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Crítica | Halloween 2 (2009)

por Leonardo Campos
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Quando alguém me pede para definir uma experiência cinematográfica ruim, Halloween 2, de Rob Zombie, é uma das minhas primeiras opções para abordagem. Caótico, apelativo, desnecessário e demasiadamente pretensioso, esta empreitada no universo de Michael Myers consegue ser pior que Halloween: Ressurreição e Halloween 6: A Última Vingança, isto é, uma verdadeira tragédia cinematográfica, sem precedentes na franquia. Lançado depois de muitos cortes, reviravoltas no projeto e polêmicas com a censura, o retorno do antagonista mascarado demonstra a ânsia de um cineasta em tentar elevar o nível dos personagens para uma explanação que mescla violência gráfica e camadas generosas de uma perspectiva psicanalítica bastante irregular. Nada funciona neste filme além da sua trilha sonora pesada, envolvente e respeitosa diante dos temas clássicos estabelecidos por John Carpenter ao compor o material sonoro do slasher quintessencial de 1978. Fora isso, só absurdos, exageros, excessos. Sim, estou sendo redundante, como o filme, um espetáculo de personagens vulgares, mulheres desbocadas, e uma história dramaticamente horrenda, tamanha as redundâncias oriundas do projeto escrito e dirigido irregularmente.

Vejamos o que deu errado: na reinicialização de Halloween, o cineasta e músico Rob Zombie comete uma série de exageros e equívocos, mas consegue entregar um filme médio, longe de ser ruim como muita gente expressa em por aí, a maioria, incomodados com a aniquilação dos mistérios envolvendo Michael Myers, antagonista enigmático que na versão do roqueiro, é uma máquina de matar motivada pelos traumas de sua infância e juventude num lar moralmente apodrecido. Zombie analisa cada milímetro da trajetória do monstro que antes, deixava uma sensação de mistério no ar. A sua saga poderia ter parado apenas neste primeiro filme, uma mescla curiosa de reboot e refilmagem, mas interessado em continuar com o projeto, trouxe mais uma vez Laurie Strode, interpretada histericamente por Scout Taylor-Campton, desta vez, numa busca por se recuperar da trágica noite do dia 31 de outubro do ano anterior, marco do retorno de Myers para Haddonfield, uma fase de horror, sangue e morte para ser esquecida.

O Dr. Loomis (Malcolm McDowell), quase destroçado na produção anterior, também retorna, desta vez, ainda mais cínico, em sua turnê com um livro sobre o mal puro, isto é, uma abordagem da história do perigoso assassino. Desaparecido após os eventos do filme de 2007, Michael parece se guardar para o retorno, mais intenso, furioso e equivocado, aniquilando qualquer coisa que se mexa em seu caminho que tem como agenda principal, reencontrar a irmã para terminar de vez o seu plano de vingança. O xerife Leight Brackett (Doug Bradley) acredita que o monstro tenha morrido, tal como Annie (Danielle Harris), a sua filha e melhor amiga de Laurie, jovem que conseguiu sobreviver ao ataque com facadas propiciado pelo mascarado. Com pesadelos constantes, inclusive uma longa sequência de abertura que parece interminável, no interior do hospital, provável referência ao filme de 1981, Halloween 2: O Pesadelo Continua, esta continuação se arrasta ao longo de morosos 105 minutos de mortes em excesso e diálogos ruins.

Com a proximidade do novo evento anual envolvendo as abóboras decoradas e as pessoas fantasiadas de monstros que habitam o nosso imaginário, um rastro de morte se estabelece e todos estão quase certos do retorno de Michael Myers, fortalecido para ceifar vidas violentamente. Numa demonstração de conexões mentais entre o assassino e sua irmã, a narrativa se perde com algumas passagens envolvendo imagens da mãe, um cavalo branco, dentre outras alegorias que tentam tornar a produção um filme conceitual, tentativa fracassada ao passo que cada minuto avançado nos reforça o quão equivocado é esta abominação artística intitulada Halloween 2. Cenas muito escuras, provenientes da direção de fotografia de Brandon Trost, também exagerada em seus closes abruptos e movimentação nervosa, setor que ganha poucos momentos inspirados para captação da cenografia inexpressiva, parte do design de produção assinado por Garret Stover, também muito frágil. Mesmo com a adoção de seu tom pesadíssimo, a trilha sonora de Tyler Bates envolve e ajuda na criação de uma boa atmosfera, mas as passagens relativamente interessantes são pouquíssimas, num resultado geral bastante abaixo da média, comprovação cabal da necessidade de não levar mais o projeto adiante.

Halloween 3, esboçado pelo realizador, não foi levado adiante. Melhor para todo mundo, não é mesmo?

Halloween 2 – EUA, 2009
Direção: Rob Zombie
Roteiro: Rob Zombie (baseado no roteiro original de John Carpenter e Debra Hill).
Elenco: Malcolm McDowell, Brad Dourif, Tyler Mane, Daeg Faerch, Sheri Moon Zombie, William Forsythe, Richard Lynch, Udo Kier, Clint Howard, Danny Trejo, Lew Temple, Tom Towles, Bill Moseley, Leslie Easterbrook
Duração: 105 min

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