Crítica | Heróis em Crise #4: $%@# This

  • Há SPOILERS! Confira as críticas para as outras edições da série aqui.

É o quê???

Tom King parece que resolveu adotar a técnica “descendo ladeira abaixo” em sua minissérie Heróis em Crise e, desde que as 6 edições prometidas no início se tornaram 9 edições, a famosa encheção de linguiça fez o favor de derrubar a qualidade do roteiro drasticamente. Então a gente chega nessa edição #4 e tem migalhas mofadas de um enredo que não anda, com metade de página com quadrinhos sem nada acontecendo (gente, é patético!), cameos aleatórios de personagens e completo desprezo à formulação da suspeita principal. A presença do Batman e do Flash aqui deveria nos levar para além do que a gente já sabia desde a edição de estreia… A linha da investigação já deveria ter ganhado um maior peso e um maior corpo na condução desde Então Eu Me Tornei o Superman. A coisa está bem feia.

É até difícil escrever sobre essa edição porque ela é um poço de enrolação e mini momentos engraçados que, apesar de terem a sua qualidade isolada, de nada servem para o andamento da trama. E sim, como qualquer coisa a longo prazo, esses ~mistérios~ podem até acabar fazendo sentido. Nada disso, porém, mudará o fato de que a peça isolada é uma piada de mal gosto. A gente poderia passar o dia fazendo listas e listas de minisséries com um número até maior de edições, que mantiveram a alta qualidade ao longo de suas revistas em continuidade e conseguiram chegar ao final com uma ótima ideia para a trama completa. O problema é: se Tom King não der um rumo para HeC, nem isso a gente vai ter.

Pelo menos nos sobra a arte de Clay Mann, salvando a edição. O artista tem mantido a qualidade ao longo das revistas e experimentado diversos estilos de movimentos, de representação de lutas e até de arte-final, o que é sempre interessante de se ver, pois adiciona textura às perspectivas de cada personagem. Como o roteiro aqui é basicamente inútil, a arte tem um bom papel de nos levar emotivamente para o lugar de luta e para o lugar de investigação dos heróis. Aqui, três destaques precisam ser feitos: a cena na Batcaverna, a cena da Arlequina lutando com a Batgirl em um Labirinto de Espelhos e a cena fraterna entre Booster e Beetle, a única sequência de diálogos realmente decentes que Tom King escreveu nessa revista. Mesmo que termine de forma batida e clichê (daqueles clichês ruins, não bons), a mensagem de amizade entre os dois é mais forte que as jequices do autor e acaba funcionando bem.

plano critico canário negro santuárioplano critico canário negro santuário

Encheção de linguiça??? Nãaaaaoooooo! Magina! Vocês não estão entendendo todos esses simbolismos, esses significados, essas pistas ocultas…

Chegamos à quarta edição da série e a história parece um enigma mal pensado, que não faz ideia para onde está indo. Arlequina aqui, num tipo de redenção e de sororidade junto a Barbara Gordon até que poderia ter um bom papel na trama… mas como é tudo jogado, o diálogo, a iniciativa e sua conclusão simplesmente arrefecem. Isso sem contar no papel de Lois e a revelação do Santuário para o público… Sobra-nos algumas boas piadas e a já citada conversa de parceiros entre Azul e Dourado. Isto é o que tem para nós em Heróis em Crise #4. Nunca o título de uma revista fez tanto sentido em relação ao seu conteúdo. $%@# This!!!

Heroes in Crisis #4: $%@# This (EUA, 02 de janeiro de 2019)
Roteiro: Tom King
Arte: Clay Mann
Cores: Tomeu Morey
Letras: Clayton Cowles
Capa: Trevor Hairsine, Rain Beredo
Editoria: Jamie S. Rich, Brittany Holzherr
27 páginas

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.