Crítica | Hellboy: Botas de Ferro (Iron Shoes)

  • Leia, aqui, todo nosso material sobre Hellboy. A imagem acima não é da animação, mas sim da capa do Blu-Ray que compila as três obras. Não encontrei nenhuma captura de tela boa o suficiente para inserir na crítica. 

Hellboy tem um azar danado com mídias que não sejam a que foi criado para popular. Enquanto os quadrinhos do personagem são publicados ininterruptamente (ou quase) há décadas, gerando incontáveis spin-offs que cada vez mais engrandecem o universo criado por Mike Mignola, o mesmo não aconteceu no cinema ou na animação. Mesmo considerando os dois bem-quistos filmes dirigidos por Guillermo Del Toro, seus relativos fracassos financeiros impediram a continuidade da franquia, que só foi ganhar um reboot 11 anos depois da segunda obra, mas que foi recebido friamente pela crítica. Na área da animação, a Starz aproveitou o intervalo entre os filmes originais e lançou três, dois longas e um curta, mas que ficaram no relativo desconhecimento do público em geral, mesmo tendo sido transmitidos pela Cartoon Network nos EUA.

No entanto, essas animações merecem atenção por quem gosta de Hellboy ou de animações em geral, pois elas contam boas histórias, têm uma bela arte, respeitosa, mas diferente da original das HQs e, em uma excelente jogada de marketing, contam com as vozes dos atores que estrelaram os filmes, notadamente Ron PerlmanSelma Blair e Doug Jones. O primeiro longa, A Espada das Tempestades, contou uma história criada especificamente para a animação, enquanto que o segundo, O Espírito de Fantasma, trouxe uma adaptação parcial de O Despertar do Demônio. O único curta, incluído com extra no lançamento de DVD de O Espírito de Fantasma, adaptou o conto Botas de Ferro, incluído no encadernado O Caixão Acorrentado, o terceiro volume da narrativa principal de Hellboy nos quadrinhos.

Se o conto já era simplíssimo, na animação ele se torna ainda mais objetivo, contado em breves três minutos. Nele, Hellboy enfrenta um goblin maléfico que usa botas de ferro como armas, em uma torre abandonada de um castelo. Como o próprio Mignola afirmou quando escreveu o conto, não se trata “propriamente uma história, só um incidente”. E, de fato é mesmo, uma pequena anedota na vida de Hellboy, basicamente uma desculpa para ele espancar um vilão sem necessidade de detalhes ou mesmo contextualização. O roteiro da animação co-escrito por Tad Stones e pelo próprio Mignola não inventa e mantém a linha de “rinha de galo”, com a arte sendo a mesma bela recriação de Hellboy dos longas animados, contando novamente com a voz de Perlman para dar vida ao Vermelhão.

Curiosamente, para dar vida ao narrador/criatura, a contratação foi de um medalhão da dublagem nos EUA, ninguém menos do que Dan Castellaneta, mais conhecido por ser a voz de Homer Simpson. Mas o espectador não deve esperar “ouvir” Homer no curta, já que Dan usa seu talento para criar uma voz diferente, com forte sotaque escocês, mais próximo de sua outra voz do universo de Simpsons: a do Jardineiro Willie. E, mesmo assim, são apenas poucos segundos.

Botas de Ferro é um micro-passatempo divertidinho de Hellboy que realmente tem todo o jeito de “extra de DVD” que perde pontos por não tentar sem mais do que o básico. Ele reitera que o personagem tinha um futuro sensacional na animação, algo que nunca foi aproveitado em todo o seu potencial, e não mais mais do que isso.

Hellboy: Botas de Ferro (Hellboy Animated: Iron Shoes, EUA – 2007)
Direção: Victor Cook
Roteiro: Tad Stones, Mike Mignola (baseado em história de Mike Mignola)
Elenco: Ron Perlman, Dan Castellaneta
Duração: 3 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.