Crítica | Guerras Infinitas: Weapon Hex

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Depois de acertar com Soldado Supremo, a amálgama do Capitão América com o Doutor Estranho, e com Martelo de Ferro, que fundiu o Homem de Ferro com Thor, a Marvel Comics erra feio com Weapon Hex (não tentarei uma tradução livre, pois minha inspiração não passa de algo como Arma Mágica…), que coloca em um corpo só X-23 e a Feiticeira Escarlate depois que Gamora recriou o universo em Guerras Infinitas. Os problemas desse tie-in são vários e o resultado é apenas um pouco acima de um completo desastre.

Para começar, diferente das outras duas amálgamas citadas, que equilibraram bem a dosagem de cada herói utilizado, o roteiro de Ben Acker e Ben Blacker (parece até nome de dupla sertaneja…) é, basicamente, a história de Laura Kinney em um ambiente científico regado à magia que estabelece que a criação de clones mutantes se dá para que algum sirva de corpo a ser possuído pelo demônio Mefichthon (Mefisto + Chthon, claro). Tudo se passa no Monte Wundagore, a versão do complexo Arma X com direito a um desfile de outros seres fundidos, inclusive Bova com Bessie, as duas vacas da editora que formam Bavel, Magik com Dentes de Sabre que formam Hellhound, com a primeira sendo a verdadeira figura materna de Laura, a 23ª experiência do casal formado por Sarah Kinney e Herbert Wyndham, que se auto-denominam “Evolucionários”.

Com isso, o lado Feiticeira Escarlate da equação fica restrito ao uso de magia e às repetidas menções ao Dia M que, aqui, refere-se ao dia em que o demônio possuirá o corpo de Laura. E o pior é que mesmo quando olhamos para a protagonista, vemos uma personagem aleatória, cujos poderes não convencem na lógica estabelecida pela narrativa. Isso é muito evidente pela presença das garras e do fator de cura de Hex-23 que o texto simplesmente não sabe manejar e parecem artifícios que são quase que literalmente enfiados goela abaixo do leitor de qualquer jeito, sem nenhuma tentativa de tornar o processo mais orgânico.

E, com isso, chegamos ao terceiro grande problema: a confusão narrativa. Sem conseguir ser Laura nem Wanda, nem X-23 nem Feiticeira Escarlate, Weapon Hex é muito claramente apenas um veículo para que a dupla roteirista possa introduzir o maior número possível de personagens “novos” sem que eles realmente tenham função ou mesmo obedeçam à regra básica do tie-in que é a de existir dentro do universo “dobrado” de Gamora em que cada personagem tenha que obrigatoriamente ser formado por outros dois. Peter Porker é um desses exemplos. O Porco-Aranha aparece sem ter o que grunhir somente para morrer no quadro seguinte. O que fica, então, é a típica história vazia que vive em função de pequenos easter-eggs e não o contrário.

Uma das principais razões de eu ter aguardado com certa ansiedade essa minissérie foi que o artista anunciado seria Gerardo Sandoval. Sei que muitos detestam o estilo “mega-deformado” que ele imprime aos personagens, mas eu particularmente gosto muito, além de apreciar a qualidade de suas sequências de ação, sempre com muita energia. Imaginava que seria o casamento perfeito entre premissa tresloucada e arte impactante, mas qual não foi minha surpresa quando me deparei com um dos menos inspirados trabalhos do artista. Aliás, menos inspirados não. Weapon Hex é um de suas mais genéricas obras, já que ele se entregou ao mimetismo de um sem-número de outros desenhistas por aí, sem esmerar-se em visuais efetivamente interessantes.

Sandoval continua, porém, mostrando grande controle da progressão narrativa e pega o fraco roteiro dos dois “Ben” e cria algo que faz algum sentido. Ele não tira o proverbial leite de pedra, mas lida bem com a necessária pancadaria. O problema fica mesmo na escolha dele em desenhar fugindo de seu estilo marcante, do tipo “ame-o ou odeie-o” e abraçando o lugar-comum.

Weapon Hex tinha potencial em sua premissa. Afinal, reunir Laura e Wanda em uma personagem só simplesmente tinha que funcionar naturalmente pela qualidade de cada uma das personagens. Mas nem as duas juntas podiam sobreviver à fusão de Acker e Blacker…

Guerras Infinitas: Weapon Hex (Infinity Wars: Weapon Hex, EUA – 2018)
Contendo: Infinity Wars: Weapon Hex #1 e 2
Roteiro: Ben Acker, Ben Blacker
Arte: Gerardo Sandoval
Arte-final: Victor Nava, Gerardo Sandoval
Cores: Israel Silva
Letras: Joe Caramagna
Editoria: Jordan D. White
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: outubro e novembro de 2018
Páginas: 44

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.