Crítica | Heróis em Crise #6: Quem Está Salvo?

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  • Há SPOILERS! Confira as críticas para as outras edições da série aqui.

No dia 27 de setembro de 2018, um dia depois do lançamento de Eu Estou Apenas Aquecendo, a primeira e excelente edição de Heróis em Crise, uma nave invisível do planeta RTTR666 abduziu o roteirista Tom King e o substituiu por uma cópia perfeita. O plano dos aliens era preparar a Terra para uma futura interação com esses estrangeiros do Espaço, fazendo com que um “roteirista infiltrado” escrevesse histórias que mostrassem aos humanos um pouco das maravilhas além-da-Terra. Como tudo isso estaria em forma de ficção e em quadrinhos (algo que, segundo o presidente local, BzZz171, “ninguém se importa, ninguém dá a mínima“), não haveria alarme algum. O problema disso tudo é que os estagialiens trocaram a cópia do cérebro do verdadeiro Tom King por um punhado de CnNbS, uma planta supostamente inteligente que cresce nos lixões do planeta. O resultado? Em vez de criar uma série para disseminar o modo de vida dos futuros dominadores e preparar o planeta para a invasão, o pseudo-Tom King continuou escrevendo Heróis em Crise. A diferença agora é que com um cérebro de planta, boa coisa não poderia sair dos roteiros. E cá estamos nesse horror de revista, mais uma atrocidade editorial da DC Comics ao longo dessa série.

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Eu realmente não consigo entender o que está acontecendo com Tom King. Heroes in Crisis realmente se perdeu (embora existam más línguas por aí que digam que “esta série nunca se encontrou“) e o autor parece não conseguiu colocar o enredo nos trilhos novamente. Na edição passada, Sangue no Caminho, até encontramos um resultado medíocre, quase que totalmente alcançado através da arte, a despeito das páginas fillers, como argumentei na ocasião. Aqui, porém, praticamente nem a arte salva. A meia estrela que ainda consegui sustentar numa avaliação positiva veio apenas por uma breve sequência onde os desenhos mostram uma visão bem opressiva em relação ao pobre Wally West, todos em plongé e com excelente uso de cores. Mas é uma sequência breve e de impacto duvidoso na história, logo, o peso tem um limite até a esquina…

Aqui, todos os horrores possíveis que nos fazem revirar os olhos para uma HQ ruim parecem se juntar propositalmente. Temos repetição de páginas inteiras mostrando eventos do passado (o equivalente àquela polêmica de $%@# This) e recriação inútil de cenários dentro da simulação no Santuário, algo que não nos leva para absolutamente lugar nenhum. Não traz nada de novo. E sequer é bem escrito. King ainda insiste em botar longas reflexões proto-existenciais e/ou filosóficas na boca de Gnarrk em diversos momentos da história, o que não só é uma  das decisões mais estúpidas tomadas por ele nessa minissérie (e houveram várias), mas um faustoso convite para bocejar até o fim do Universo. As reflexões, em tese, se ligariam ao massacre ocorrido no Santuário, mas paramos exatamente na intenção. O roteiro não cria uma base para que essas reflexões e perguntas se estruturem e façam sentido ao menos para esta revista e inadvertidamente joga o que deveria ser uma “importante revelação” sobre os assassinatos, algo que tem peso nulo diante do mal argumento que o cerca.

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MEU. DEUS. DO. CÉU.

Há pouco para falar do resto. Como comentei antes, a arte não ajuda nessa edição, exceto pela forma como mostra os tormentos de Wally. A esse respeito, também vale dizer que o roteiro está querendo nos empurrar algo “sério e importante” ligado ao personagem, mas, novamente, sem o devido suporte na edição — que em vez de trabalhar bem esses eventos, abre espaço para diálogos sem pé nem cabeça, cenas de simulação que ligam o nada a lugar nenhum e zero de desenvolvimento de personagens ou mesmo andamento coerente da história — a coisa simplesmente não funciona, não faz nenhum sentido. Olha… está bem difícil acompanhar esse negócio. Agora faltam mais três revistas para terminar a série. Eu e as cinco outras pessoas que ainda continuarão lendo, mal podemos esperar para ver os golpes finais de “genialidade” que o Sr. Tom King está prestes a nos trazer…

Heroes in Crisis #6: Who is Saved? (EUA, 27 de fevereiro de 2019)
Roteiro: Tom King
Arte: Clay Mann, Mitch Gerads
Cores: Tomeu Morey
Letras: Clayton Cowles
Capa: Mitch Gerads
Editoria: Jamie S. Rich, Brittany Holzherr
27 páginas

LUIZ SANTIAGO (Membro da OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.