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Crítica | He-Man e os Mestres do Universo (2002) – 1X01 a 03: O Começo

por Ritter Fan
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Bem-vindos ao Plano Piloto, coluna dedicada a abordar exclusivamente os pilotos de séries de TV.

Número de temporadas: 02
Número de episódios: 39
Período de exibição: 16 de agosto de 2002 a 10 de janeiro de 2004.
Há continuação ou reboot?: Não. A própria série é reboot de He-Man e os Defensores do Universo, que foi ao ar entre 05 de setembro de 1983 a 21 de novembro de 1985, com duas temporadas e 130 episódios.

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Doze anos depois de levar He-Man de Etérnia para Primus e, no processo, transformar um herói de espada e sandália em um herói de ficção científica, a Mattel tentou mais uma vez levantar interesse sobre o personagem, mas, desta vez, produzindo um reboot completo que retorna ao espírito da série original da Filmation, mas com o grande mérito de organizar as ideias de lá em algo razoavelmente bem concatenado e planejado, além de em ordem cronológica. Comandada por Michael Halperin, a então nova série começa com um episódio triplo que foi ao ar como um média-metragem de origem, exatamente como o título promete.

E, por origem, falo de antes de Adam e He-Man ainda, com a história começando muito bem com o ainda Capitão Randor e seus homens, dentre eles um jovem Mentor, evitando um ataque ao Conselho dos Sábios pelo feiticeiro Keldor e suas forças do mal. É nessa batalha que, ao final, faz de Randor um rei e de Keldor o Esqueleto, além de consolidar as energias do Conselho nas profundeza dos Castelo de Grayskull, protegido pela Feiticeira. Sem dúvida é um começo um tanto quanto corrido e que exige alguns pulos de lógica, mas que, no geral, funciona bem para permitir o salto temporal de 16 anos que nos leva ao presente da série, no aniversário do mimado Príncipe Adam.

Nesse presente, claro, Esqueleto retorna em sua forma clássica depois de derrubar uma barreira mística que separava a Montanha da Serpente do restante do planeta e atacando o palácio real, com Adam, inicialmente, apesar das súplicas da Feiticeira, já antevendo o problema, recusando a honra de se tornar He-Man. Claro que, não demora, e, diante de uma situação terrível e com seu pai sequestrado, Adam retorna à Grayskull, empunha a espada e do nada diz a famosa frase mágica que o transforma no Conan loiro, começando, então, o que parece ser uma interminável batalha feita para vender bonecos das novas versões dos mesmos personagens clássicos.

O problema desta trinca inicial de episódios é justamente a pancadaria incessante depois que as origens são todas contadas. O que tinha um grau mínimo de complexidade e concatenação de roteiro, sempre em um nível para agradar no máximo adolescentes mais para crianças do que para adultos, claro, abre espaço para uma pancadaria que até funciona no começo, quando tudo é ainda um pouco cheio de novidade. No entanto, essa “novidade” esvai-se muito rapidamente, com a historia passando a ser composta, apenas, por heróis variados lutando contra vilões variados de maneira pouco excitante, algo particularmente evidente pelo conflito anticlimático entre He-Man e sua contrapartida de pele azul e rosto de caveira.

Mas o que chama mesmo atenção na série é que ela é a primeira vez (até 2021) em que He-Man e seus amigos e inimigos ganharam um banho de loja decente, com designs de personagens que, respeitando os originais de 1983, mostram em definitivo o potencial desse multicolorido universo de gente para lá de esquisita. No lugar de corpos iguais, apenas com figurinos e cores diferentes para todos os personagens, percebe-se muito facilmente um trabalho variado e cuidadoso a começar por “shazanizar” Adam e He-Man, ou seja, fazer um adolescente transformar-se em um adulto, no lugar de apenas fazer a mesma pessoa ficar com menos roupa e um tom mais corado de pele. O mesmo vale para a impressão de idades diferentes, algo visto com mais clareza no caso de Mentor, que ganha maturidade e até Teela, que recebe uma aparência ainda jovem, mas menos abobalhada que a de Adam. Igualmente, a técnica de animação é muito superior a qualquer uma das duas séries anteriores, mesmo que ela não seja exatamente tão dinâmica quanto poderia ser.

 O Começo definitivamente é um bom reinício de uma das mais famosas franquias animadas feitas unicamente para vender brinquedos. Chega a ser estranho como essa versão de He-Man e os Mestres do Universo, que tinha tudo para dar certo, encontrou um público apático à época que a fez ser cancelada a destempo com apenas 39 episódios produzidos. Justamente quando mostrou sua força, He-Man perdeu seus poderes perante o público…

He-Man e os Mestres do Universo – 1X01 a 1X03: O Começo (He-Ma and the Masters of the Universe – 1X01/02/03: The Beginning – EUA/Canadá, 16 de agosto de 2002)
Desenvolvimento: Michael Halperin (baseado em criação de Lou Scheimer)
Direção: Gary Hartle
Roteiro: Dean Stefan
Elenco: Cam Clarke, Garry Chalk, Lisa Ann Beley, Brian Dobson, Kathleen Barr, Paul Dobson, Michael Donovan, Gabe Khouth, Scott McNeil, Nicole Oliver
Duração: 63 min.

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