembro e dezembro de 2018
Páginas: 46

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.