Crítica | Heróis em Crise #7: Muito Rápido Para Salvar o Mundo

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  • Há SPOILERS! Confira as críticas para as outras edições da série aqui.

Era só o que nos faltava…

Parece que Tom King está mesmo querendo criar um “super-mega evento” relacionado às mortes dos heróis no Santuário e cada vez mais parece querer colocar isso na conta de Wally West, o que por si só já é uma verdadeira desgraça editorial. A esta altura do campeonato, entre fillers e as mais completas e absurdas reescritas de super-heróis que eu já vi acontecerem em uma minissérie de intenso hype da DC, pouco sobra de vontade ou até mesmo material para escrever a respeito desse negócio, além do fato de que, quando parece que vai melhorar, o roteiro simplesmente mergulha no horror.

É o caso da representação de Wally nesta Muito Rápido Para Salvar o Mundo. À medida que eu ia passando as páginas, não conseguia acreditar que Jamie S. Rich e Brittany Holzherr, editores do projeto, concordaram em publicar essas bobagens tomkingianas sem o mínimo de contexto ou abertura para que o leitor pense numa interpretação duvidosa vinda da parte do herói. Eu fui gritando ao longo de toda a edição, às vezes feliz, nos quadros de confissão (onde, aleluia, Wally está quase que totalmente bem representado) mas majoritariamente incrédulo com a capacidade de Tom King em ignorar algo que o próprio Universo DC já estabeleceu lá atrás em DC Rebirth.

Eu faço questão de colocar aqui uma página que nem é dessa edição, mas é necessária para ressaltar as maluquices do digníssimo Tonho Rei. Se vocês leram a já citada one-shot sobre o reinício do Universo DC, então certamente se lembram desse diálogo aqui abaixo, que coloca em perspectiva uma das ações mais egoístas e condenáveis do Sr. Barry Allen ( que você fez, Barry?). Não é um texto complexo. É tudo muito simples, facilmente alocado dentro da nova visão desse Universo DC e marcando firmemente os passos do Dr. Manhattan nesse novo cenário da editora pós-2016. E o que Tom King faz com essas informações aqui? Passa um rolo-compressor por cima de tudo.

plano critico heróis em crise 7 não foi culpa do Barry

Página de Rebirth. Então pode-se ignorar elementos canônicos da editora agora? É isso mesmo, produção? Se for assim, posso considerar toda fanfic ou desejos de fã como oficial? Se Tom King pode ignorar, por que nós, que pagamos pelo produto, não podemos?

No meio dos desmandos do autor, nós ainda temos:

  1. Descaracterização + estupidez completa de Barbara Gordon;
  2. Confiança inexplicável dada a Arlequina;
  3. Batman agindo sob protocolo, mas sem a relevância e inteligência que a gente esperaria dele, o que é espantoso até para Tom King, que ama o personagem.

Para qualquer um que ainda queira encontrar algum “desenvolvimento” nessa história, fica a pergunta: desenvolveu-se o quê mesmo? Que Batman e Flash estavam na linha de frente da investigação, a gente já sabia. Absolutamente nada do bloco envolvendo Babs, Ted, Booster e a Palhaça é novo ou serve para alguma coisa, porque a “info inédita” que a gente tem ali não cabe como algo para fazer o enredo andar. E a gente já sabia do atraso de 5 dias em relação ao corpo de Wally. Aquela cena de Wally com Hera também não avança nada… aliás, coloca as coisas dentro de uma possível perspectiva de culpa, mas está tudo muito confuso, o que me faz levantar duas seguintes teorias/perguntas/clamores/choro e ranger de dentes:

  1. O Mestre dos Espelhos tem alguma coisa a ver com o que está acontecendo aqui?
  2. Hera Venenosa está manipulando Wally de alguma forma, inclusive fazendo com que ele cometa os assassinatos sob algum tipo de alucinógeno?

Sobre o meu ponto dois, fico passando as possibilidades na cabeça desde Quem Está a Salvo? e, aqui, o pensamento ficou mais forte simplesmente pelo fato de: WALLY WEST NÃO TER ACESSO AO VERDE. Pensando nisso, não faz absolutamente nenhum sentido que Wally, no uso de seus poderes, faça crescer uma Hera Venenosa de uma flor. Ele não tem essa habilidade, ele não tem acesso ao Verde. E se nem Monstro do Pântano, nem Orquídea Negra (Alba Garcia), nem Juniper (Zahra Abed) e nem o Homem Florônico (hoje, os personagens da DC — se esqueci de alguém por favor, comentem aí! — que têm acesso ao Verde) estão fazendo parte dessa saga, a única que sobra com esse poder é a Hera. E aí?

Hera Venenosa herois em crise 7

Senhoras e Senhores, a nova Hera Venenosa.

Os únicos sentimentos que consigo manter em relação a esta minissérie é que nada faz sentido e que eu não aguento mais. Simplesmente não vejo a hora desse tormento acabar e ler o mutirão de informações que o roteirista com certeza vai trazer na nona e última revista. Eu só consegui dar um e meio para esta aqui, porque realmente gostei dos quadros em que Wally está sendo Wally (conversando com a interface do Santuário, no pré-tragédia) e porque a arte é boa. De resto, só DECEPÇÃO / ATRÁS / DE / DECEPÇÃO.

Heroes in Crisis #7: Too Fast to Save the World (EUA, 27 de março de 2019)
Roteiro: Tom King
Arte: Clay Mann, Travis Moore, Jorge Fornés
Cores: Tomeu Morey
Letras: Clayton Cowles
Capa: Mitch Gerads
Editoria: Jamie S. Rich, Brittany Holzherr
27 páginas

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.