Crítica | H2O (1929)

estrelas 5

O final do século XX evidenciou uma preocupação que se tornaria a fonte dos “sinais dos tempos” da escatologia apocalíptica e das idades míticas de nosso século: a questão ambiental. O futuro da humanidade passou a ser especulado por teóricos, profetas, descobridores de profecias antigas, especialistas das mais diversas áreas, televisão e cinema. Um subgênero dos filmes de ação, o desastre, ganhou novas dimensões, principalmente após as impensáveis possibilidades da tecnologia CGI. Filmes como O dia depois de amanhã (2004), 2012 (2009) e Avatar (2009), são reflexos dessa Era-Catástrofe que trouxe para o cinema um renovatio das ideias sobre o futuro da humanidade.

Dentre os muitos recursos naturais essenciais à vida, a água é uma das grandes preocupações imediatas. A crescente poluição de rios, lençóis freáticos, etc., é material de inúmeros artigos, palestras, conferências. Nesse contexto, o curta-metragem H2O (1929) de Ralph Steiner – também fotógrafo e publicitário – cai como uma luva nas mãos desses “últimos tempos”, mesmo tendo sido realizado há muitas décadas.

Ângulos incríveis e manipulação de imagens para dar a sensação de movimento são as colunas formais do curta. No sentido heraclitiano da palavra, o filme de Steiner flui do começo ao fim e, quanto mais perto chega do final, essa fluidez se torna agressiva, cansa os olhos, tamanha a velocidade que a edição propicia e tamanho o poder visual do movimento das águas criado pelo diretor.

Tudo no filme está cercado pela matéria corrente, a personagem principal. Essa “vida” da água, enriquece de significados o que se passa na tela. O resultado do produto fílmico é de uma fatal beleza incômoda. Ver esse curta-metragem hoje, em 2010, é quase um ataque pessoal: “Olha como era a vida 81 anos atrás”. Impossível não pensar na caótica situação ambiental de hoje.

H2O é um filme-ensaio fotográfico sobre um dos nossos maiores bens naturais e, acima de tudo, um filme incrivelmente simples, que ganha forma estelar nas experimentações visuais feitas por Ralph Steiner. Obrigatório para amantes do primeiro cinema ou partidários da causa ambiental.

H2O (Estados Unidos, 1929)
Direção: Ralph Steiner
Roteiro: Ralph Steiner
Duração: 13min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.