Crítica | Hálito Azul

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Cultivar o mar é uma coisa, é assunto de pescadores. Explorar o mar é outra coisa, é assunto de industriais. A partir dessa premissa o diretor Rodrigo Areias, parcialmente inspirado na obra Os Pescadores (1923), de Raul Brandão, nos apresenta um documentário entrecortado por blocos de ficção que mostram a vila da Ribeira Quente, na encosta de um vulcão em S. Miguel, ilha pertencente aos Açores. O contexto é emergencial e resultado da incontrolável pegada ecológica do homem em todo o mundo, sendo o recorte aqui bem simples: a atividade pesqueira no local está definhando. A quantidade de peixes diminuem e o trabalho é dividido de forma cada vez mais desigual, porque as grandes embarcações ligadas a empresas acabam pegando uma gigantesca porcentagem da cota de peixes.

Mas o filme vai além da dificuldade da pesca em Ribeira Quente. E isso é o que compromete, a longo prazo, a qualidade da obra. O espectador acompanha diversos ensaios para uma peça que envolve pessoas de diferentes idades, alguns takes de cantoria que adicionam um toque poético ao longa (o isolamento do faroleiro, a imensidão do mar, o vento, o significado da vida) e um recorte para alguns eventos que acontecem na comunidade, com direito à observação da vida cotidiana dos pescadores, adolescentes, comerciantes e outros trabalhadores.

Quando digo que este aspecto acaba comprometendo a obra, é porque o roteiro (que Areias escreveu juntamente com Eduardo Brito) parece não ter um verdadeiro foco. Pela simplicidade e acompanhamento muito próximo que a câmera faz aqui, nós entendemos as intenções isoladas do diretor e nos interessamos por parte do que ele explora. Todavia, a ideia geral de mostrar uma sociedade passando por uma transformação de sua atividade econômica principal acaba se dissipando, assim como a discussão das mudanças na natureza que o consumo desenfreado e a exploração irresponsável do homem nos trouxe.

Existem planos muito bonitos de toda a região e a obra traz de fato um tom poético a partir dessa observação da câmera para o espaço geográfico, mas o assunto central do filme, aquilo que lhe daria maior significado, não é algo que nos impressiona — e não por ser pouco importante ou pouco impressionável, mas porque o enredo não foca na exploração desses temas. A experiência é válida como referência para mais um braço da danação da humanidade, mas fica por aí mesmo.

Hálito Azul (Portugal, Finlândia, França, 2018)
Direção: Rodrigo Areias
Roteiro: Rodrigo Areias, Eduardo Brito
Duração: 78 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.