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Crítica | Hellraiser 2 – Renascido das Trevas

por Leonardo Campos
520 views (a partir de agosto de 2020)

Depois do sucesso comercial do primeiro filme, um time de realizadores decidiu investir numa continuação, Hellraiser 2 – Renascido das Trevas, produção que não chega a ser interessante como o antecessor, mas ainda apresenta um enredo relativamente envolvente para ser trabalhado. A direção e a escrita de Clive Baker dão espaço para Tony Randel e Peter Atkins, diretor e roteirista, respectivamente, deste horror lançado em 1988, narrativa que em seus 97 minutos, continua voltada ao mundo dividido em dimensões paralelas, sangue em profusão, personagens amaldiçoados para viver diante da tortura eterna, situação que mescla, por meio de imagens sadomasoquistas e graficamente violentas, uma hibridez entre prazer mórbido e dor incontrolável para aqueles que ousam a mexer no cubo mágico, o portal que literalmente abre as portas do inferno e liberta os cenobitas, liderados por Pinhead, para espalhar sangue e medo.

Mais uma vez, Doug Bradley faz o seu bom trabalho como o antagonista deste slasher tardio, responsável por algumas das melhores falas de um roteiro que se prende em retomar alguns tópicos do primeiro filme e reorganizar desdobramentos diante dos acontecimentos anteriores. Mais uma vez com assinatura de Robin Vidgeon e Michael Buchanan na direção de fotografia e no design de produção, respectivamente, a franquia mantém o estilo visual, traz elementos um pouco mais aprimorados de cenografia e direção de arte, haja vista o provável aumento relativo no orçamento. A condução musical firme, coesa, envolvente, ainda é de Christopher Young, setor que trabalha de maneira competente para manter o espectador dentro de uma atmosfera que distante dos clichês quentes sobre o inferno, massificados exaustivamente na cultura, nos coloca aqui diante de um som gélido, sombrio, noturno, assustadoramente adequado ao tom da obra.

A captação, movimentação e iluminação de imagens, juntamente com o setores de som e construção dos espaços para circulação dos personagens trabalham de maneira uniforme para nos contar a seguinte história: Kirsten (Ashley Laurence) agora se encontra internada em um sanatório, afinal, a sua versão para os acontecimentos do primeiro filme são bem burlescas e risíveis para quem desconhece o universo de dor e morte liderado por Pinhead e a Configuração dos Lamentos. O local é dirigido pelo Dr. Philip Channard (Keneth Cranham), um homem supostamente muito interessado nos fatos ocorridos com Kirsten, diferente do detetive Ronson (Angus Mclnnes), descrente na amalucada história. As coisas começam a esquentar na narrativa quando o assistente do doutor gerenciador descobre que o mesmo é um estudioso da Configuração dos Lamentos e pretende ajudar Julia (Claire Higgs), cedendo-lhe novas vítimas para a ressuscitação da “sedutora slasher” do filme anterior.

Além dela, temos o retorno de Frank (Sean Chapman), de volta como uma massa disforme, tal como o seu estado em Hellraiser – Renascido do Inferno. O assistente até quer ajudar Kirsten, mas por ter perdido o pai para os cenobitas, coloca a todos em perigo quando decide reverter a sentença de dor e tormento eterno de seu familiar, algo que coloca os cenobitas bizarros mais uma vez na dimensão dos personagens, transformando a tela num espetáculo de sangue e morte. Como elemento adicional, temos a subtrama de Tiffany (Imogen Boorman), uma garota que não falava nada depois de um trauma do passado envolvendo a sua mãe, jovem ótima na decifração de enigmas e de importante função dramática para o desfecho nesta continuação que encerra alguns arcos de personagens que não retornaram para Hellraiser 3 – Inferno na Terra.

Ademais, sem muita coisa diferente para contar desta vez, o filme se limita ao processo de repetição de algumas situações do anterior, algo que na continuidade da franquia, promoveria os personagens da dimensão infernal ao status de repetição que envolve mexer com a caixa/cubo, enfrentar os demônios e manda-los para o inferno. Com Graham Longhurst na supervisão dos efeitos especiais, Hellraiser 2 – Renascido das Trevas capricha nos jorros de sangue, pela esticada e estraçalhada, órgãos vitais atingidos com força para promover dor e aflição, mas não a morte, pois como reza a cartilha infernal da trama, o sofrimento é necessário e morrer não é uma opção. É preciso purgar bastante, pela eternidade. O setor cumpre bem a sua função, a maior do filme, creio, haja vista que os elementos filosóficos estão de fato no primeiro filme, aqui apenas reiterados para quem quer ver mais e na época, para aqueles que desejavam lucrar mais um pouco com este universo que ainda rende no contemporâneo, afinal, já existe uma série em desenvolvimento, tendo Pinhead e os seus acompanhantes como mestres do inferno na terra.

Hellraiser 2 – Renascido das Trevas (Hellbound: Hellraiser II) — Reino Unido/ EUA, 1988
Direção: 
Tony Randel
Roteiro: Peter Atkins (baseado em história de Clive Barker)
Elenco: Doug Bradley, Ashley Laurence, Clare Higgins, Kenneth Cranham, Imogen Boorman, Sean Chapman, William Hope, Barbie Wilde, Simon Bamford, Nicholas Vince, Oliver Smith
Duração: 97 min.

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