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Crítica | Halloween 6 – A Última Vingança

por Leonardo Campos
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O que fazer depois de Halloween 5 – A Vingança de Michael Myers? No desfecho deste equivocado exemplar do Slasher Tardio, o antagonista mascarado é trancafiado numa prisão. Sim, isso mesmo. A Forma, criada com esmero por John Carpenter e Debra Hill, em 1978, atravessou o caminho da obviedade e acabou explorado da pior forma em suas incursões prévias ao advento do ótimo Halloween H20 – Vinte Anos Depois, reajuste da franquia após as vergonhosas incursões do monstro de Haddonfield. Sendo bastante honesto, Halloween 6 – A Última Vingança perdia apenas para Halloween: Ressurreição no ranking de pior momento da franquia. Isso quando escrevi sobre o filme em 2015, antes de ter conferido a versão do produtor, analisada no artigo Michael Myers, Quentin Tarantino e a Maldição de Halloween 666. O jogo mudou completamente agora, mais de meia década após a primeira reflexão. O sexto capítulo da saga é o pior filme deste universo, disparado! Não há motivos suficientes para a existência desta produção que repete irritantemente e sem o frescor, os padrões da cartilha slasher de crime e castigo para quem não se comporta bem e merece morrer, ou então, é parte de uma vingança descerebrada sem motivo algum, esgotada emocionalmente diante de tanta irregularidade dramática. Faltou alguém avisar aos realizadores que dava para ser autoparódico, como os caminhos de Jason Voorhees nas desgastadas partes 6,7 e 8 de Sexta-Feira 13.

Mas vamos lá, não é mesmo? Analisar para constatar. No final de Halloween 5 – A Vingança de Michael Myers, Jamie (Danielle Harris) é sequestrada por um homem encapuzado e vestido de preto. Ele explode a prisão onde o antagonista se encontra enjaulado. Há um salto temporal de seis anos. Jamie, agora interpretada por J. C. Brandy, é uma jovem grávida, parte de um ritual que pretende sacrificar o seu bebê. Por qual motivo? Bom, segundo os diálogos e situações apresentadas, ela está sob a tutela do Culto de Thorn, uma seita que a mantém sob experiência, pois o seu tio é uma figura envolvida com a maldição de Thor, um antigo druida que na noite de Samhaim (Halloween) deveria sacrificar sua família para que toda a tribo prosperasse. Interessante, não é mesmo? Pois a insanidade continua. Jamie tem o seu recém-nascido, é ajudada por uma enfermeira que morre e agora, Michael Myers a persegue. Será o menino filho do tio? Estamos diante de uma relação incestuosa? Isso fica nas entrelinhas, mas não é trabalhado. Paralelamente, Tommy Doyle (Paul Rudd), o garoto sobrevivente da noite de 1978, criança que esteve sob os cuidados de Laurie Strode, acompanha um programa de rádio sobre Michael Myers. O Dr. Loomis (Donald Pleasence) também.

Na exposição do locutor e entre as ligações recebidas de fãs de Michael Myers, uma delas ganha destaque. É o pedido de socorro de Jamie, em fuga diante da perseguição do tio. O preâmbulo termina com a morte da jovem numa prensa agrícola, desfecho de sua trajetória na franquia. Deste ponto, Myers parte para continuar o seu projeto de morte em Haddonfield, cidade que há nãos deixou de celebrar o Dia das Bruxas. Ruim para a economia, péssimo para a diversão adolescente, ótimo agora para o retorno do antagonista que aproveitará a flexibilização da cidade para retornar e matar quem sobrou de sua família, parentes distantes que habitam a casa onde morou quando criança, antes de ir para o sanatório por ter matado Judith Myers. Para complementar o seu projeto sanguinário, o mascarado também aniquila personagens que segundo a cartilha slasher, merecem a morte, o que inclui um pai e marido grandiosamente misógino e um oportunista apresentador de programa que vem para Haddonfield se aproveitar da história trágica em prol de audiência. Tudo retoma o padrão narrativo dos anos 1980: uma morte espetaculosa na abertura, algumas explicações absurdas para a sanha assassina, rodeada de mortes de pessoas que nada tem a ver com o processo, o que desagua no final com portas arrebentadas, janelas estilhaçadas, gritos, tiros, facadas e o final com a famosa cena obrigatória, deixando espaço para uma continuação direta que nunca aconteceu.

