Crítica | Han Solo: Uma História Star Wars (Marvel Comics)

Espaço: Corellia, Frota Imperial (espaço profundo), Mimban, Vandor, Kessel, órbita e espaço ao redor de Kessel, Savareen, Numidian Prime
Tempo: 13-10 a.B.Y.

No processo de leitura das adaptações literária e em quadrinhos de Han Solo: Uma História Star Wars, vi-me apreciando mais a história de origem do personagem que, originalmente, com o anúncio do filme, tive pouco interesse em conhecer, o que pode ter influenciado minha apreciação da obra dirigida por Ron Howard. Não é o que o longa tenha magicamente se transformado em algo excelente, mas consegui gostar mais da aventura descompromissada que ele definitivamente é.

A adaptação em quadrinhos, que, no Universo Star Wars, sempre ganhou tratamento vip pela Marvel Comics (que deveria estender esse tapete vermelho para suas tenebrosas adaptações/prelúdios em quadrinhos do Universo Cinematográfico Marvel), recebeu uma abordagem ainda mais especial, com uma minissérie não das tradicionais seis edições, mas sim sete e todas elas com capas alternativas. Considerando que o filme desapontou nas bilheterias, foi uma surpresa o investimento aqui e um investimento que, devo dizer logo de início, gera dividendos na história.

Para começar, há bem mais espaço para que todas as situações do filme sejam trabalhadas com vagar e com acréscimos de outras sequências que não estão no longa ou que aparecem por lá de maneira diferente. Robbie Thompson não chega sequer a usar o material extra da adaptação literária, mas, mesmo assim, entrega uma minissérie que não só respeita o material fonte, como acrescenta a ele e, melhor ainda, consegue viver independente dele, como uma aventura espacial protagonizada por um personagem particularmente muito convencido e cheio de si aprendendo todas as lições possíveis ao longo dos três anos em que a história se passa, considerando a elipse existente entre sua fuga de Corellia e seu encontro com Beckett e sua gangue em Mimban (curiosamente, esse é o primeiro planeta do universo literário expandido de Star Wars, tendo aparecido no clássico Splinter of the Mind’s Eye, de 1978).

Cada personagem de apoio também ganha um bom espaço relativo para conectar-se com a história macro, incluindo Val e Rio Durant, com os destaques, claro, ficando com Tobias Beckett – o modelo que inspira o futuro Han Solo -, Chewbacca e Qi’ra. Até mesmo os vilões Enfys Nest e Dryden Vos, de seus respectivos jeitos próprios, claro, ganham uma abordagem que vão além de seus respectivos arquétipos. O roteirista esforça-se de maneira bem sucedida para circundar o fato de Chewie falar em grunhidos – ou, tecnicamente, Shyriiwook – algo que Gerry Duggan também conseguira fazer na minissérie solo do personagem. Sem basear-se na bengala da tradução de Han Solo por todo o tempo ou pela tradução automática entre colchetes, Thompson consegue passar a necessária mensagem só com as inflexões possíveis das onomatopeias ilegíveis que ele utiliza, algo que o trabalho de letreiramento de Joe Caramagna captura e amplifica à perfeição.

A arte de Will Sliney é outra demonstração de um capricho fora do comum até mesmo para as adaptações de longas de Star Wars da Marvel, já que o trabalho do artista é lindíssimo, com enorme cuidado nos detalhes de cada personagem e de cada equipamento utilizado na minissérie. Seus traços “pintados” embelezam os movimentos e as expressões dos personagens, funcionando inclusive para Chewie e para os terríveis seres que comandam Han e Chewie em Corellia. Além disso, seu comando da progressão de quadros é muito boa, mesmo que, por vezes, ele acabe estabelecendo elipses que podem confundir quem não estiver prestando atenção. E, apesar de ele não usar com constância, suas páginas duplas – como a da imagem da Millenium Falcon que usei para ilustrar esse artigo – cumprem maravilhosamente bem a função dupla de contar a história e de deslumbrar o leitor.

Mesmo sendo um filme que muita gente desgosta, sua adaptação em quadrinhos é uma das melhores já feitas (e olha que há diversas adaptações por aí – confiram todas elas aqui) e merece ser conferida. Quem sabe o efeito de tornar o longa mais interessante que eu senti não se repete?

Han Solo: Uma História Star Wars (Solo: A Star Wars Story, EUA – 2017)
Contendo: Solo: A Star Wars Story #1 a 7
Roteiro: Robbie Thompson
Arte: Will Sliney
Cores: Federico Blee (#1, 2, 3, 5 e 7), Andres Mossa (#3, 4 e 6), Stefani Rennee (#3 e 6)
Letras: Joe Caramagna
Capas: Phil Noto
Editoria: Tom Groneman, Mark Paniccia
Editora original: Marvel Comics
Data original de publicação: outubro de 2018 a abril de 2019
Páginas: 162

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.