Crítica | Hellboy: O Espírito de Fantasma

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A Espada das Tempestades foi a primeira animação de Hellboy, pegando carona no relativo sucesso do filme de Guillermo Del Toro a ponto de o elenco ter sido recrutado para fazer as vozes dos personagens. O resultado impressiona e mostra potencial para uma prolífica série de longas animados do personagem que, infelizmente, acabou não acontecendo.

O Espírito de Fantasma (uma péssima versão do título original Blood & Iron) é o segundo e último longa de Hellboy até agora e ele confirma e consegue aumentar o potencial demonstrado pelo primeiro, em uma história de vampiros, bruxas e deusas milenares encapsulada em um formato de “horror de casa mal-assombrada” que prende a atenção do começo até quase o fim.

Estruturando a narrativa em dois momentos temporais diferentes, um contando as aventuras do Professor Broom ainda jovem, em 1939 (voz do saudoso John Hurt), antes de adotar Hellboy, onde enfrenta a vampira Erszebet (Kath Soucie), que sacrifica jovens moças para manter-se sempre bela (sua obsessão); e o outro no presente, em que ele e toda a equipe do B.P.D.P. sai para investigar uma mansão misteriosa recém-comprada pelo filho de um milionário. A animação sabe jogar com as expectativas e o suspense. A intercalação das narrativas é o segredo aqui, já que a conversa entre elas não é imediata e o uso de uma não-linearidade nos flashbacks contribui para o mistério.

E o surpreendente é que, de certa forma, Broom ganha o protagonismo nas duas pontas, mesmo que a presença de Hellboy (Ron Perlman) tenha a imponência de sempre. Há um tom pessoal na história que envolve profundamente o professor, trazendo um enfoque maior para as narrativas e seus dilemas, com uma história pregressa extremamente violenta para a vampira, o que empurra para o segundo plano as usuais pancadarias com Hellboy, Abe Sapien (Doug Jones) e Liz Sherman (Selma Blair).

Aliás, cabe aqui esclarecer o uso de “quase” quando afirmei que a animação prende a atenção do espectador quase até o fim. O ponto é que a deusa Hecate (Cree Summer), mentora de Erszebet, ganha proeminência ao final, quando é efetivamente introduzida na narrativa do presente, o que acaba configurando uma desvio da linha mais pessoal que a obra vinha tendo. Com isso, as câmeras voltam sua atenção para Hellboy e seus poderosos sócios com sua “mão direita do destino”, tornando os 10 minutos finais não só apressados como genéricos.

De toda maneira, O Espírito de Fantasma consegue triunfar ao manter a alma que faz de Hellboy o Hellboy, trazendo para a luz uma história cativante, variada e muito divertida, além de surpreendentemente violenta e macabra. Uma pena que as animações desse universo não tenham continuado. Mas, quem sabe um dia?

Hellboy: O Espírito de Fantasma (Hellboy Animated: Blood & Iron, EUA – 2007)
Direção: Victor Cook, Tad Stones
Roteiro: Kevin Hopps (baseado em história de Mike Mignola e Tad Stones e personagens criados por Mike Mignola)
Elenco: Ron Perlman, Selma Blair, Doug Jones, John Hurt, Peri Gilpin, J. Grant Albrecht, Jim Cummings, Grey Griffin, Rob Paulsen, DeeDee Rescher, Kath Soucie, Cree Summer, James Arnold Taylor
Duração: 75 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.