No local, Kara Strode (Marianne Hagan) é mãe de Danny Strode (Devin Gardner), criança que ouve vozes constantemente. A figura que lhe aparece cotidianamente diz “mate por ele”. Avisados pelo Dr. Loomis sobre o retorno de Michael Myers para a cidade, o grupo percebe que não há escapatória. Com isso, precisarão enfrentar a fúria do antagonista mascarado que agora ataca não apenas com a sua habitual faca de açougueiro. Machadadas, choques, vidros, etc. O repertório de Myers é ampliado. Ele quer destruir qualquer vestígio de seus familiares, além de sair numa caçada constante em busca do bebê de Jamie, interesse não apenas seu, mas do Culto de Thorn. Para tentar homenagear o próprio universo, há uma série de cenas que retomam trechos do filme original, tendo em vista criar alguma identificação com o público que se cansa logo na primeira metade. Como final girl, temos Kara Strode, defensora de seu filho, apoiada por Tommy, o traumatizado jovem do Dia das Bruxas de 1978 que descobre onde o bebê de Jamie ficou escondido e o protege com todas as forças. A versão do produtor, diferente em sua abertura e bastante distante do desfecho do que conhecemos para o lançamento oficial nos cinemas, conserva o seu miolo irregular e sinceramente, não consigo definir se é melhor ou pior que o corte analisado aqui, mais conhecido por ter circulado desde seu lançamento em 1995. A cópia reeditada com novo corte só chegou ao grande público mais recentemente, em blu-ray.

Ademais, de volta ao bizarro roteiro, descobrimos que essa seita quer continuar perpetuando o mal e por isso faz trabalhos genéticos para o surgimento de novos bebês que na fase adulta, se tornarão assassinos. Absurdo, excessivo, louco, insano e sem noção. Essa é a explicação. Tudo não fica pior porque há uma história paralela básica e bem típica dos filmes da série: Tommy tornou-se obcecado pelo misterioso assassino, assim como Dr. Loomis. Esse, por sinal, foi o último filme de Donald Pleasence. O ator morreu ainda no processo de finalização. Depois que os produtores rejeitaram partes da história, um dublê foi chamado para as refilmagens, estratégia de reconfiguração de um produto já destinado ao limbo. Mesmo que a história de Tommy tenha alguma fagulha promissora que logo se apaga, o projeto em torno de Halloween 6 era algo já fadado ao fracasso. Essas explicações são bizarras demais. A estrutura estética também: a condução musical de Alan Howarth nada faz além de emular alguns pontos do tema principal de John Carpenter, a edição de Randy Bricker se esforça, mas não consegue dar conta da falta de coesão do material filmado, a direção de fotografia de Billy Dickson acerta muito pouco e design de produção de Bryan Ryman é um dos poucos traços que se destacam, mas não consegue se projetar por causa do argumento, do roteiro e do desenvolvimento frágil da narrativa. O ator George P. Wilbur consegue dar forma ao monstro que há na figura de Michael Myers, mas nem seu desempenho salva esse sexto episódio da desgraça artística quase total.

Halloween 6 – A Última Vingança (Halloween 6: The Curse of Michael Myers, Estados Unidos / 1995)
Direção: Joe Chappelle
Roteiro: Daniel Farrands
Elenco: Donald Pleasence, Paul Rudd, Marianne Hagan, Mitchell Ryan, Kim Darby, Bardford English, Keith Bogart, Leo Geter
Duração: 87 min.

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