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Crítica | Hacker – Todo Crime Tem Um Início

por Leonardo Campos
18 views (a partir de agosto de 2020)
Inspirado numa história real, Hacker – Todo Crime Tem Um Início nos apresenta ao imigrante ucraniano Alex (Callan McAuliffe), jovem que ao longo dos 95 minutos de filme, trabalha no desenvolvimento de ações ilegais na internet. A sua justificativa é a manutenção da família, pois ele precisa dar conta do sustento de seus pais, casal que quase perdeu a casa depois que um banco resolveu tomar a residência por falta de pagamento da hipoteca. Quem lhe serve de canal para os trabalhos considerados sujos é o seu colega Sye (Daniel Eric Gold), um dos mentores da sua atividade principal: a clonagem de cartões de crédito alheios. Introvertido como geralmente todos os hackers são na cartilha dramática cinematográfica, Alex leva quase todo o seu tempo diário diante do computador, especializando-se e aumento a sua renda. Plano Crítico.

Na análise de Hacker, de Michael Mann, apresentei as diferentes modalidades existentes de hackers, figuras do campo da cibercultura envoltas numa redoma de estereótipos negativos que exaltam apenas palavras-chave como anarquia, desordem, criminalidade, etc. Há várias “versões”, dos maléficos aos que de fato contribuem com o avanço dos sistemas computacionais. O personagem de Chris Hemsworth, por exemplo, trafegava mais para o lado revolucionário da questão, um homem contra as impunidades de um sistema rígido e injusto. Na versão de Akan Satayev, concebida tendo como base o roteiro dele escrito numa parceria com Sanzhar Sultan, o protagonista fica no meio termo, com pendendo mais para o lado dos crackers, invasores que radicalizam sistemas em prol de benefício próprio e estabelecimento do terrorismo virtual que também ganha proporções físicas contundentes.

Inspirado numa história real, Hacker – Todo Crime Tem Um Início nos apresenta ao imigrante ucraniano Alex (Callan McAuliffe), jovem que ao longo dos 95 minutos de filme, trabalha no desenvolvimento de ações ilegais na internet. A sua justificativa é a manutenção da família, pois ele precisa dar conta do sustento de seus pais, casal que quase perdeu a casa depois que um banco resolveu tomar a residência por falta de pagamento da hipoteca. Quem lhe serve de canal para os trabalhos considerados sujos é o seu colega Sye (Daniel Eric Gold), um dos mentores da sua atividade principal: a clonagem de cartões de crédito alheios. Introvertido como geralmente todos os hackers são na cartilha dramática cinematográfica, Alex leva quase todo o seu tempo diário diante do computador, especializando-se e aumento a sua renda.

Com a desculpa em torno da revolta contra o sistema capitalista, representado na produção por meio dos bancos, instituições agiotas institucionalizadas, o rapaz viu o sofrimento de sua família quando não tinha mais de onde tirar dinheiro e quase foram expulsos da própria casa. Todas as economias guardadas para o investimento na faculdade tiveram que ser entregues ao banco. Era estudar ou viver em situação de rua. Tudo isso mixa a revolta do hacker que começa a quebrar os bancos com a sua “vingança”. Ele aprende marketing com Sye, conhece Robin (Allyson Pratt), a dançarina que lhe entrega o cartão de crédito de um banqueiro bem-sucedido, estopim para outras ações desmedidas que acabam soterrando os seus ideais, pois o jovem em determinado é detido, afinal, o sistema precisa de anarquistas, mas a “ordem” causa mais tranquilidade nos corações de quem comanda as regras do sistema: os membros das elites econômicas.

Para contar a sua história, Hacker – Todo Crime Tem Um Início conta com a direção de fotografia de Pasha Patriki, eficiente em seus enquadramentos básicos, iluminação que flerta com a linguagem da internet, potencializada pelos efeitos visuais da equipe de Colin Carter, responsáveis por trazer elementos semióticos da computação para as imagens projetadas ao longo do filme que teve Nazgol Goshtasbpour como design de produção, setor que cumpre a sua função ao entregar como espaço cênico, locais que dialogam com os temas abordados no filme, num visual contemporâneo sem excessos. A condução musical de Steve Cupani também funciona adequadamente, ideal para o tom dramático mediano da narrativa, uma produção de entretenimento com algumas passagens reflexivas memoráveis, mas nada surpreendente, inesquecível ou que já não tenha sido discutido em outro dos numerosos filmes sobre hackers.

Ademais, Hacker – Todo Crime Tem Um Início não é um filme exclusivamente dedicado aos pormenores da cibercultura. Utiliza o campo em questão para refletir como este espaço pode ser um rentável ambiente de rebeliões, positivas e negativas, a depender do ponto de vista crítico de quem observa. Em sua crítica ao processo de privação da liberdade econômica de indivíduos mergulhados em taxas de juros que crescem exponencialmente, contrária ao avanço da renda de cada um no desenvolvimento de seus respectivos trabalhos, o filme reforça como o sistema capitalista, tal como sabemos há eras, é excludente e responsável por causar danos, principalmente aos menos favorecidos, como Alex, um representante de muitos cidadãos que tentam viver corretamente dentro de um contexto social meritocrático e hostil. Por fim, prestem à atenção em Kira (Lorraine Nicholson) e Zed (Clifton Collins Jr.): ela compõe a força adjuvante enquanto ele é a ilustração cabal dos obstáculos do anti-herói do filme.

Hacker – Todo Crime Tem Um Início (Anonymous) – Canadá, 2016
Direção:
 Akan Satayev
Roteiro: Akan Satayev, Sanzhar Sultan
Elenco: Callan McAuliffe, Allyson Pratt, Lorraine Nicholson, Clifton Collins Jr., Zachary Bennett, Vlada Verevko, Genadijs Dolganovs, Kristian Truelsen, Greg Hovanessian
Duração: 95 min.

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